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“Quando eu era mais novo, no colégio, também brincavam com o meu cabelo, com a textura do meu cabelo, isso nunca fez a menor diferença para mim, porque o meu cabelo, para mim, era um negócio que estava espetado no meu crânio, eu não tô nem aí.

Um cabelo black power, que é o cabelo do João, não é um penteado, é mais que um penteado, é um símbolo luta, de resistência. Foi o que os americanos dos anos 1970 usaram como símbolo antirracista. Eles vestiram o black power para mostrar para as pessoas que eles se aceitavam, que ele se amavam.

“Até pouquíssimo tempo atrás, uma pessoa como a Cami e o João tinha que levantar em um ônibus para um branco sentar, não podia ir em um restaurante. Então historicamente, o cabelo do João foi associado a uma coisa suja, a uma coisa feia, não existia cosmético para a pele da Camilla, não existia nada para o cabelo do João.

Já era quase meia noite da terça-feira, 6, quando Tiago Leifert resolveu falar como “amigo” dos participantes e não como apresentador do BBB mais bombado dos últimos tempos da TV Globo.

Ao falar da experiência dele nos tempos da escola, Tiago prestou um grande serviço aos que optam por sua régua para medir a dor do vizinho.

Ele deixou claríssimo que não se trata daquela gozação que todos nós sofremos em algum grau na escola; seja pela voz, andar, cabelo, tamanho, gordura ou magreza.

** (Sofri algumas delas e também costumo dizer que não tirou pedaço algum:  –  estou aqui inteira e feliz).

Mas fato é que o que está em jogo vai muito além disso.

É algo que resgata feridas de décadas. De algo que marcou gerações de negros calados e escravizados.

– Ah, mas sou filho de negro e estou de boa…

Ah, mas meu vizinho tinha apelido de negão e adorava… 

Ah, mas antigamente tudo era mais tranquilo, leve e feliz… 

Será que era mesmo? E para quem? Em que grau?

Fato é que há quem sinta e quem sofra.

E é por essas pessoas que precisamos rever nossos conceitos, erros, forma de falar e agir. Errando e acertando.

Depois da fala do apresentador, houve espaço para espíritos desarmados fora e dentro da casa. Houve espaço para abraço entre os envolvidos na polêmica do sofrimento.

Houve nas redes sociais uma sinalização para uma terceira via,  sem criminalização de erros perdoáveis e sem a relativização da dor alheia.

Houve quem visse uma esperança de terceira via na polarizada política brasileira.

Exagero?

Yes, we can!

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