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Mike Jeffries

Entre a força que Pedro II deu a Graham Bell, na exposição de Filadélfia em 1876 e a chegada do telefone à mais avançada e tecnológica cidade do agreste potiguar, foram quase cem anos.

Eram tão poucas as linhas que bastava uma combinação de dois números.                                       

Em lista, não ocupava por inteiro, uma página mimeografada.

A área de cobertura, da praça da prefeitura, rua grande, até o entorno da igreja matriz. Com incríveis,  29 aparelhos instalados.

Com poucas opções de lazer, era comum ao se encontrar um amigo pela rua, pedir que fossem cada um pra suas casas.

Para se falarem ao telefone.

Bons tempos.

Não se corria o risco de ter a conversa grampeada.

Nem pelo guardião.

Era mais fácil, desvendar trotes, por exclusão dos suspeitos.

Os armazéns de secos e molhados, os primeiros a utilizar a nova ferramenta, juntando as facilidades das compras on line com os registros em  cadernetas de fiado.

Os mais abertos às inovações agregavam o  valor do delivery service, garantido pelos cabeceiros, os precursores dos motoboys.

Na gigante do transporte de passageiros  na rota Nova Cruz-Rio-São Paulo, as vendas continuaram exclusivamente presenciais. Turbinadas pelo telemarketing receptivo.

No tempo em que a qualidade das estradas não podia garantir o cumprimento dos horários, estavam por um fio, as previsões de chegadas e partidas das modernas rodonaves.

Instalado na gran vía, o escritório da Viação Planalto passou a ter um dos números mais conhecidos.

Tal o 192 dos samus contemporâneos.

Tudo porque descobriram que Dona Maria, gerente e filial afetiva do agente Severino Pau de Arara, ficava uma psitacídea quando algum gaiato ligava perguntando detalhes da maior novidade, amplamente pregoada, dos novos ônibus.                                         

Os únicos com toilette.

Só pra ouvir,junto com a torcida do São Sebastião e quem mais passasse pela calçada, os impropérios que a paraibana de Campina Grande vociferava ao responder ao pedido de confirmação.

Se era  verdade que os novos carros tinham mesmo cagador a bordo.

(Publicação original em 26/08/2019)


3D821463-C129-409C-B64B-71D942ECD0FDMike Jeffries, aquarelista britânico,  pintou uma série sobre transportes dos anos 50

 

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