Qualquer incursão ao passado, vai mostrar como estamos carentes de lideranças.

Líderes de verdade, não temos mais.

Todos interessados no poder pelo poder e na sua perpetuação.

O Ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso fez sua autocrítica e assumiu o erro de ter introduzido o instituto da reeleição como sinal de maturidade democrática e modernidade.

Deu no que deu.

Na falta deles, estamos nos acostumando a eleger os menos ruins.

E pelo jeito, nem a pandemia  vai mudar esta sina.


(Publicação original em na 14/09/2019)

CHATÔ EM NOVA CRUZ

Magnata das comunicações, por décadas, personagem e protagonista das notícias que os veículos sob seu comando  traziam ou criavam.

Uma centena de jornais e emissoras de rádio, primeira emissora de TV e a revista O Cruzeiro, a de maior circulação antes da Veja.

Acreditava na mobilização popular, no medo dos poderosos e no próprio taco.

Senador  pela Paraíba e pelo Maranhão em eleições onde não faltaram acusações de fraudes.

Foi tudo que quis ser.

De Rei do Brasil a Imortal da Academia de Letras.

Sem nunca ter fritado um hambúrguer e com um inglês menos fluente que o do zero-dois, embaixador na Corte de St. James.

Condecorou o ex-primeiro-ministro ‘Uilsto Churchi’ com o mais alto grau da Ordem do Jagunço,com direito a paramentos de gibão e chapéu-de-couro.

Mecenas.

Fundou o MASP e espalhou muitos mais cultura com a Campanha Nacional dos Museus Regionais.

Com outra, incentivou a viação aérea através dos aeroclubes e o apelo Dêem Asas ao Brasil.

Em mais uma cruzada, em apoio ao golpe militar de 64,  o delírio de ser possível o pagamento da dívida externa com doações da  classe média.

Foram-se os anéis. As alianças. As jóias.

E tudo de ouro.

Ficaram os dedos.

Tudo para o bem do Brasil

Sempre aliado aos santos, de preferência os que estivessem no poder, usava arsenal pesado contra todos os demônios que ousassem ser adversários.

Falecido em 1968, não viveu para travar uma última batalha.

Às margens do Curimataú, na nesga do estado, quase entrando na Paraíba, aos pés da sua Borborema.

Honrado com o nome de avenida projetada, foi lembrado somente quando a visão do administrador e a nova fronteira da cidade viraram realidade. E foram ameaçadas.

Pela desomenagem.

A retirada  teria sido tranquila e bem recebida, somente com um único argumento.

Nome difícil de pronunciar e quase impossível de se escrever corretamente.

Um dos últimos sobreviventes do conglomerado que por décadas ditou a moda e os costumes, sob o comando do alter ego, Luiz Maria Alves, o Diário de Natal foi chamado à luta.

E não precisou nem escavar trincheiras nos lamaçais da política paroquial para  a manobra de Dunquerque-Bujari.

A lei, aprovada pelos vereadores, foi vetada pelo prefeito, filho do  outro que rendeu o preito original.

E não se tratou mais do assunto.

A Assis Chateaubriand tornou-se  a  Paulista do Agreste.

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