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Não basta ter de revelar o segredo do voto. Somos  obrigados também a participar de uma das duas únicas torcidas organizadas.

Os a favor e os contra.

Antes pelo contrário, quem joga pelo empate, ainda é xingado de isentão. Ou petrolão.

Neste Fla-Flu, ninguém torce pelo Bangu. E todos tomam tubaína.

Parece que só há vida nos extremos. E no centrão, para os muito vivos e entendidos.

Nem a maior ameaça à humanidade mereceu trégua.

Cessaram todas as guerras, incluídas as comerciais. Países ajudam os outros. Como d’antes, restaram Pindorama e suas províncias.

Os a favor, a favor; os contra, contra. Unidos pelo progresso  da ciência.

Agora temos que declarar também posição frente aos remédios que venha a precisar.

Com a  mesma profissão de fé e testemunho  dos religiosos que recusam tomar o sangue redentor, mesmo se derramado em bolsas assépticas.

Nos bons tempos da confiança no médico, estricnina era remédio.

Até que as coisas vinham bem. Voltaram os médicos da família. Mesmo sem entender de muitos, a fala, neles, confiança total.

O problema é o doutor da UPA.

É dele, a bola da vez. A sete. A última palavra. O último respirador. A última vaga na UTI. O último sopro.

E as primeiras desconfianças.

Será que ele assistiu à mesa redonda na TV?

Tem cara de quem acredita na doutora da Espanha ou será, na do Piauí?

Se o coiso gostou, não deve ser grande coisa.

Quem vai  comprar um carro usado do galegão gringo?

Será que não dá pra esperar pelo de tarja e todo o resto da caixa, vermelhas?

As dúvidas e os perigos só aumentam.

Quando o professor-doutor, cientista de renome internacional, chuta o balde das convicções comprovadas cientificamente, não pode ser censurado.

Tem hora que qualquer tábua é a da salvação. E pele a salvar, só temos a própria.

Ele só fez como um  ateu que na primeira sacolejada do avião, reza a Salve Rainha inteira, sem esquecer um único Ó.

E da piedosa, clemente e doce salvadora, recebe a graça de continuar descrente.

Informação é bom e gostamos.

Seus excessos é que estão dando no que deu.

A doença é única.

Sem antecedentes. Sem passagens pelos manuais de terapêutica.

Na área há poucos meses, quem há de dizer que dela tem experiência?

O que fazer, os obedientes que apesar de seguirem à risca a prescrição da sombra e água fresca, se veem diante da fera faminta?

Como Ghandi e outros pacifistas, oferecer a outra e todas as outras faces para os sopapos e só nos últimos estertores, pedir arrego?

Ou apelar para  a teleconsulta, enquanto o STF não se pronuncia,

O doutor tomaria um remédio desses?

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Comentários do Site

  1. Lúcia de Fátima Carvalho
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    Tenho colegas médicos, que por não terem encontrado a ivermectina em farmácias para humanos, compraram a medicação para uso veterinário para o caso de adoecerem. A confiança na droga é grande.

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