10 dicas essenciais de Pinot Noir – 7. Pinot Noir da Califórnia é mesmo Pinot Noir?

16 de agosto de 2019 por Elmano Marques

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PINOT GOG

É extremamente complicado e polêmico falar de Pinot Noir americano. A uva é complexa, tudo que se faz com ela, em lugares diferentes, tem impacto direto no resultado final do vinho. Lá não é diferente, mas há outros fatores a considerar, que batem de frente com as bases da Pinot Noir da Borgonha. Se a Borgonha é sinônimo de “vigneron” com o pé no chão, guiando seu cavalo no meio dos vinhedos medievais, simplesmente usando a uva para transferir as qualidades do “terroir” para a garrafa, como praticamente se fazia há meio milênio, a vinicultura e viticultura americanas são sinônimo de tecnologia, estudo e modernidade. Muitos críticos americanos rejeitam a ideia de “terroir” historico, o que é uma negação direta aos fundamentos do vinho borgonhês. Pela legislação americana, é possível acrescentar até 20% de outras uvas em um Pinot Noir varietal (normalmente usam Syrah) e isso levanta a pergunta: esse blend poderia realmente ser chamado Pinot Noir? Eles fazem Pinot Noir? (Jonathan Nossiter, livro “Gosto e Poder). Jorge Lucki, respeitável crítico brasileiro, também tem suas reservas ao Pinot Noir americano, afirmando que, o clima americano e o estilo típico desse vinho que o consumidor americano aprecia, dificilmente permite que a Pinot manifeste seu maior símbolo de grandeza, que é a elegância. Lá os vinhos são potentes, pesados, extratificados, amadeirados, maduros e opulentos. Os americanos adoram. A crítica (principalmente Robert Parker e a revista Wine Spectator) assina embaixo e concede notas altas a esses vinhos, cujos preços só aumentam (a exemplo do vinho Red Car Pinot Noir Sonoma Coast Heaven & Earth La Boheme Vineyard 2007, 97 pontos Wine Spectator).

Por: Marcos Adair

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