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O padre João Medeiros Filho é daqueles articulistas que contamos os dias para reencontrá-los na outra semana.

Não apenas por ser imortal na fé e nas letras. Não apenas por ser mestre em comunicação. Não apenas por sua misericórdia cotidiana ao receber seus fiéis paroquianos de coração inquieto pelas agruras da vida.

Mas por textos como desta terça-feira publicado na Tribuna do Norte.

Este TL compartilha os dois últimos parágrafos com 12 leitores que estão sempre por aqui.

Vale repetir a lição de simplicidade do maior filósofo da humanidade; Jesus Cristo e sua sábia humildade.

Numa decisão existencial, Harry e Megan, duque e duquesa de Sussex, resolveram abandonar o glamour da Corte. Disseram sim à vida comum e não aos protocolos da realeza e certas regalias. A vida também pode ser fascinante e rica de aprendizagem, além dos muros palacianos, das pseudoproteções e círculos fechados. Alguns culpam Megan. Velha e triste mania de acusar ou condenar os outros, especialmente os mais frágeis. Isso já se fazia sentir na origem da criação, na metáfora bíblica de Adão e Eva. Quem tenta humanizar, não sai ileso de acusações. Cristo pagou o alto preço de sua simplicidade. “Não é este o filho do carpinteiro”? (Mt 13, 33).

A verdade é que muitos não abrem mão das comodidades e do supérfluo. Têm medo de se arriscar. Chesterton afirmava que “a coisa mais extraordinária do mundo é um homem comum, uma mulher comum e filhos comuns”. A humildade e o viver simples incomodam, pois revelam, por vezes, o vazio de muitas existências.

Alguns tentam compensá-lo com o fausto e as pompas. Mordomias e facilidades sepultam, não raro, muitas autoridades, seja leigos, seja eclesiásticos. Voltar à realidade é exercício cotidiano para construir um novo tecido civilizatório, na contramão de falsas lideranças e escolhas nefastas em instâncias ou instituições.

É urgente considerar a necessidade de modificar esquemas e métodos daqueles que se apegam aos privilégios, passando por cima do bem comum. Desafio e exigência: adotar a vida simples, sem temer suas consequências, acalentando o sonho de transformá-la.

É preciso ter a coragem sábia do despojamento, promovendo a fraternidade, a justiça e a paz. Cristo chama a atenção para as veleidades humanas: “Olhai os lírios do campo, como crescem. Não tecem nem fiam. No entanto, eu vos digo, nem Salomão no apogeu de sua glória se vestiu como um deles” (Mt 6, 28-29).

 

Comentários do Site

  1. observanatal
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    Padre João Medeiros Filho deve perceber, ouvir, a dificuldade em ter uma vida simples.
    Belo texto. Real, oportuno, nos chamando para refletirmos sobre a importância de quem somos, a quem servimos, e como servimos.

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