O que é um “vinho de combate”?

4 de fevereiro de 2020 por Elmano Marques

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COMBATE

Segundo o autor H. G. Winter, pesquisas indicam que pelo menos metade dos consumidores não diferencia vinhos caros de comuns ao prová-los. Assim como acontece com a comida, vinho é mais uma questão de gosto, não de preço. E, quando estamos começando a gostar de vinhos, é preciso atentar para o fato de que a melhor maneira de aprender sobre o vasto mundo dessa bebida é degustando. Então, não adianta começar a investir grandes somas de dinheiro comprando vinhos caros, achando que começou com o pé direito. O ideal é ir subindo aos poucos, começando com vinhos mais baratos, a medida em que, naturalmente, a necessidade de provar outras uvas, países e cortes vai surgindo e a nossa base de referências e exigência vão aumentando. Então, o que é um “vinho de combate”? Essa curiosa expressão é mencionada pelo escritor João Paulo Martins em seu livro “O Prazer do Vinho do Porto” e é muito usual nos sites dos produtores de vinho português. O crítico de vinhos brasileiro Jorge Lucki também já usou essa expressão em artigo do jornal Valor Econômico, quando comentava a respeito de um vinho espanhol barato e campeão de vendas no Brasil. “Vinho de combate” faz referência aos chamados “vinhos de entrada” de uma vinícola. São vinhos baratos e básicos, feitos de forma simples, que podem inclusive ser facilmente encontrados em supermercados e que normalmente valem o que custam. Muitos inclusive são excelentes vinhos. Mas é claro que nem tudo são flores. Jancis Robinson, no livro “Expert em Vinhos em 24 Horas”, lembra que as garrafas com melhor relação preço qualidade (ou “vinho de combate”) geralmente estão na faixa aproximada de preço entre 45 e 130 reais. Acima disso, pode-se estar pagando por uma grife, por especulação ou caprichos do mercado. Abaixo disso, a probabilidade é de que o vinho seja de péssima qualidade, já que, em geral, retirados os custos fixos de produção, transporte, armazenagem e altos impostos, o líquido na garrafa (que é o que ingerimos) não vale quase nada. Entrar no mundo do vinho provando inicialmente os “vinhos de combate” é o modo correto (e menos oneroso) de começar a adaptar o nariz e o paladar à bebida. Por sua vez, devido ao seu caráter descomplicado e seu preço baixo, é o vinho ideal para ser tomado no dia a dia.

Por: Marcos Adair

 

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