Mencía: uma uva que se deve conhecer

26 de janeiro de 2020 por Elmano Marques

MENCIA DEF

Desde a época do Império Romano, a variedade de uva de tinta Mencía é cultivada na parte noroeste da Península Ibérica. A Mencía é utilizada na elaboração de inúmeros vinhos frutados, aromáticos e de cores intensas, com possibilidade de envelhecimento. Por algum tempo, pensou-se que esta casta era um clone da conhecido Cabernet Franc, com o qual tem muitas semelhanças.

Áreas de cultivo da casta Mencía

A Mencía é a variedade de uva recomendada nas Comunidades Autônomas de Castilla y León, Astúrias, Galícia, Castilla-La Mancha e Cantábria. Da mesma forma, é cultivado na parte norte de Portugal, onde acredita-se ser o resultado do cruzamento das variedades Patorra e Alfrocheiro, uvas tintas das regiões do Douro e Dão, respectivamente.
A distribuição da Mencía está localizada principalmente em Bierzo e no sudeste da Galícia, onde estão concentradas as denominações de origem de Monterrey, Valdeorras e Ribeira Sacra, estando nas parcelas deste último cultivadas no leito desde os tempos da Roma Antiga

Descoberto navio da era romana com milhares de ânforas de vinho

26 de janeiro de 2020 por Elmano Marques

A ANFORA DEF

Os geólogos gregos que examinaram o fundo do mar ao redor da ilha grega de Cefaloni, no Mar Jônico, localizaram um naufrágio da era romana, considerado um dos maiores navios daquele período encontrados no Mediterrâneo.
Em um artigo publicado no Journal of Archaeological Science (No113, janeiro de 2020) e agora disponível na Internet, cientistas do Departamento de Geologia da Universidade de Patras apontam que o navio, do século I aC, tem 34 metros de comprimento. Tem 13 metros de comprimento e transportava aproximadamente 6.000 ânforas com vinho e comida. Os autores afirmam que é o quarto maior navio desse período encontrado no mar Mediterrâneo; os outros três, todos com 40 metros de comprimento, foram descobertos no oeste do Mediterrâneo.
O navio e sua carga são mantidos em muito boas condições e podem fornecer informações precisas sobre as rotas marítimas e o comércio da época, bem como sobre técnicas de construção naval.
O tipo de ânforas obtidas nas imagens obtidas para o transporte de vinho, óleo e frutas, como azeitonas ou cereais. Sabe-se também que a maioria dos navios que transportavam mercadorias entre o século I a.C. e eu d.C. eles fizeram passeios com paradas frequentes nos portos do Mediterrâneo, freqüentemente indo para o porto de Ostia, a 35 quilômetros de Roma, na foz do rio Tibre. Os clientes pagavam pela seção de transporte de que precisavam e geralmente eram vários meses de viagem.

 

O que é um vinho intelectual?

26 de janeiro de 2020 por Elmano Marques

A INTELECTUAL

A palavra “intelectual”, originária do latim (intellectualis), indica o que na filosofia está relacionado a uma atividade teórica, considerada superior à atividade da experiência meramente sensível. A concepção aristotélica é de que certas virtudes são necessariamente intelectuais (ciência, sapiência, inteligência e arte), próprias da alma intelectiva, que é superior às almas vegetativas ou sensitivas. Em uma definição simples, o termo “intelectual” está ligado a atividades de pensamento e reflexão do homem. Então, o que seria um “vinho intelectual”? Basicamente existem vinhos simples e vinhos complexos. Os primeiros são feitos para se tomar informalmente, são agradáveis, fáceis de beber, são de certa forma genéricos e não ficarão guardados em nossa memória muito tempo, porque estão ali pra cumprir uma necessidade básica nossa: tomar um vinho (na piscina, na praia, com uma pizza, em qualquer hora e lugar). Já os vinhos complexos, como o nome já diz, são vinhos multidimensionais, sutis, com aromas e sabores de camadas variadas, que exigem concentração e reflexão para que entendamos seu verdadeiro valor. Do contrário, beber um vinho assim de forma desleixada pode inclusive nos fazer detestar o vinho. Esses vinhos complexos é que são também chamados de vinhos intelectuais. Não são fáceis de entender de cara. Exigem respeito de quem está bebendo. Exigem tempo para mostrarem aquilo que possuem de grandioso. Exigem muitas vezes um mínimo de conhecimento a seu respeito (não são para iniciantes, mas para iniciados). “É coisa séria”, como diz o crítico Jorge Lucki. São verdadeiras obras de arte da natureza, que, quando provamos com o devido respeito, em um momento de concentração, reflexão e paciência, são capazes de proporcionar momentos únicos, que ficarão como que marcados em pedra na nossa mente e nosso coração, por toda a vida. Dentre eles, podemos citar os grandes Borgonhas, Bordeaux, Barolos, Brunellos, Portos e assim por diante.

Por: Marcos Adair

Revista de Vinhos de Portugal vai anunciar e premiar “Os Melhores do Ano 2019”

26 de janeiro de 2020 por Elmano Marques

A REVISTA

A Alfândega do Porto, no próximo dia 4 de fevereiro, será o palco da cerimônia que já se tornou conhecida como “o Oscar” do vinho e da gastronomia em Portugal. A Revista de Vinhos vai anunciar e premiar “Os Melhores do Ano 2019”, aproveitando o momento para anunciar novos projetos e para celebrar três décadas de publicação. “A Revista de Vinhos tem acompanhado e registrado a evolução do vinho e da gastronomia do nosso país desde 1989. Tornou-se na mais influente publicação especializada portuguesa nestas áreas. Pois bem, nesta cerimónia vai celebrar esses 30 anos com respeito pelo passado mas, sobretudo, de olhos postos no futuro. Não apenas vamos premiar e homenagear o trabalho de grandes protagonistas e de novos valores, como também vamos anunciar um conjunto de novos projetos que reforçará o dinamismo e a abrangência de atuação da Revista de Vinhos e do grupo Essência do Vinho, dentro e fora de Portugal”, afirma Nuno Guedes Vaz Pires, diretor da publicação. Nesta 23ª edição dos prêmios “Os Melhores do Ano” serão homenageadas três mulheres do vinho, que pelo trabalho desenvolvido ao longo das últimas três décadas contribuíram decisivamente para a evolução de mercados, de consumidores, de regiões e do mundo empresarial do vinho: Jancis Robinson, jornalista, escritora e crítica de vinhos britânica, Master of Wine (o mais conceituado título internacional na área), conselheira de vinhos da Casa Real Britânica, colunista do “Financial Times” e da Revista de Vinhos, tida como a mulher mais influente da crítica mundial do vinho; Clara Roque do Vale, engenheira agrónoma, ex-presidente da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana, pioneira, impulsionadora e profunda militante do desenvolvimento do Alentejo enquanto região produtora de vinhos de qualidade internacional; Leonor Freitas, empresária que revolucionou o negócio de família tornando a Casa Ermelinda Freitas um dos maiores agentes económicos da Península de Setúbal e das mais importantes empresas do setor do vinho do nosso país, hoje também presente em regiões como o Douro e os Vinhos Verdes. O jantar e entrega de prémios serão dia 4 de fevereiro, a partir das 19h, na Alfândega do Porto.

Por: Marcos Adair

Häagen-Dazs lança sorvete de vinho rosé

26 de janeiro de 2020 por Elmano Marques

A ROSÉ

A Häagen-Dazs já pensando no futuro lança  um  novo sabor de sorvete: o Rosé & Cream. O novo sabor será a mais recente adição à popular coleção Spirits da marca.
De acordo com a conta Instagram do foodie @candyhunting, o novo sorvete Rosé & Cream chegará às lojas em fevereiro. A informação revela que o novo sorvete terá 310 calorias por porção e não contém glúten. E embora a nova bebida seja infundida com vinho rosé real, cada litro conterá menos de 0,5% de álcool por volume, portanto, não há risco de ressaca.

Últimas garrafas do Cheval Blanc 1947

25 de janeiro de 2020 por Elmano Marques

A CHEVAL DEF

Existem dois estilos genuinamente clássicos de grandes safras de vinhos de Bordeaux: o estilo de 1945, 1961, 1995, 1996 e 2005 (vinhos intensos, tânicos e concentrados, que envelhecem tremendamente bem) e o estilo de 1947, 1959, 1964 e 1982 (vinhos maduros, ricos e sedosos, que também foram feitos para viver muitas décadas). Segundo o site de pesquisa de vinhos Wine-Searcher, a reputação da safra de Bordeaux de 1947 foi consolidada principalmente pelos vinhos da margem direita, particularmente Pomerol. Tanto que um dos melhores bordaleses dos últimos 170 anos é o Château Lafleur 1947 do Pomerol. Outro excepcional vinho bordalês de 1947 é o Cheval Blanc de Saint-Emilion. Em 2007, o Cheval Blanc 1947 foi descrito por Robert Parker como “o vinho do século XX” e recebeu 100 pontos perfeitos. Vários outros críticos e comentaristas de vinhos também fizeram comentários efusivos a esse rótulo e lhe deram nota máxima. Pois bem, esse vinho custa em média, hoje, pouco mais de dez mil dólares, o que é considerado barato pelo Wine-Searcher. No geral, existem apenas 37 ofertas atuais desse vinho no mundo, sendo as últimas chances dos colecionadores adquirirem essa rara e admirada garrafa. Ainda mais raro é o Lafleur, que, por ter uma produção bem mais baixa, só possui sete ofertas da safra 1947 em todo o mundo. O curioso é que a margem direita de Bordeaux (Saint-Emilion e Pomerol) é mais conhecida como a região da Merlot, mas esses dois vinhos devem a sua longevidade à Cabernet Franc – sempre tiveram uma alta proporção dessa uva em seu blend.

Por: Marcos Adair

Pós-Parker: vinho na “era da redescoberta” (1)

25 de janeiro de 2020 por Elmano Marques

A PARKER

Entre colecionadores de vinhos e amadores, sommeliers e gerentes de bebidas, proprietários de vinícolas e vendedores de vinhos, não há dúvida de que o recém-aposentado Robert Parker Jr. é uma sumidade quando se trata de críticas a vinhos. Sua presença poderia “sugar” o ar de qualquer adega. Segundo o escritor Roger Morris, em artigo publicado no The Drinks Business, os amantes de vinho nascidos depois de 1985 perderam a cena florescente de vinhos finos nos anos 1990, época em que Parker era dominante e quando uma pontuação de Parker nos anos 1990 podia significar sucesso financeiro instantâneo para uma vinícola. Naquela época, o consultor francês Michel Rolland era visto como o “sussurro” de Parker, a única pessoa que entendia o gosto do crítico e, portanto, podia convencer as vinícolas que ele consultava para obter ótimas pontuações. No entanto, quando Parker anunciou em maio de 2019 que havia escrito sua última crítica, ele estava saindo com um estrondo ou um gemido? É uma pergunta que vale a pena ponderar – na verdade, uma pergunta que levanta uma série de perguntas e observações. Entre elas: toda uma geração de críticos proeminentes do vinho na América e na Europa está desaparecendo? “A questão não é apenas Parker, mas minha geração de críticos, todos concordando mais ou menos com o que produz um ótimo vinho – extrato, álcool, carvalho, etc.”, diz Steve Heimoff, ele próprio um crítico de vinhos aposentado da Wine Enthusiast. Ele explica que essas pessoas estão se aposentando ou morrendo. Será que eles levarão seus gostos com eles? De fato, futuros historiadores da indústria do vinho podem acabar chamando o período entre 1980 e 2010 como aquele que representa “a ascensão e queda do crítico de vinhos”.

Por: Marcos Adair

 

Palácio do Buçaco Reservado 2015

24 de janeiro de 2020 por Elmano Marques

BUÇACO

País: Portugal

Região: Bairrada

Casta: Baga e (60%) e Touriga Nacional (40%)

No Visual: Cor vermelho rubi intenso, profundo. Límpido. Brilhante. Lágrimas bem elaboradas.

No Olfativo: Paleta aromática complexa evidenciando notas florais  e frutadas (de cerejas e azeitonas), tostados suaves além de especiarias.

No Gustativo: Bom corpo e estrutura idem. No palato, boa acidez, adorável frescor, taninos de grão muito fino e boa persistência. Harmônico e elegante.

Enogastronomia: Ideal para harmonizar  com caças, carnes, e pratos da culinária portuguesa.

Comprado em viagem

Elite da China mostra preferência por vinho em vez do baijiu (famoso licor chinês)

23 de janeiro de 2020 por Elmano Marques

A CHINA DOIS

De acordo com a mais recente pesquisa de consumo de luxo da Hurun Chinese 2020, o consumo de álcool entre pessoas de alto patrimônio líquido (HNWI) na China cresceu 13%, com 88% deles desfrutando de várias formas de bebida e com uma preferência crescente por vinho. Segundo a escritora Alice Liang, em matéria publicada na The Drinks Business. a pesquisa entrevistou 483 HNWIs na China e o valor médio total dos ativos líquidos era de 46 milhões de RMB (a moeda oficial da República Popular da China), com 51 deles detendo mais de 1 bilhão de RMB em ativos. Os entrevistados tinham, em média, 36 anos de idade, com uma composição de gênero de 55% masculino e 45% feminino. É interessante notar que, ao considerar um presente para homens, o vinho substituíra o baijiu (sofisticado e famoso licor chinês) como a terceira categoria mais favorita, depois de aparelhos eletrônicos e relógios. Apesar do declínio em relação a 2018, o vinho ainda é a categoria mais procurada (39%) para o grupo HNWI. O produto é mais popular entre mulheres do que homens. O gasto médio em uma garrafa de vinho foi de 850 RMB, enquanto para o ultra HNWI, eles estão dispostos a gastar 937 RMB em média. Baijiu é sua segunda bebida favorita, no entanto, houve uma queda de 12% em relação ao ano passado. O gasto médio no produto é de 1.200 RMB. Os homens ainda são os bebedores predominantes do baijiu. Em termos de canais de compra, 75% dos entrevistados ainda preferem canais off-line. Boutiques independentes de várias marcas de baijiu são o canal mais confiável e é onde 60% dos HNWIs adquirem seus baijius. O Whisky também viu um aumento na popularidade, com 22% dos entrevistados afirmando gostar dele. O crescimento da preferência é bastante proeminente para o grupo ultra HNWI. Enquanto isso, a popularidade deste ano caiu de uma taxa de preferência de 21% em 2019 para 15% neste relatório.

 Por: Marcos Adair

 

O granito tem influência no sabor do vinho? (1)

23 de janeiro de 2020 por Elmano Marques

GRANITO DEF

A influência da pedra calcária nos sabores do vinho é bem conhecida. Mas, e o granito? Tem essa pedra algum efeito no vinho? O granito, de fato, não é conhecido por produzir vinhos com características particulares, explica Margaret Rand do site Wine-Searcher. Essa afirmação também é feita no novo livro chamado “Vineyards, Rocks and Soils” de Alex Maltman, professor emérito de ciências da terra na Universidade Aberystwyth, no País de Gales. Logo, à primeira vista, qualquer escritor de vinho seria tolo em argumentar contra um professor desses. Mas, todos nós queremos associar vinhos específicos a terroirs específicos. Quando você fica em algum planalto varrido pelo vento, olhando para videiras com mais de 100 anos de idade, que crescem em brilhantes tapetes de pedras de quartzo multicolorido, como acontece na região de Toro, na Espanha, você quer acreditar que uma paisagem tão única deve produzir vinhos de características únicas. Quando você caminha na areia fina e brilhante de granito que constitui os vinhedos de Gredos, também na Espanha, ao lado de alecrim, erva-doce e lavanda, e depois experimenta aqueles vinhos tensos e gloriosamente aromáticos, como pode não haver uma conexão? O granito não é uma rocha que se associa tão diretamente a sabores específicos de vinhos, como acontece com calcário e argila. No entanto, alguns vinhos notáveis são cultivados nela, e seus cultivadores afirmam que isso afeta o vinho. Os próximos posts tratarão disso.

Por: Marcos Adair