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Em tempos de dilúvio, números, gráficos e estatísticas, mais uma.

Em cada quatro habitantes do planeta terra, um já não comemorou aniversário neste ano da graça e dúvidas, de 2020. Não, como das vezes anteriores.

Bem que o fato podia ser objeto de um artigo de um dos muitos decretos governamentais.

A suspensão da contagem do tempo em isolamento social e sua posterior subtração da idade real. Sem prejuízos aos envelhecimentos futuros.

Mesmo quem nunca ligou muito para festas nas próprias efemérides, mesmo para os auto-considerados pouco invejosos, mesmo quem sempre sonegou a informação dos anos bem vividos, sobrará uma pontinha de invídia dos bafejados pela sorte. De virar a página da existência, em tempos de bonança, depois da tempestade e da chegada da vacina.

Analistas do comportamento humano ainda terão o tempo  para se dedicarem  à análise deste grupo de sobreviventes e respostas serão conhecidas.

Terá havido uma sobrecarga maior de influência do inferno astral que antecede as datas pessoais tão marcantes?

Se de fato, a queda de energia e de vitalidade ocorreu, e se o período que a sucedeu foi mais rico espiritualmente, como acreditam os esotéricos.

As modernidades da vida social em redes, haverão de abrandar a frustração dos que não vão ter junto, as pessoas que gostaria.

A compensação virá pelas muitas mensagens com promessas de, no futuro, cumprimentos presenciais, com todo o calor de um leve toque de cotovelos.

Ou quem sabe, uma discreta e elegante reverência à moda japonesa. Ou será,  também, como tudo que é importado, chinesa?

Isso sem contar com as festas lives para famosos e pretensas celebridades, bolos totalmente fakes e os vale-presentes para resgate quando as lojas reabrirem.

Dá pra imaginar no futuro, quando da escolha da foto antiga para publicar no tbt da hora, que não haverá vacilo em saber qual foi mesmo aquele ano.

O sem convidados, de calção e camiseta, barba de bode velho e cabelos com saudades do barbeiro.

Bolo de padaria, sem velas de números reveladores. E indiscretos.

O único.

O inigualável.

O passado escondido do perigo.

O de maior reflexão sobre o sentido da vida.

O das fotos que não mentem nem deixam esquecer, o momento único, revelador.

De alegria contida.

De otimismo.

De esperança que tudo daria certo.

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