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Eduardo Machado

Antes da velha política, houve uma outra.

Quando os partidos tinham valor e as palavras e compromissos, respeito.

Por outro lado, não existiam ainda políticos politicamente corretos.

Nem leis ambientais.

          (Publicação original em 08/06/2019)

MONTE SEM GAMELEIRAS

Emancipada há 55 anos, não chegou a receber  do mestre Cascudo, o resumo histórico como tantas outras cidades mais antigas.

O charmoso destino do turismo de montanha, deve ao Majó Theodorico Bezerra a carta de alforria que a libertou do jugo de Nova Cruz.

O trauma político da separação, nem um pouco amigável, só não chegou  a estremecer as estruturas do PSD porque partidos, naqueles tempos, eram fincados em bases sólidas, ideológicas e principalmente, pragmáticas.

Apesar da forte reação do correligionário da região, a sanha emancipacionista do dirigente partidário atingiu também o antigo distrito Monte Alegre, nas então  longínquas e quase inacessíveis franjas do planalto da Borborema.

Os contra-argumentos que a toponímia já contemplava outra comunidade próxima e mesmo a baixa densidade demográfica não foram suficientes.

Para quem já vinha fazendo poesia ao nomear novos municípios  (quando  o irapuru canta, tangará dança), não foi difícil encontrar nas poucas árvores da única rua de barro batido, inspiração para um nome marcante.

Mais preocupado em demostrar seu  descontentamento que a preservação da natureza, o deputado anti-separatista Lauro Arruda mandou arrancar,  pelas raizes, as frondosas árvores que encantaram o senhor das terras da Fazenda Irapuru e dos currais eleitorais da recém-criada Tangará.

Por muitos anos, o monte, triste sem suas gameleiras, foi só um nome no mapa.

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