C4735E7A-4B80-439B-BE11-F88F35932507Ainda sem explicação, o fenômeno que tem ocorrido com nossos representantes nos legislativos municipais.

De repente, um após o outro, foram entrando em crise de identidade.

Passaram a esconder os próprios nomes como se outras pessoas fossem, diferentes das que receberam a confiança do voto popular e eleitos.

A epidemia alcançou nossos bravos edis, em todas as câmaras, começando pela capital e chegando aos mais recônditos rincões.

Ao se elegerem, renunciam  à identidade e como tomados por algum espírito do outro mundo, passam a se apresentar de modo impessoal, usando e abusando da técnica d’ O Edson.

Modestos, adotaram o auto-tramento na terceira pessoa do singular.

Nossos paladinos são uns Pelés.

Até pra tirar partido em velório e marcar presença em quermesse de igreja, não é mais o lídimo representante da comunidade quem comparece.

Agora, quem guarda defunto, casa, batiza, pega no andor, arremata galinha em leilão de barraca e dança a valsa da debutante, é outra pessoa.

Sempre com um sobrenome pomposo.

Popular. Comunitário. Participativo.

Espera-se que na próxima eleição já tenhamos  também o primeiro Coletivo.

Essas modas do sul sempre acabam chegando por aqui.

Nas chacrinhas, tudo se copia.

Vai ter vereador a dar com pau. Cinco ou seis eleitos para cada vaga, em nome de um só mas com atribuições e obrigações compartilhadas.

Quanto aos salários e subsídios, sem novidades. A conhecida e tradicional rachadinha, resolve.

Essa nova pessoa nunca fica à toa. Quando não está em plenário, percorre os bairros  ou recebe lideranças no gabinete.

Tudo devidamente registrado, curtido e postado, entre caras e bocas, no Instra e no Face.

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Parecem humildes mas assinam as tuitadas com mais desenvoltura que
Trump,  sempre no plural majestático.

Se for da base, da situação,  não perde uma movimentação do alcaide. Vira exímio fiscal de obra interminável e ajudante de cortador de fita inaugural.

Os da oposição, sempre vigilante e construtiva, não ficam pra trás.

Apareceu um buraco novo na rua, lá está o tapador fazendo selfie para Ediana Miralha nenhuma botar defeito.

Vem aumento das passagens, o congelador de tarifas engrossa o coro das galerias. E pede ônibus norueguês na linha Rocas-Quintas

Faltou remédio no posto, o reclamador geral vai conferir na farmácia, a prateleira vazia.

Se essa moda pega e contaminar o eleitor, vamos ter um campeão de votos este ano.

Todos vão querer sufragar o nome do mais atuante desta legislatura. Sempre presente.

Popular. Comunitário. Participativo.

O cara das redes sociais.

Sua excelência, o Mandato.

Comentários do Site

  1. observanatal
    Responder

    Vereador moderno não fiscaliza mais nada, ele executa as obras, pega carona até no abanação de asa de urubu.
    Eles serão muitos, muitos candidatos. Alguns tão confiantes que agora só saem de casa vestidos de paletó, imagine só essa marmotagem sendo eleita, continuaremos com a perguntar popular: “você sabe com quem está falando?”.
    Temos uma casa que nos representa mal, mas que não deixa de ser a cara do eleitor natalense. Os comunitários vistos por aí não são coletivos, são do bloco do “meu pirão primeiro”, cansados de serem colocados pra trás por outros com o mesmo pensamento. O pensar coletivo vai demorar.
    Tamus lascados!

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