O Alentejo e suas uvas: as castas brancas

12 de fevereiro de 2020 por Elmano Marques

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AS BRANCAS DEF

Sem dúvida, a alma dos melhores vinhos brancos do Alentejo está na uva Antão Vaz. Ela é tão única que é uma das poucas uvas para as quais não se encontra sinônimos. Origina-se na Vidigueira, parte sul do Alentejo, e até bem pouco tempo atrás estava restrita apenas àquela área, até que seu potencial passou a causar interesse. É consistente e produtiva, resistente à seca e a doenças e é ideal para o cultivo em locais de clima quente como o Alentejo. Possui aromas de frutas tropicais maduras, maçã verde, pera verde, casca de tangerina, mel e pedra molhada. Assemelha-se muito à Chardonnay, já que também faz vinhos estruturados, encorpados e persistentes, podendo passar por estágio em madeira. Normalmente aparece como a protagonista em blends, complementada com porcentagens menores das uvas Roupeiro e Arinto, que também são nativas de Portugal. Roupeiro (chamada também de Síria ou Códega) é a uva branca mais plantada no Alentejo, além de ser cultivada em Trás-os-Montes, Douro, Beiras e Algarve. Possui aromas de limão, tangerina, maçã verde e pera verde. Possui uma excelente acidez, que complementa as qualidades da Antão Vaz nos cortes dos alentejanos brancos. A Arinto (também chamada Pedernã) é outra uva branca que se destaca pela sua grande acidez, originária das regiões de Vinho Verde, Bairrada e Tejo. É muito vigorosa, mas de baixa produtividade e aromas muito discretos de frutas cítricas (casca de limão, tangerina) e frutas de caroço brancas (maracujá, pêssego e damasco). Há quem diga que a acidez marcante dos vinhos do Tejo e Alentejo é aportada por essa uva de caráter mineral e toque aveludado.

Por: Marcos Adair

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