Arquivos da categoria ‘Enonotas’

Últimas garrafas do Cheval Blanc 1947

25 de janeiro de 2020

A CHEVAL DEF

Existem dois estilos genuinamente clássicos de grandes safras de vinhos de Bordeaux: o estilo de 1945, 1961, 1995, 1996 e 2005 (vinhos intensos, tânicos e concentrados, que envelhecem tremendamente bem) e o estilo de 1947, 1959, 1964 e 1982 (vinhos maduros, ricos e sedosos, que também foram feitos para viver muitas décadas). Segundo o site de pesquisa de vinhos Wine-Searcher, a reputação da safra de Bordeaux de 1947 foi consolidada principalmente pelos vinhos da margem direita, particularmente Pomerol. Tanto que um dos melhores bordaleses dos últimos 170 anos é o Château Lafleur 1947 do Pomerol. Outro excepcional vinho bordalês de 1947 é o Cheval Blanc de Saint-Emilion. Em 2007, o Cheval Blanc 1947 foi descrito por Robert Parker como “o vinho do século XX” e recebeu 100 pontos perfeitos. Vários outros críticos e comentaristas de vinhos também fizeram comentários efusivos a esse rótulo e lhe deram nota máxima. Pois bem, esse vinho custa em média, hoje, pouco mais de dez mil dólares, o que é considerado barato pelo Wine-Searcher. No geral, existem apenas 37 ofertas atuais desse vinho no mundo, sendo as últimas chances dos colecionadores adquirirem essa rara e admirada garrafa. Ainda mais raro é o Lafleur, que, por ter uma produção bem mais baixa, só possui sete ofertas da safra 1947 em todo o mundo. O curioso é que a margem direita de Bordeaux (Saint-Emilion e Pomerol) é mais conhecida como a região da Merlot, mas esses dois vinhos devem a sua longevidade à Cabernet Franc – sempre tiveram uma alta proporção dessa uva em seu blend.

Por: Marcos Adair

Pós-Parker: vinho na “era da redescoberta” (1)

25 de janeiro de 2020

A PARKER

Entre colecionadores de vinhos e amadores, sommeliers e gerentes de bebidas, proprietários de vinícolas e vendedores de vinhos, não há dúvida de que o recém-aposentado Robert Parker Jr. é uma sumidade quando se trata de críticas a vinhos. Sua presença poderia “sugar” o ar de qualquer adega. Segundo o escritor Roger Morris, em artigo publicado no The Drinks Business, os amantes de vinho nascidos depois de 1985 perderam a cena florescente de vinhos finos nos anos 1990, época em que Parker era dominante e quando uma pontuação de Parker nos anos 1990 podia significar sucesso financeiro instantâneo para uma vinícola. Naquela época, o consultor francês Michel Rolland era visto como o “sussurro” de Parker, a única pessoa que entendia o gosto do crítico e, portanto, podia convencer as vinícolas que ele consultava para obter ótimas pontuações. No entanto, quando Parker anunciou em maio de 2019 que havia escrito sua última crítica, ele estava saindo com um estrondo ou um gemido? É uma pergunta que vale a pena ponderar – na verdade, uma pergunta que levanta uma série de perguntas e observações. Entre elas: toda uma geração de críticos proeminentes do vinho na América e na Europa está desaparecendo? “A questão não é apenas Parker, mas minha geração de críticos, todos concordando mais ou menos com o que produz um ótimo vinho – extrato, álcool, carvalho, etc.”, diz Steve Heimoff, ele próprio um crítico de vinhos aposentado da Wine Enthusiast. Ele explica que essas pessoas estão se aposentando ou morrendo. Será que eles levarão seus gostos com eles? De fato, futuros historiadores da indústria do vinho podem acabar chamando o período entre 1980 e 2010 como aquele que representa “a ascensão e queda do crítico de vinhos”.

Por: Marcos Adair

 

Elite da China mostra preferência por vinho em vez do baijiu (famoso licor chinês)

23 de janeiro de 2020

A CHINA DOIS

De acordo com a mais recente pesquisa de consumo de luxo da Hurun Chinese 2020, o consumo de álcool entre pessoas de alto patrimônio líquido (HNWI) na China cresceu 13%, com 88% deles desfrutando de várias formas de bebida e com uma preferência crescente por vinho. Segundo a escritora Alice Liang, em matéria publicada na The Drinks Business. a pesquisa entrevistou 483 HNWIs na China e o valor médio total dos ativos líquidos era de 46 milhões de RMB (a moeda oficial da República Popular da China), com 51 deles detendo mais de 1 bilhão de RMB em ativos. Os entrevistados tinham, em média, 36 anos de idade, com uma composição de gênero de 55% masculino e 45% feminino. É interessante notar que, ao considerar um presente para homens, o vinho substituíra o baijiu (sofisticado e famoso licor chinês) como a terceira categoria mais favorita, depois de aparelhos eletrônicos e relógios. Apesar do declínio em relação a 2018, o vinho ainda é a categoria mais procurada (39%) para o grupo HNWI. O produto é mais popular entre mulheres do que homens. O gasto médio em uma garrafa de vinho foi de 850 RMB, enquanto para o ultra HNWI, eles estão dispostos a gastar 937 RMB em média. Baijiu é sua segunda bebida favorita, no entanto, houve uma queda de 12% em relação ao ano passado. O gasto médio no produto é de 1.200 RMB. Os homens ainda são os bebedores predominantes do baijiu. Em termos de canais de compra, 75% dos entrevistados ainda preferem canais off-line. Boutiques independentes de várias marcas de baijiu são o canal mais confiável e é onde 60% dos HNWIs adquirem seus baijius. O Whisky também viu um aumento na popularidade, com 22% dos entrevistados afirmando gostar dele. O crescimento da preferência é bastante proeminente para o grupo ultra HNWI. Enquanto isso, a popularidade deste ano caiu de uma taxa de preferência de 21% em 2019 para 15% neste relatório.

 Por: Marcos Adair

 

EUA e França acordam trégua tarifária por um ano

22 de janeiro de 2020

A MACRON DEF

Depois que o governo dos EUA ameaçou tarifas de até 100% em produtos franceses no valor de US $ 2,4 bilhões, incluindo vinho, o presidente americano Donald Trump e o presidente francês Emmanuel Macron concordaram em uma trégua por um ano.
Em dezembro de 2019, o governo dos EUA propôs tarifas adicionais de até 100% em produtos franceses, incluindo vinho, queijo e bolsas em retaliação ao imposto sobre serviços digitais da França. Apelidado de GAFA (acrônimo de ‘Google, Apple, Facebook e Amazon’), o imposto digital da França imporia uma taxa de 3% sobre a receita anual total das maiores empresas globais de tecnologia que prestam serviços a consumidores franceses.
A disputa já vinha se formando há alguns meses. Em julho de 2019, o presidente Trump prometeu anunciar “ação recíproca substancial” ao que chamou de “tolice do [presidente] Macron”. No entanto, no mês seguinte, foi alcançado um acordo para suspender a discussão. Mais tarde foi reavivado em dezembro.
Em um tweet publicado em 20 de janeiro, o presidente Macron escreveu que ele teve uma “grande discussão” com o presidente Trump e que os dois países “trabalhariam juntos em um bom acordo para evitar a escalada de tarifas”. O presidente Trump postou a palavra “excelente” em resposta ao tweet.

Fonte: Drink Business

Já provou um vinho Vacqueyras?

22 de janeiro de 2020

A VAQUERAYS

A região do Rhône sempre foi uma das mais famosas pela qualidade de seus vinhos. Entre todas as denominações, Châteauneuf-du-Pape é uma das mais prestigiadas, com toda a sua história, castelos e vinhos valorizados. Mas há uma área ali vizinha que quase ninguém conhece: Vacqueyras, o “quintal de Châteauneuf”. Segundo o site Sonoma, esse título não deve ser entendido de modo pejorativo, e sim geográfico. Vacqueyras fica praticamente encostada a Châteauneuf-du-Pape, um pouquinho para a direita, se tomar como referência o rio Rhône. Menor do que Châteauneuf, Vacqueyras vem ganhando fama por produzir vinhos de qualidade equivalente à sua vizinha, só que com preços mais acessíveis, porque não possui tanta fama. Antigamente, Vacqueyras fazia parte da chamada Côtes-du-Rhône Villages, com sua outra vizinha, Gigondas. Mas, na década de 1990, passou a ser uma AOC. Possui um solo de aluvião (nome dado a um terreno formado por sedimentos trazidos de outros locais pelos ventos, enxurradas ou rios). No caso de Vacqueyras e de toda a região ao longo do Rhône (inluindo Châteauneuf), esses sedimentos vieram das encostas do Rhône. Os vinhos de Vacqueyras são predominantemente da uva Grenache, mas também fazem o famoso corte GSM (Grenache, Syrah e Mourvèdre). A Cinsault, outra uva local com grande desenvolvimento, apresenta-se em alguns cortes. Dessas misturas, saem vinhos potentes, carnudos, que enchem a boca e se fazem presentes, sem serem pesados. É o que se chama de vinho texturizado. Dependendo do produtor, os vinhos de Vacqueyras possuem qualidade que supera Chateauneuf du Pape.

Por: Marcos Adair

Vinho filtrado x não filtrado: qual o melhor? (2)

21 de janeiro de 2020

A FILTRAGEM DEF

Após o término da fermentação, leveduras e sedimentos ficam flutuando no vinho. Para limpar o vinho, são feitas duas filtrações, (1) uma para peneirar o fermento e clarear o vinho e (2) outra para remover qualquer bactéria antes de engarrafar. O vinho não filtrado pula essas etapas. O líquido simplesmente descansa um tempo. As partículas de leveduras vão precipitar para o fundo do tanque e o vinho limpo é retirado das borras. Esse processo é chamado de trasfega e o vinho fica praticamente tão claro quanto se fosse filtrado. Comumente, os vinhos que não passam por filtração são os tintos de pequena produção, brancos envelhecidos em carvalho, vinhos secos e vinhos com uma segunda fermentação malolática concluída. As partículas pequenas deixadas no vinho não filtrado melhoram seu sabor? Muito pouco. E vinho não filtrado é um negócio arriscado, principalmente por causa da ausência da segunda fermentação que elimina bactérias. Como o vinho acabado não é um meio estável (está em constante mudança), qualquer bactéria remanescente pode estragar o vinho ou deixar com vários defeitos. Daí, muitos enólogos, para não filtrar e não correr risco de estragar o vinho, usam fermentação malolática (que infelizmente faz o vinho perder sabor e frescor de frutas) ou uma dosagem mais alta de sulfito (SO2). Logo, dizer que vinho não filtrado é mais “natural” nem sempre é verdade. Ambas as técnicas são aceitas e há quem goste dos dois estilos.

 Por: Marcos Adair

Principais previsões de vinhos para 2020 (7)

21 de janeiro de 2020

AS PREVISÕES

A batalha comercial travada entre os EUA e a União Europeia faz o ano de 2020 ser uma grande chance para valorização de vinhos do Novo Mundo. Embora ele tenha sido impugnado pela Câmara dos Deputados, há pouca chance de o presidente Trump sofrer um impeachment pelo Senado controlado pelos republicanos. Portanto, qualquer esperança que possa ter sido desencadeada de que uma queda de Trump levaria ao fim das tarifas contra vinhos europeus possui pouca chance de se tornar realidade. Mesmo que a ameaçadora tarifa de 100% nos vinhos da União Europeia não seja aprovada, as tarifas de 25% ainda permanecem. Como resultado, a Itália pode ou não estar em uma posição melhor do que suas contrapartes europeias, mas os verdadeiros beneficiários no mercado dos EUA podem ser todos os vinhos não europeus – os vinhos do Novo Mundo. É claro que os compradores norte-americanos podem, em primeiro lugar, optar por “comprar americanos”, o que pode estimular os colecionadores de vinhos finos a todos os tipos de vinhos californianos e outros. Mas, levando em conta que se trata do principal mercado de vinhos do mundo, caso o consumidor americano esteja aberto a comprar sul-americanos, por exemplo, isso pode significar um elevado aumento da demanda por nomes tais como Almaviva, Clos Apalta, Seña, Catena Zapata, Cheval des Andes e assim por diante. Considerando que o preço de um vinho é fixado principalmente pela relação entre oferta e procura, alguns desses rótulos poderão alcançar valores proibitivos em um futuro próximo, se mantida a guerra comercial entre EUA e União Europeia.

 Por: Marcos Adair

Château Miraval, de Brad Pitt e Angelina Jolie, fecham parceria para criar a única casa de Champanhe que só faz rosé

21 de janeiro de 2020

A BRADD DEF

Apesar do divórcio do casal, ocorrido já há alguns anos, Brad Pitt e Angelina Jolie decidiram permanecer administrando em conjunto o Château Miraval, na Provence. E o negócio não para de crescer. Em janeiro do ano passado, o Miraval anunciou o lançamento de um novo rótulo chamado “Studio by Miraval”, cujo nome foi inspirado no ex-dono do castelo, o músico de jazz Jacques Loussier. Em 2019, também criaram o “Miraval Muse”, disponível apenas em magnum, numa produção limitada a apenas duas mil garrafas, e que é considerado o rosé mais caro da atualidade (ver matéria do blog “Miraval Muse de Brad Pitt e Angelina Jolie: o rosé mais caro do mundo”, publicada em 21 de junho de 2019). Há alguns anos atrás, a propriedade tinha lançado um azeite extra-virgem orgânico. Agora em janeiro de 2020, o Château Miraval anunciou uma parceria com o Champagne Pierre Péters para lançar um outro vinho rosé e criar a “única casa de Champanhe que só faz rosé”. A informação foi repassada à revista Wine Spectator por Marc Perrin, enólogo da quinta geração do famoso Château de Beaucastel, que é também enólogo da Miraval há sete anos. Embora afirme que a maioria dos detalhes ainda é confidencial, Perrin disse que o champanhe rosé será chamado de Miraval e, com uma casa que produzirá apenas champanhe rosé, tentarão levar a qualidade desse tipo de vinho o mais longe possível em Champagne.

 Por: Marcos Adair

Symington, doa um milhão de euros para cultura, educação e associações do Douro e Alto Alentejo

20 de janeiro de 2020

A DOURO

Um milhão de euros para apoiar projetos destinados ao bem-estar público, conservação e proteção do meio ambiente, conservação do patrimônio cultural e educação nas duas áreas vinícolas mais representativas de Portugal, as do Douro e do Alto Alentejo: é a doação anual do “The Symington Impact Fund”, o fundo do selo Douro Symington Family Estates que fortalece seu vínculo com o território, onde há anos apoia associações locais, desde a assistência médica voluntária do Douro até a entidade filantrópica Bagos d’Ouro, bem como uma associação para a proteção e conservação do meio ambiente.
Um bom exemplo de integração entre empresas e sociedade, que ilustra bem o papel que as grandes empresas de vinho têm, ou deveriam ter, nos territórios em que operam e com as quais sua fortuna está ligada (e vice-versa), porque em um mundo em que as empresas fecham suas portas para reabrir onde a força de trabalho e os impostos pesam menos, o vinho e seu ciclo de produção e, portanto, seu valor agregado, estão intima e intrinsecamente ligados ao território, ao qual se torna um dever apoiar. “Buscamos sempre gerenciar os negócios familiares, com o propósito de criar benefícios para as pessoas, sejam eles nossos funcionários ou a comunidade em geral. Também estamos comprometidos em proteger os belos ambientes naturais nos quais produzimos nossos vinhos e constantemente reinvestimos na região do Douro, apoiando associações e voluntariado “, explica Rupert Symington, CEO da Symington Family Estates. “O Symington Impact Fund é uma maneira de formalizar esse compromisso e garantir nosso apoio a projetos que estão mais alinhados com nossos valores e nos quais podemos ter o máximo impacto positivo”.

Martín Códax Lías é o Melhor Vinho da Espanha 2019, segundo a Associação Espanhola de Jornalistas e Escritores de Vinho (AEPEV)

20 de janeiro de 2020

LIAS DEF

Martín Códax Lías, de Bodegas Martín Códax, um branco de albariño  foi escolhido como o melhor vinho da Espanha, tendo sido o vinho mais votado entre as 1.118 marcas propostas pela Associação Espanhola de Jornalistas e Escritores de Vinhos (AEPEV) em seu concurso Os Melhores Vinhos e Destilados de Espanha 2019.