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A mais fatídica das reuniões ministeriais completou um ano.

A primeira de conteúdo totalmente divulgado, não teve segunda edição.

Conhecido o seu  teor, um mês depois, por decisão judicial, ganhou repercussão internacional e agora, é lembrada com saudades. Das mudanças que provocou no governo.

E pelo tom informal, jamais inimaginado do colóquio entre as mais  respeitáveis figuras da administração, na presença de distintas senhoras ministras e estrelados generais.

Segundo cálculos da imprensa especializada em imprecauções, foi ilustrada com nada menos que 41 palavrões.  Chulos, banais, escrotizantes.

Todos proferidos por  quem  jurou defender os  bons costumes da família brasileira.

O inesquecível encontro da alta burocracia marcou o  destino de ilustres personagens.

A decisão do habeas vídeo foi o último ato, o canto de cisne, do Ministro Celso de Melo.  Decano de longos pareceres, sua negativa para não revelar partes das filmagens, entrou para a história e continua aguardando desdobramentos que podem aumentar ainda mais de importância.

O eloquente silêncio garantiu ao vice-presidente um bom lugar na geladeira e o recolhimento do crachá que dava direito a entrada e voz em assembleias.

Nem para as sem voto e sem poder de decisão, foi mais convidado.

Da excelência da Educassão, brotou a frase mais bombástica, motivo principal da intervenção judicial,

Eu, por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia. Começando pelo STF”.

A bravata, além de não ter motivado a prisão de ninguém, ainda serviu de carta de apresentação para uma sinecura no Banco Mundial, com salário, mensal, de 120 mil reais.

De Washington,  são poucas as notícias do que tem feito pelo melhoramento do mundo.

Já do seu novo estilo de vida, as redes sociais mostram tudo.

Dos passeios de bicicleta, às habilidades com as máquinas da lavanderias, passando pelos cuidados televeterinários com a cadelinha Capitu, mantém fiel, o eleitorado que no tempo certo, vai ajudá-lo a decidir se deve ser candidato ao senado ou ao governo paulista.

Foi também a despedida do paladino que saiu do ministério para interpretar o papel de ex-juiz parcial na chanchada que ainda está sendo rodada  mas que não pode receber outro título se não, Esta República é Mesmo da Fuzarca, com estréia prevista, em primeiro turno, para outubro do próximo ano e  elenco de conhecidos canastrões.

Palco da sonolenta performance do estreante Ministro da Saúde na grande cena,  foi também para o breve, sinal que havia sido escalado para a novela errada.

Sem concordar com o script já escrito, não chegou ao fim do primeiro mês de exibição.

Dos sobreviventes, é admirável a resistência do encarregado de fazer passar a boiada e contar toras de madeira de lei.

Há quem acredite que seu fogo está pela brasa da vez.

Suas verdes ideias não combinam com o novo ambiente.

Agora que a pandemia começa a dar uma trégua, é hora de ser agendada outra reunião como aquela.

A nação, estarrecida, agradecerá.

Só não esqueçam da porra da gravação.

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