Ressaca da Black Friday: é possível comprar vinho bom e barato?

4 de dezembro de 2019 por Elmano Marques

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A RESSACA

Essa é uma pergunta de grande interesse de qualquer enófilo, em época de black friday. Mas não existem ilusões quando se fala de preço de vinho. Embora é possível sim comprar vinho bom a preço que vale a pena. Em primeiro lugar, é preciso estabelecer algumas premissas: o que seria vinho barato? Claro que a análise aqui é subjetiva e inevitavelmente tem a ver com o poder aquisitivo de cada um, conforme bem observa o crítico de vinhos Jorge Lucki. O que um milionário consideraria um vinho barato? Por outro lado, o que seria um vinho barato para quem ganha dois salários mínimos mensais? A questão de vinho “barato” não envolve apenas dinheiro, mas também conhecimento e apreço por rótulos específicos. Tente imaginar que seu gosto por carros esportivos de alta gama é a sua vida. E de repente há um anúncio de uma Ferrari clássica, em perfeito estado, digamos, por 200 mil reais. Um fã desse tipo de carro, com esse dinheiro disponível, compraria sem piscar os olhos, achando uma barganha. Alguém que tivesse dinheiro de sobra, e não desse o menor valor a automóveis esportivos, jamais faria esse tipo de compra. Sem divagar muito a respeito da questão subjetiva envolvida, bem como do poder aquisitivo de cada um, é possível comprar vinhos bons e baratos. Como? Uma dica dada por muitos críticos é fugir de regiões e rótulos de prestígio. Bordeaux, Borgonha, Napa Valley, Piemonte, Montalcino, Douro, Rioja – tenha certeza que esses nomes em um rótulo acrescentam um valor agregado muito superior ao que a qualidade do líquido da garrafa representa, assim como Chanel, Dior e Louis Vitton acrescentam muito mais valor agregado a uma bolsa, do que o fato dela ser de couro legítimo, ter um design atraente e ser feita artesanalmente. Optar por outras regiões é uma ideia interessante. Fora isso, nas liquidações de vinho, é preciso atentar para alguns aspectos: grandes vinhos podem estar com preços atrativos porque a safra já é antiga e o importador precisa liberar espaço para safras novas; por já ter alguns anos, o vinho precisa ser bebido logo; a safra pode não ser das melhores; o importador possui contrato de exclusividade com a vinícola e pode trabalhar o preço daquele vinho; o produtor é novo no mercado e necessita criar seu nome, e assim por diante. Uma coisa é certa: quanto mais se aprende sobre vinho, maior a possibilidade de olhar as ofertas e reconhecer bons vinhos a preços excelentes.

Por: Marcos Adair

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