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Cassiano Arruda – Tribuna do Norte -29/01/20

Enseada de Jacumã – Agora que anunciou uma programação para o pagamento de funcionários até o fim do ano, O Governo do Estado terá condições mínimas para fazer muito mais do que administrar a sua folha de pessoal.

Esse não é um problema novo, que tenha sido inaugurado na atual gestão. Pelo menos os Governos Wilma, Rosalba e Robinson adotaram a administração da folha como prioridade e, com isso, terminaram contaminando a autoestima dos norte-rio-grandenses. O Estado saiu de um ciclo virtuoso na economia, com crescimento de arrecadação e com reais perspectivas de se consolidar como polo turístico internacional, para cair na passiva rotina de só se preocupar em pagar o funcionalismo, objetivo inerte e improdutivo.

Na virada do Século, o RN oferecia a maior variedade de oportunidades para o desenvolvimento entre os Estados da região: petróleo, sal, turismo, energias renováveis, fruticultura Irrigada, indústria de confecção, minério, pescado, logística – cada um deles oferecendo um mundo próprio a ser descoberto e explorado.

DESÂNIMO GERAL

A mudança do paraíso para o inferno de Dante não ocorreu de repente. Não se trata de mudança de azimute, algo que ocorra graças a um ato ou fato isolado. O acomodamento foi se implantando devagar, atingindo o ânimo coletivo da população gradualmente.

Ouvir um norte-rio-grandense de qualquer classe social, hoje em dia, nos conduz a encontrar a marca amarga do desânimo.

Ao longo desta década quase perdida (o quase fica por conta de projetos de geração de energias renováveis implantados nesse período). Houve uma concentração em iniciativas nas áreas de energia eólica e fotovoltaica, que colocaram o RN em posição de destaque no Brasil. Inúmeros projetos foram implantados, quase todos por grupos de fora, ficando a contribuição do RN limitada a não dificultar o licenciamento ambiental desses projetos. A condução desse processo indutor do desenvolvimento ficou a cargo do governo federal, sem a presença de protagonistas locais, restando aos daqui a posição de coadjuvantes – com raras e honrosas exceções.

INDUTOR DO PROGRESSO

Desde o encerramento do ciclo do algodão, no começo dos anos ´80, que o Estado obrigou-se a assumir a função de indutor do desenvolvimento, num momento em que o vazio deixado e a própria desorganização do sistema de produção exigia uma reorganização das forças produtivas, papel que o Estado encarou.

A crise da administração estadual em razão do crescimento desordenado dos custos da máquina estatal foram retirando o Estado do desempenho deste importante papel.

Quando as lideranças empresariais se uniram mais de uma vez, num passado recente, para cobrar essa ausência, as conferências e seminários não conseguiram ir além do papel gasto na apresentação das próprias cobranças. O esforço não conseguiu ultrapassar o limite das boas intenções.

A existência de um simples calendário de pagamento do pessoal pode – e deve – oferecer um olhar sobre a economia além das repartições públicas, numa hora em que reformas parecem inevitáveis.

MAIS RN – UMA AGENDA

O empresariado da indústria, por último, contratou a Macroplan, empresa (pernambucana) de consultoria para reunir dados e números do RN e quantificar seus problemas, definir responsabilidades e propor soluções. Do ponto de vista midiático foi um sucesso. Inclusive para os candidatos na última eleição, quase todos carentes de ideias para definir um plano de ação, e terminaram elogiando a existência da luz que vinha da Indústria.

Assim saiu o “MAIS RN”, reunindo 44 metas indicativas e 180 ações concretas para serem realizadas – pelos eleitos – até 2022.
Fátima Bezerra recebeu o papelório com elogios, transferindo-o à sua equipe técnica e marcando algumas informações preciosas.
Ocorre que toda a capacidade de fazer, realizar, nesse ano de 2019, estava comprometida com a folha de pessoal.

– A prioridades das prioridades.

O mais importante no Calendário é a concentração de informações dessa área e permitir que outros assuntos possam ser tratados a partir daí.

TEMPO DE REFORMA

O panorama mudou. Enquanto tentava administrar o pagamento da folha, o Governo do Estado terminou se comprometendo com as reformas, que serão encaminhadas à Assembleia Legislativa no final do recesso parlamentar, a partir da próxima semana.

Juntamente com a Previdência, o Estado vai ter de arranjar dinheiro, e até se desfazer de algum patrimônio (tenha o modelo, o nome e a fórmula que tiver), o que impõe mudança de atitude. Ou seja: para o bem ou para o mal, não vai dar para o Governo continuar entoando o seu ‘samba de uma nota só’ , atendendo diretamente a 300 mil funcionários, enquanto três milhões de norte-rio-grandenses permanecem esquecidos.

O consultor contratado pela Fiern para chacoalhar o RN, Carlos Porto, reconheceu que “Estamos numa situação muito desafiante, ainda sendo possível reverter o quadro. Mas não dá mais para errar”.

– Lembramos apenas que é preciso, primeiro, que nosso o Governo não abra mão de tentar.

Comentários do Site

  1. Durval
    Responder

    Parabéns pelo excelente texto, infelizmente nenhuma mudança estamos enxergando na atual administração estadual, no que se refere a aglutinar secretárias, reduzir o número de comissionados, e outras iniciativas pra enxugar a máquina administrativa do Estado.

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