A poesia de Goimar Dantas

10 de maio de 2016 por toque

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Aos 13 anos, a perda do pai, vitimado por emboscada violenta na cidade de Japi, no Rio Grande do Norte, serviu de mote para o destino e para a literatura que, a partir dali, moldaria o caminho da jornalista e escritora potiguar Goimar Dantas, radicada em São Paulo. O evento traumático da precoce ausência paterna se transmutou em alguns dos poemas mais tocantes do livro Veias em versos, lançado em abril de 2016 pela Editora Penalux. É o caso de A linha do trem, Pa(i)radoxo, Do sentido das coisas e Para sempre Pedro.

 

“Nunca, nos 13 anos em que passei ao seu lado,

meu pai me disse um ‘Eu te amo’

(assim, com esses termos de Aurélio e de Houaiss).

Nem precisou também.

Pra mim, já basta a imagem forte do trem de ferro vindo

e o pai esperando a morte, solitário, deitado na linha.

Mestre Rosa já dizia em seu Grande Sertão: Veredas:

‘Viver é muito perigoso’.

Ao que eu acrescento, com sua licença:

E está para além dos dicionários..

 

(trecho de A linha do trem)

 

Escritos de 1992 a 2014, os 68 poemas do livro estão agrupados sob o viés memorialista. Além da figura paterna, a infância, os amores platônico/romântico/erótico, o processo de escrita, as influências literárias, o interior do Rio Grande do Norte e seu contraponto mais evidente, o elemento água, também são alguns dos seus subtemas.

“Sempre que flerto com o ateísmo,

Deus me manda flores.

Esse Senhor é mesmo irresistível”.

 

(Don Juan)
(…)

Seus olhos, enfim, são mantos.

Seus lábios entoam cânticos

e têm cor de vinho tinto

(feitos para se ofertar).

Portas para o paraíso,

céu singular e preciso

por onde desejo entrar.

 

(Oração dos apaixonados)

“(…)

E nessa folha de papel

(ex-árvore apontando para o céu)

em se escrevendo tudo dá.

E se a colheita vem do que se planta,

a fartura desse texto não me espanta:

é o pão do espírito

que venho compartilhar.

 

 (trecho de Oferenda)

 

 

“Escrevo porque tenho fome,

Escrevo porque apeteço,

Escrevo porque me arrisco,

Risco, rabisco e me esqueço,

Escrevo porque é difícil ter quem realmente escute.

Escrevo porque mereço saber bem mais sobre mim.

Escrevo porque sou filha,

Escrevo porque pari,

Escrevo porque me custa pensar em não existir (…)”

 

(Motivos)

 

 

“E mesmo sozinho

no poço sem fundo

o poeta ouve

o eco do mundo”.

 

(Sina)

Sobre a autora:

 

Goimar Dantas: Goimar Dantas é jornalista, roteirista, escritora e mestra em Comunicação e Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Em 2011, foi finalista do Prêmio Jabuti com a biografia Cortez – A saga de um sonhador (Cortez Editora), em coautoria com Teresa Sales. É autora de obras de diversos gêneros, como o livro-reportagem Rotas literárias de São Paulo (Editora Senac São Paulo/2014). Escreveu os infantojuvenis: Estrelas são pipocas e outras descobertas (Cortez Editora/2013), também publicado em 2014 pelo grupo editorial Octaedro, da Espanha; Minha boca está pelada! (Escrita Fina Edições/2013) e Quem tem medo de papangu? (Cortez Editora/2011).

 

Serviço: Veias em versos

Autora: Goimar Dantas

Editora: Editora Penalux

Preço: R$ 35,00

Número de páginas: 108

 

http://www.editorapenalux.com.br/

http://www.goimardantas.com.br/

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