Um vinho nunca é só um vinho

12 de janeiro de 2021 por Elmano Marques

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A MENOS DEF

Quando se aprecia uma taça de vinho, é sempre salutar lembrar que o vinho tem toda uma representação simbólica profunda. Como explica o professor Júlio César Kunz, existem aspectos históricos que se conectam numa rede complexa de significações com as culturas de diferentes povos. O vinho tem também significados religiosos, especialmente para o Cristianismo, que espalhou videiras e a cultura do vinho pelas Américas Logo, seria até uma heresia dizer que um vinho é apenas um vinho, ele é sempre muito mais. O vinho é tudo o que vem antes dele: a história de um “terroir” consagrado ou de um novo lugar que é desbravado por visionários apaixonados; o trabalho do produtor de uvas, que lida com as variações de humor do tempo, entre chuva e sol, frio e calor, e aproveitando o que a natureza oferece de melhor; é a dedicação do enólogo, num trabalho cotidiano de acompanhamento de cada safra e aprimoramento da técnica de fazer o vinho. Um vinho é também o zelo dos sommeliers e de outros profissionais que escolhem aquela garrafa para estar naquele lugar naquele momento. São os anos de estudo e os litros degustados, comparando diferentes regiões, uvas e vinícolas. É a atenção aos detalhes das sensações que provocará na taça – nuances de cores, a complexidade aromática, o turbilhão de gostos e sensações táteis. É a formação do par com um prato específico. Júlio César Kunz conclui, dizendo: o vinho é, mais que tudo, o que deixará na memória de quem o degustou.

Por:Marcos Adair

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