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Nosso cronista maior completou 70 anos.

A efeméride teria sido comemorada somente em família se não fosse a live organizada por sua dileta filha Sylvia.

As restrições impostas pela pandemia foram compensadas pelo bate-papo entre amigos, colegas das redações da vida, em encontro de inteligência, memória e reminiscências.

Aluísio Lacerda e Cassiano Arruda, mestres no mister de caçar palavras, laçar ideias e arrancar opiniões dos entrevistados, foram escadas perfeitas para o homenageado deixar  a timidez do outro lado das câmeras, soltar o verbo e contar estórias deliciosas.

Vicente Serejo brindou seus contabilizados 18 leitores, multiplicados por inúmeros seguidores do Instagram,  com uma viagem no tempo.

O desembarque na mesma cidade que viveu sob o império dos jornais e jugo do romantismo e da ousadia, antes do golpe que entronizou a televisão no poder, foi um presente especial.

Entre as notícias relembradas e personagens redivivos, na reunião de pauta on-line, baixou um santo maldito para abrilhantar mais ainda, com graça e beleza, a noite de festa, alegria e esplendor.

Luiz Maria Alves foi o fio condutor do colóquio, desde as páginas que espremidas, sangravam, aos editorias e notinhas que elegeram poderosos da hora e sentenciaram outros ao ostracismo.

A tertúlia eletrônica também despertou recordações de quem sempre acompanhou, com fidelidade,  a Cena Urbana, em diferentes endereços e prefixos.

Seria muita pretensão, um aprendiz de cronista imaginar que a forma de início de alguns relatos da vida cotidiana tenha sido motivada por uma missiva ao Senhor Redator, vocativo nunca antes notado pelo contumaz leitor, depois, frequente interpelativo ao improvável superior hierárquico.

Um novíssimo exame, só realizado em um único hospital de São Paulo, havia sido negado à viúva de um ícone das nossas artes e ofícios.

A reclamação, acolhida no espaço mais nobre do periódico, recebeu pronta e merecida atenção.

Dispensada a invocação do constitucional direito de resposta, com quase o mesmo destaque.

O diretor do plano de saúde fez os devidos considerandos, apresentou desculpas, mas as lastimáveis limitações contratuais para não atender ao justo pleito da usuária, não resistiram à estratégia do professor de jornalismo.

Na troca de epístolas, a tréplica publicada antes da réplica só não fez mais estragos que um lancinante título.

O método de diagnóstico por imagem, novidade para precisão do esclarecimento clínico, estava sendo  fantasiado de cura miraculosa para secular doença sagrada.

Mesmo depois de incorporado à rotina e ao rol de procedimentos, por muito tempo conservou o adjetivo de batismo que recebeu no alto da crônica.

A dolorosa ressonância.

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Comentários do Site

  1. Geraldo Batista de Araújo
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    Quer queiram quer não, o menino da Rua da Frente que foi escalado para substituir Paulo Macedo enquanto ele foi fazer. Curso no Rio, caiu no gosto dos leitores. Ele é capaz de fazer uma bela crônica sobre um cachorro que parou em frente à sua casa ou sobre uma árvore florida. Às vezes ele tem uma recaída para elogiar este escriba maldito escrevinhador raro quinem 29 de fevereiro. Somente ele e Manoel Onofre me nomeiam escritor. Um ex-reitor citou os escritores do nosso Estado e não me citou, mas disse que havia lido toda profíqua obra de Chagas Pereira que jamais publicou um livro de sua autoria. Não foi Diógenes foi outro de sua família.

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