Os espumantes Pet-Nat (1)

24 de setembro de 2020 por Elmano Marques

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A PET

Os primeiros espumantes do mundo foram desenvolvidos na região francesa de Champagne e foram resultado de um erro. Naquela região, assim como nas demais regiões vinícolas francesas, o objetivo sempre foi fazer vinhos brancos e tintos tranquilos. Mas o clima frio de Champagne e uma série de outras circunstâncias fez com que a fermentação do mosto não se completasse antes do vinho ser engarrafado. Isso fazia com que as leveduras continuassem se alimentando do açúcar e produzindo gás carbônico dentro das garrafas e acidentalmente elas acabassem explodindo dentro das caves, muitas vezes causando cegueira nos trabalhadores. Don e Petie Kladstrup, no livro Champanhe, explicam que as borbulhas eram consideradas um capricho perverso da natureza e Dom Pérignon (em vez de dizer que estava bebendo estrelas) trabalhou com afinco para eliminá-las. Havia até uma recomendação dos produtores para beber o vinho antes da primavera, porque a bebida começava a esquentar e efervescer. Esse método inicial de fazer champanhe, segundo a revista Adega, é chamado pelos franceses de “método ancestral”, porque resulta nos vinhos ditos “pétillant naturel” (efervescente ou espumante natural). Com o tempo, os monges de Champagne desenvolveram outros métodos para fazer espumantes e não depender do clima e passaram a colocar uma mistura de açúcares e leveduras (o famoso licor de tiragem) para que a fermentação ocorresse na garrafa e o vinho se tornasse efervescente. Esse método ficou conhecido como método tradicional ou “champenoise” e é o método oficial de Champagne até hoje. Apesar disso, o método Pet-Nat ainda existe e, já que não há uma legislação que rege a produção, ele vem se popularizando dentro da categoria de vinhos naturais, diz o site da escola Enocultura, buscando o cultivo de uvas orgânicas, sem o uso de pesticidas, fungicidas ou outros produtos químicos, optando na vinificação pela mínima intervenção na elaboração, sem correções e adição de levedura. Já os espumantes que não passam pelo “dégorgement” não necessariamente são elaborados com uvas orgânicas e mínima intervenção, pois isso varia de acordo com a filosofia do enólogo ou vinícola.

Por: Marcos Adair

 

 

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