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Cassiano Arruda Câmara – Tribuna do Norte – 15/07/20

Nos últimos 120 dias, desde que se confirmou o primeiro caso de coronavírus (trazido por uma mulher infectada vinda da Europa de avião, direto para Natal), que as nossas vidas mudaram, como mudou a vida da própria cidade pela presença do vírus que também mudou o mundo.

Até esse marco, os órgãos governamentais já estavam vivendo a expectativa para antecipar o que se imaginava estava por vir.
E todos temiam o colapso no sistema existente para atender a toda a população com o aumento da demanda. Leia-se: Sistema Único de Saúde, que teve trinta anos para se consolidar e agora, já se reconhecia de véspera, que ele corria um sério risco de ser derrotado pela pandemia esperada.

A estratégia, definida pelo Ministério da Saúde, era implantar o Isolamento Social, para retardar a chegada da endemia, que se mostrava inevitável e se não houve uma barreira intransponível capaz, pelo menos se conseguiu um retardo para se tentar a melhoria da capacidade de atendimento aos infectados. E evitou-se – até aqui – a implantação do caos. Em nível local, cada um tratou de escalar o seu time e se preparar para o grande embate.

PONTO POSITIVO

Depois de duas semanas merecendo reportagens diárias no Jornal Nacional pela falta de leitos de UTI para atender a demanda do RN, a 19ª Semana de Quarentena começa com uma notícia alvissareira: A ocupação dos leitos na rede pública de saúde do RN está abaixo de 80% e a fila de espera para a UTI, zerou.

É por ai que se perde o controle da situação e se instala o caos, a perda do controle da situação. Foi contra isso que se trabalhou desde que foram tomadas as primeiras medidas de isolamento social, em março.

Também o nosso Rio Grande do Norte aparece nacionalmente agora como um dos três Estado da Federação, segundo o consórcio dos órgãos de jornalismo profissional para acompanhar a pandemia, que apresentaram redução no número de óbitos em todo o Brasil.

O desafio para todos, vencida essa primeira meta, é evitar um retrocesso, o que só será alcançado com a participação de todos. Principalmente com a adesão da população.

DIVERGÊNCIA E PACTO

A Prefeitura de Natal decidiu divergir do Governo do Estado, depois que este mudou os seus planos de distensão das normas estabelecidas contra a infestação rápida do vírus Covid-19. Para marcar posição, a governadora Fátima Bezerra resolveu lançar um pacto, empacotando nele, todas as suas ações: “Pacto pela Vida”, com a legenda de “proteger a vida é preservar a economia.”

O Governo do Estado saiu na frente, anunciando a instalação de seu hospital de campanha, primeiro, no antigo hospital do Papi, depois na Arena das Dunas, e em seguida mudar a estratégia de fazer o aumento dos leitos de UTI promovendo o rateamento por várias unidades hospitalares espalhadas por diferentes endereços (Liga Contra o Câncer, Hospital da Polícia, e Hospital João Machado, entre outros).

Sem ter nenhuma ação capaz de materializar positivamente o seu esforço com visibilidade e fácil percepção, o “Pacto pela Vida” não conseguiu ser “vendido”, com força para representar o conjunto da obra, o Governo ocupou a programação popular da TV, mesmo sem estabelecer empatia com esse público. Além disso não foi acompanhado pelas duas maiores cidades do Estado no seu recuo de ampliação da abertura, na semana passada, das medidas de flexibilização nas restrições impostas à população. Ao longo desses quatro meses, Fátima editou 23 Decretos Normativos para enfrentamento do Covid-19.

NATAL É DIFERENTE

Depois de ter revogado um primeiro decreto e de lamentar a “politização da pandemia”, o prefeito Álvaro politizou de fato, aceitando os argumentos do pequeno comércio e cumpriu a abertura que havia posto em decreto mesmo contrariando a posição do Governo do Estado. E os atendeu divergindo formalmente das normas definidas para o Estado, que decidiu não ampliar a flexibilização do tranca-tudo, como havia anunciado. Estabeleceu-se o “nós” contra “eles”.

Com a simpatia desse segmento econômico, a Prefeitura de Natal não teve dificuldade em capitaliza suas ações, sobretudo faturando quatro ações de grande visibilidade e fácil percepção pelo povão:

1 – Instalação do único Hospital de Campanha, num hotel da Via Costeira que estava fechado, com enorme visibilidade e ótima sinalização;
2 – Campanha de Vacinação contra a gripe pelo sistema “drive trhu”, para integrantes do grupo de risco;
3 – Campanha de teste de infestação, também no sistema ‘drive tru”, na Arena das Dunas e na Zona Norte, mostrando seu trabalho a toda cidade;
4 – Instalação de um centro de atendimento no Ginásio Nélio Dias, na Zona Norte, contribuindo para reduzir a pressão sobre UPAs e Hospitais, também mostrando serviço com força.

BALANÇO GERAL

E o Governo Bolsonaro?

Em termos de Rio Grande do Norte, até aqui, dinheiro não tem faltado, e o dinheiro federal é a principal expectativa. A situação presente é da liberação de R$ 215,6, milhões, mas o Estado e as Prefeituras só conseguiram aplicar no combate ao Covid-19, R$ 93.7 milhões, ou 43.4% desses recursos (números retirados dos portais de transparência do Governo do Estado e das Prefeituras).

Mas, em matéria de comunicação o Governo do Federal não está conseguindo chegar à ponta, mesmo porque, os seus parceiros – Governo do Estado e Prefeituras – não tem demonstrado interesse em divulgar os recursos federais recebidos e dividir os méritos pelo benefício que está levando com mais ninguém, muito menos com o adversário, como é o caso da administração estadual.

Sem politizar o assunto, a verdade é que o quarto mês da pandemia, quando se espera o máximo tenha sido atingido, chegamos com um ponto positivo: não se instituiu o caos no sistema público de saúde. E foi para evitar isso que foram feitos todos os esforços.

– Que venha a vacina.

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