A mineralidade no vinho (II)

3 de junho de 2019 por Elmano Marques

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A mineralidade é um termo usado para descrever aromas e sabores que cheiram ou têm gosto de rochas ou matéria orgânica (solo). No entanto, “mineral” não é a mesma coisa que rocha ou solo, já que solo e rocha são geralmente feitos de vários minerais. Geologicamente falando, mineral é um composto químico natural e ele não possui odor. Assim, em termos de léxico do vinho, seria mais técnico mencionar aromas ou sabores de pedra molhada, pedra de cascata, sílex, concha de ostra, pedra de isqueiro, do que utilizar o termo impreciso “mineralidade”. Essa “mineralidade” existe em vinhos feitos em lugares pedregosos e de clima frio. Está presente em brancos de alta qualidade como Chardonnay, Sauvignon Blanc e Riesling, mas também em tintos de Syrah, Pinot Noir e outras uvas, ainda mais quando elaborados com mínimo afinamento em madeira ou sem afinamento. Isso quer dizer que a planta absorveu minerais geológicos do solo e armazenou na uva, trazendo seus aromas e sabores? Não. Pelo menos a ciência afirma que não há como provar que isso acontece, porque a quantidade de minerais presentes numa uva (potássio e cálcio, por exemplo) é tão ínfima que seria impossível sentir aroma ou sabor. Pesquisas recentes sugerem que a maioria dos aromas minerais no vinho são devidos a compostos de enxofre derivados da fermentação.

 Por: Marcos Adair

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