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Roda Viva – Tribuna do Norte – 11/11/20

Na véspera do término do prazo de encerramento da propaganda eleitoral no rádio e na tv, ainda não dá para se fazer uma avaliação correta do que pode ficar desta campanha eleitoral em termos políticos, no nosso futuro próximo.

Somente com o resultado das urnas sendo revelado será possível fazer uma avaliação do que vai ficar desta eleição, que historicamente (como as eleições municipais) desempenha o papel de preliminar para a próxima eleição geral (de 2022).

Começando pelo Governo do Estado, hoje, com apenas um nome colocado para o eleitor. É o nome da governadora Fátima Bezerra, mesmo tendo tido uma atuação muito discreta na campanha.

Por menos influência que o volume de Prefeitos eleitos tenha confirmado influência nas últimas eleições – inclusive na eleição de Fátima – para o Governo; ninguém consegue fugir do uso deste parâmetro.

Será que das urnas de domingo sai o nome do adversário de Fátima em 2022? Assim como o concorrente de Jean Paulo Prates, para o Senado?

QUEM SE MEXEU

Indiscutivelmente, o Presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira de Souza, foi o político com maior movimentação com alguma consistência, na formação de um grupo político que foi além do seu partido, o PSDB. E o nome dele vem sendo lembrado para um lugar na chapa majoritária

É verdade que o ex-governador Robinson Farias esteve em todas, embora o nome dele não esteja sendo colocado na disputa de um cargo majoritário. Ele tem falado na candidatura do filho, o ministro Fábio Faria, como candidato ao Senado, deixando a vaga de Deputado Federal para ele próprio. Porém sem nada na base do concretizado.

Os donos dos partidos, fortalecidos pelo poder de distribuição dos recursos do Fundo Partidário, foram muito mais procurados do que encontrados. É possível que depois da eleição, sejam muito mais lembrados pela eventual falta dos recursos para os seus candidatos do que propriamente pelos que foram atendidos.

O VOTO DA CAPITAL

Na medida que os partidos foram se desintegrando, a capital funcionou mais como uma referência, concentrando um quarto do eleitorado estadual, e havendo a lenda de que só se elegia Governador do Estado quem ganhasse a eleição em Natal.

Carlos Eduardo quebrou essa escrita, tendo muito mais votos do que Fátima em Natal, mas perdeu feio no Interior, talvez por um enorme erro de avaliação.

Ele pensou que a classe política do RN não votaria no PT. Definido o Segundo Turno, encolheu-se, imaginando que que as chefias políticas tradicionais viriam para apoiá-lo por gravidade, sem precisar assumir maiores compromissos.

Resultado: O PT ganhou o Governo do RN pelo voto conduzido pelas chefias políticas tradicionais, que permaneceram obedientes aos seus líderes com quem haviam se acertado para o primeiro turno, e recomendaram o voto em Fátima no Segundo.

De 1960 para cá, Fátima foi a primeira Governadora do RN sem ter tido maioria na capital.

O PESO DAS URNAS

Desde Wilma de Faria que perdendo a eleição de Prefeito de Natal para Garibaldi Alves Filho, foi sacramentada como uma liderança emergente, sendo reconhecida na sua força individual, independente da enorme estrutura que a apoiava.

De há muito que Natal não produzia uma liderança de peso pós campanhas municipais.

Mas o PT descobriu que uma candidatura derrotada a Prefeito de Natal podia ajudar na reeleição de Vereador ou Deputado favorecendo Fátima Bezerra e Fernando Mineiro que se alternavam no desempenho deste papel, enquanto mantinham a legenda viva.

Hermano Morais, como candidato a Prefeito do MDB, mesmo sendo derrotado, dobrou os seus votos para Deputado Estadual na capital, dois anos depois. Uma tática usada por muitos outros.

Na hipótese da eleição de Natal ser decidida no Primeiro Turno (como revelam as pesquisas), é difícil que isso se repita na campanha seguinte. Afinal como reconhecer mérito num candidato, que somado a outros 14, foi derrotado por um só…

A FORÇA DO CARGO

Depois das urnas, tudo indica que agora vai vogar o peso político do cargo, a sua estrutura e capacidade de mobilização.

Sem aparecer outro candidato no desenrolar da campanha, o Prefeito eleito de Natal, seja quem for, ganha as fichas suficientes para ter o cacife suficiente para entrar no jogo majoritário, como fez Carlos Eduardo.

O Partido da Assembleia foi o único a ter trabalho, visivel, para agora e para 2022, adotando a marca do PSDB.

Seu Presidente, Ezequiel Ferreira de Souza, talvez tenha sido o político com maior presença, trabalhando por um partido, que além dos Prefeitos e Vereadores que vai eleger, mirou na próxima eleição, deixando implícito o seu nome para um dos cargos majoritários.

Lembrando que esse trabalho começou muito antes da campanha, com a conquista de quadros. Um deles, o Prefeito de Natal, Álvaro Dias, que era MDB e pretendido por muitos

Álvaro não foi o único assediado por uma nova legenda; terminou no PSDB. Ele e muitos outros (até o vereador Dagô do DEM).

No fim, as legendas tradicionais só fizeram se desidratar; sobretudo as que se resumem a um único projeto: – a reeleição do seu presidente no RN.

Comentários do Site

  1. Célia Santos
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    A próxima eleição será em ‘2022’ ou teremos um ‘De Volta ao Passado’ de acordo com os repetidos ‘2002’ no texto do renomado professor e jornalista Cassiano Arruda Câmara???
    Que Ezequiel desapareça da ALRN, nem que seja através dos votos que o levem para Brasília! 🤞🏼🙌🏽🙏🏽

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