Brunello de Montalcino – 2. A origem do vinho

15 de maio de 2019 por Elmano Marques

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BRUNELLOS DOIS DEF

Há aproximadamente 150 anos, o italiano Clemente Santi, no período que a filoxera estava impiedosamente devastando vinhedos por toda a Europa, notou que algumas plantas de sua Tenunta Il Greppo tinham uvas mais compactas, casca mais grossa e eram mais resistentes a pragas do que outras. Seu neto Ferrucio Biondi-Santi conseguiu isolar e enxertar esse clone de Sangiovese no resto da plantação. Também decidiram que o vinho seria um varietal 100% Sangiovese (o que não era cultura da época na Toscana, já que, até hoje, outros grandes vinhos locais como Chianti e Vino Nobile de Montepulciano são feitos de Sangiovese com outras uvas)

Em 1888 foi engarrafado o primeiro Brunello de Montalcino, 100% uva Sangiovese, chamado Biondi-Santi (a Tenuta Il Greppo abandonou as uvas Canaiolo e Colorino que se usava no Chianti). No final do Século XIX o vinho de Montalcino era doce e branco e o Chianti era um vinho leve e não longevo. O Brunello, por outro lado, chamava a atenção por ser um tinto robusto, com muito tanino e impressionante longevidade, como um Barolo do Piemonte. Só era feito em anos muito bons, com maceração muito longa (para ter muita acidez e tanino), baixo rendimento (alta concentração) e maturação em cubas grandes de carvalho eslovênio velho por anos, praticamente a ponto de oxidar o vinho.

A Il Greppo produziu o Brunello sozinha até o fim da 2ª Guerra Mundial, até que outras 3 vinícolas iniciaram o cultivo nos anos 1950 (Val Di Suga, Factoria dei Barbi e Il Poggione). O Consórzio di Brunello di Montalcino foi fundado em 1967 por 25 vinícolas e, no ano de 1981, adquiriu o “status” DOCG da região. Nos anos 1990, cerca de 250 produtores vendiam seus vinhos com o rótulo Brunello de Montalcino. A área produzida pulou de 65 para 2.100 hectares em apenas 40 anos.A família Biondi-Santi não manteve a qualidade de seu vinho. Hoje é muito caro e não compete com os melhores Brunellos do mercado, que não são poucos. É considerado um dos piores custo-benefício em vinho na Itália. Segundo Hugh Johnson, o Biondi-Santi foi criado com base no princípio Pétrus de que “nada é difícil demais”. Mas, hoje, é vendido com base no princípio Romanée-Conti, de que “nada é tão caro demais”.

Por:Marcos Adair

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