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Um objeto que guardava as informações fadadas as esquecimento, não era conhecido por ninguém na pequena cidade do Agreste. Não tinha nome. Seu  criador preferiu ficar com o segredo e a fama de ter o dom da boa memória.

Dois milênios antes, os gregos descobriram que o acompanhamento das mudanças no tempo e as fases da lua eram extremamente úteis e precisavam de um mecanismo para manter e ordenar tantos dados.

Considerado o primeiro computador, o Mecanismo de Anticítera foi resgatado dos destroços de uma galera no fundo do Egeu e virou atração do Museu Arqueológico de Atenas.

É provável que tenha sido usado para determinar as  épocas de plantio, orientar  batalhas náuticas, fazer prestações de contas, precisar as festas religiosas e até guiar os navegantes em viagens noturnas.

O de Nova Cruz, ajudou muita criança a não passar o aniversário em branco.

(Publicação original em 30/06/2019)

A PRIMEIRA AGENDA

Todos queriam saber o segredo daquela memória tão privilegiada.

Não deixava passar em branco nenhuma efeméride.

Lembrava de todas as datas importantes. Da cidade e para as pessoas.

Aos casais com relacionamento já no módulo morno, ajudava a reacender a chama da paixão.

Nunca errava a conta de quantos anos desde a noite inaugural. (Aos mais jovens, uma explicação. Houve um tempo que foi assim.  Antes era exceção às regras dos noivados).

Pais com tantos filhos que não se contavam nos dedos das mãos tinham todo o direito de não lembrar dos natalícios da miunçada.

E não dava ainda pra confiar nas lembranças do Facebook.

Todo santo dia, antes que o sol esquentasse, saia de casa  no oitão da igreja matriz.

Para percorrer a rua grande.

Dispensava as calçadas. Sempre pelo meio que não tinha que dividir com automóveis. Talvez com algumas charretes e carroças. Cumprimentava os amigos do lado da sombra e os do sol.

Aqui e acolá, uma paradinha para dois dedos de prosa. E a informação esquecida por alguns e nunca por ele.

-Tem festa hoje?                                         23 anos (ou 18, 31, o que fosse) de casamento merecem comemoração.

O menino, ciente que a mãe, sempre ocupada,  ora com o comércio, ora com a política, não ia lembrar, esperava ansioso, a chegada do salvador de aniversários.

Prócer na comuna. Fazendeiro. Ex-deputado.

Corpanzil em baixa estatura.

Sempre de paletó de linho branco e chapéu.

Alfredo Augusto de Santana além do calendário hagiológico (economizemos o Google. É só a folhinha do santo do dia) que todos tinham pendurado na parede da sala, deve ter desenvolvido uma agenda própria que mantinha sempre atualizada.

Por conta da sua memória, o bolo da padaria e o  guaraná estavam garantidos.

 

 

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