Dá para sentir o “terroir”! Será mesmo?

12 de janeiro de 2020 por Elmano Marques

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Imagine que alguém, ao abrir determinado vinho, percebeu sabores que remetem a gosto de terra. Se for um enófilo de primeira viagem, é provável que imediatamente ele afirme, de forma eufórica: “esse vinho remete ao terroir!” Infelizmente, as coisas não são tão simples assim. A expressão “terroir” se origina do francês. Sua definição é muito polêmica. Por décadas os especialistas se digladiam para chegar a um consenso a respeito do assunto e há até quem diga que o conceito de “terroir” é um mito (É o caso de Mark A. Matthews no livro “Terroir and Other Myths of Winegrowing”). Segundo explica a revista Adega, de uma forma bem didática, o “terroir” pode ser definido como um conjunto de fatores que influencia o desempenho do vinhedo, a qualidade da uva colhida e acaba participando da personalidade final do produto, como se fosse uma “assinatura” de cada região produtora. Não por acaso, o termo não possui tradução em outros idiomas, além da língua francesa, exprimindo toda a sutileza dessa bebida ao mesmo tempo milenar e atual que é o vinho. Dessa forma, se você sentir aroma e sabor de pólvora no Chablis, isso é terroir. Um Pinot Noir encorpado da Côte de Nuits e outro elegante da Côte de Beaune, ambos da Borgonha, refletem terroir. Mas se você abre um vinho e sente apenas aromas e sabores de terra ou pedra, isso definitivamente não é terroir. Segundo explica o livro As Novas Regras do Vinho de  Jon Bonné, no máximo são aromas e sabores típicos de solo fresco (ou nem tanto).

Por: Marcos Adair

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