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Quando um amanhecer, CRW Nevinson (1914) Metropolitan Museum of Art – New York


Foi preciso uma pandemia como nunca antes vista neste país, e no resto do mundo, para a plataforma descer dos palanques eleitorais.

Uma das três pernas do tamborete demagógico, Educação, Saúde e Segurança, virou prioridade de verdade. E ninguém duvida disso.

Finalmente, apareceram verba, orçamento e dinheiro para o enfrentamento da inédita, inesperada e trágica crise sanitária.

Os abutres, acostumados a devorar os recursos antes do destino, como sempre, e com muito mais carniça, fizeram a festa.

Os outros predadores comensais, não ficaram de fora do butim.

Vão continuar em seus altos voos, vendo de longe quem continua no esforço de salvar o possível e luta para evitar novas perdas.

É justo que as contas sejam feitas e as finanças ajustadas.

Mas que nessa aritmética, a média seja ponderada.           

O peso da situação calamitosa, a urgência e o drama coletivo dispensaram trâmites, burocracias e embaçaram a percepção de valores, numa lógica sem previsão de futuro.

É injusto que se cobre em tempos de caos, no meio do bombardeio, na mesma  moeda corrente na letargia do paquidérmico monstro da administração pública.

Os mesmos argumentos aceitos antes, vidas não têm preço e não é hora para regateios, reaparecem agora para cobrar diferenças no rebotalho.

Como se na escassez da feira de poucos vendedores, a  entressafra não elevasse os preços dos produtos.

Explicar a compra no vuco-vuco só pode ser entendida por quem pagou  ágio pelo seu primeiro fusquinha. Esta figura da negociação que só aparece nas inflações de duas dezenas ao mês.

Tempos de veículos usados, com procedência, valerem mais que os tinindo de novo.

Não se tem notícias de interferências judiciais eficazes na respeitadíssima lei da oferta e da procura.

Identificada a persistência da doença epidêmica de malversação dos recursos públicos na área médica, é mais que necessária uma parada para reflexão e um diagnóstico diferencial.

Os bugalhos, se avançaram no dinheiro público, tirando a chance de sobrevivência de muitos, contados aos milhares, não podem deixar o pavilhão de isolamento.

Provada a culpa, devem repor o subtraído e cumprir longo confinamento.

Os alhos sobreviventes, ainda chamuscados pela violência assistida de perto, na linha de frente dos campos de batalha, mais que olhares de suspeita, merecem compreensão.

Ainda abalados com os horrores da guerra, tendo de manter as tropas em ordem, comandar ações de assistência aos feridos, traçar  estratégias para os próximos embates, os gestores da saúde são obrigados a enfrentar um desafio individual extra.

Caçados como facínoras, acusados por crimes hediondos, esquecidos do merecido reconhecimento, se não têm direito a honras, pelo menos, não assassinem suas reputações.

Nossos novos voluntários da pátria não são inglórios bastardos.

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A face da guerra, Salvador Dalí (1940) – Museu Boijmans Van Beuningen – Roterdã.

 

Comentários do Site

  1. geraldobatistaaraujo@.com.br
    Responder

    Está confirmado. O Dr. Utologista virou escritor de vera. Dizem que GB está com inveja. Agora só falta publicar um livro quando passar a pandemia.

  2. geraldobatistaaraujo@.com.br
    Responder

    Está confirmado. O Dr. Utologista virou escritor de vera. Dizem que GB está com inveja. Agora só falta publicar um livro quando passar a pandemia.

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