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Cassiano Arruda Câmara – Tribuna do Norte – 09 06 21

No meio de uma pandemia, como esta que estamos vivendo, sem precedentes na história, existem dois temas importantes capazes de se impor no meio de tanta adversidade e diversidade:

1 – A defesa da vida, agora se materializa na implementação de um ampla campanha de vacinação, depois das inúmeras iniciativas para conter a invasão do vírus pelo isolamento social da população;

2 – Um redobrado esforço para tentar recuperar o enorme prejuízo já no segundo ano letivo sem aulas. O Brasil contabiliza 191 dias de escolas fechadas, tornando ainda mais dramática a sua própria situação nivelado – por baixo – a vários países da América Latina e do Caribe por ter deixado crianças e jovens por 158 dias, sem aula, segundo números da UNESCO.

No segundo caso, não dá mais para esperar, embora se tenha buscado todo tipo de justificativa para a indolência dos órgãos governamentais, sempre usando uma nova desculpa (por mais correta) para preterir uma tomada de posição heroica e rápida,

RAZÕES QUE SOBRAM

Com o mundo tudo sem estar preparado para a nova situação emergência (sem paralelo na história), em meio ao avanço dos casos do novo coronavírus, classificado pela Organização Mundial de Saúde como uma pandemia, diversos países adotaram medidas extremas para lidar com a situação, entre elas o cancelamento de grandes eventos, sem aulas em escolas e universidades e a orientação para que as pessoas evitem aglomerações ou até mesmo a proximidade de pessoas entre si.

Até o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou medidas restritivas começando pela suspensão de todos os voos vindos da Europa (a única exceção foi feita aos voos do Reino Unido).

O envolvimento da sociedade americana tem a marca visível numa posição da NBA, a associação americana de basquete, anunciando a suspensão de todos os jogos, interrompendo o campeonato do ano e confinando todos os times na cidade de Orlando.

No Brasil, os casos de “Sars-cov-2”, como no começo era chamado oficialmente o novo coronavírus, “têm crescido exponencialmente nos últimos dias — até esta semana, quando foram registrados 69 registros e pessoas infectadas, no país inteiro” (hoje são mais 17 mil todos os dias nos últimos dois meses e mais de 470 mil mortes).

Porém não há, ainda, uma determinação do Governo do RN para viabilizar a volta as aulas com risco mínimo para professores e alunos.

O DESAFIO DO RN

Vale lembrar que, pela primeira vez, o Governo do RN é exercido por uma profissional da educação, a professora Fátima Bezerra, que desde a primeira hora não deixou dúvidas sobre a sua posição mais próxima do corporativismo:

“Em que pesem todos os protocolos de biossegurança adotados no Rio Grande do Norte, as escolas só poderão retomar suas atividades presenciais em um ambiente seguro, e isso depende ainda da evolução das condições da pandemia.”

Em todas as oportunidades, a Governadora do Estado repetiu um mesmo argumento:

“Nós estamos lidando com a defesa de vidas humanas”.

Enquanto as escolas particulares se prepararam para retomar as aulas presenciais a escola pública apresentou uma resistência ainda maior, apontando a falta de condições na sua maioria para atender as salvaguardas impostas pelo próprio governo.

Para efeito de um melhor entendimento é importante comparar os 158 dias de escolas sem funcionar no Brasil contra a média mundial de 95 dias.

No sul da Ásia foram 146 dias sem aula e 101 no sudoeste da África, onde estão alguns dos países mais pobres do mundo.

UMA CONTA PESADA

A perda de aprendizado para 35 milhões de alunos do ensino fundamental e ensino médio implicará na redução em sua renda de R$ 430 mil ao longo da vida. Somando tudo dá um impacto de R$ 1.5 trilhão para o país.

Estudos mostram que um aluno que tenha progredido do 2º para o 3º ano do ensino médio na pandemia, estima que o estudo pode deixá-lo em pior nível de conhecimento em português e matemática, do que tinha antes de instalado o problema.

Infelizmente o assunto não tem merecido a devida atenção a partir da própria academia, sem produzir mais argumentos para que o assunto tenha um nível de discussão ainda maior, com o envolvimento da sociedade antes que o prejuízo se torne irreversível.

É preciso entender que o Brasil não suporta ficar esperando até a pandemia ir embora.

Esse é o primeiro ponto que precisa ser mudado, porque não existe mais espaço para se ficar esperando indefinidamente sem se buscar outras alternativas que não estão no gibi.

DE PÉ NO CHÃO

No combate a pandemia é sempre lembrado o fato de não existir uma história com indicações de um comportamento padrão para seguir e servir de modelo para se fazer uma ação coordenada.

Nesta cidade de Natal está completando 60 anos de quando uma situação sem precedentes exigiu a mobilização de toda a sociedade a partir da liderança de um Prefeito que não tendo salas de aula suficientes para atender a procura, ocupou igrejas e templos e supriu a falta de recursos com criatividade, mudando o parâmetro existente com a construção de escolas com teto de palha de coqueiro e chão de barro batido, síntese do espírito da campanha de “Pé no Chão Também se Aprende a Ler.”

A governadora Fátima Bezerra tem a oportunidade de, inspirada em Djalma Maranhão, sair da mesmice e liderar uma campanha convocando professores e alunos, suas famílias, a sociedade organizada e liderar um movimento para tentar recuperar as enormes perdas de toda uma geração saindo da passiva posição que o ensino está relegado, buscando novos caminhos.

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