Arquivos da categoria ‘Enonotas’

Importação de vinho na China cai mais de 30%

9 de julho de 2020

A CHINA

De acordo com dados divulgados pela Associação Chinesa de Importação e Exportação de Álcool (CAWS), de janeiro a maio de 2020, o mercado de álcool importado continuou sendo pressionado e seu declínio foi acelerado pela pandemia. Segundo o site The Drinks Business, o volume total de bebidas alcoólicas importadas pela China foi de 480 milhões de litros, uma queda de 29,07% em relação ao ano de 2019. O declínio acumulado no volume foi cerca de 2% superior ao registrado de janeiro a abril. Enquanto isso, o valor total das importações de álcool foi de US $ 1,34 bilhão, uma queda de 31,4% em relação a 2019, e o declínio acumulado no valor aumentou quase 4% de janeiro a abril. Entre as principais categorias, o volume e o valor do vinho importado caem mais de 30%; o volume e o valor da cerveja importada caíram mais de 20% e o volume de bebidas espirituosas caiu mais de 40% ano a ano, mas a queda no volume de importações permaneceu relativamente pequena em 6%. O volume total de vinho importado nos primeiros cinco meses do ano foi de 180 milhões de litros, no valor de US $ 690 milhões. O volume acumulado diminuiu mais de 30%, representando 51,1% da quantidade total de álcool importado. O vinho engarrafado representa 94,2% do total de importações de vinho, enquanto o vinho a granel possui uma participação de 5,8%. De janeiro a maio, apenas a Argentina mostrou um aumento contínuo em volume e valor de importação. Os outros principais países dos quais a China importa vinho apresentaram uma tendência de queda. O volume e o valor do vinho australiano caíram de 2% a 4% de janeiro a abril, mas o país permaneceu no topo do gráfico de importação, com 37,6% do total de vinhos importados. A participação de mercado da França também ficou estável durante o período e o país permanece 12% abaixo da Austrália. O Chile sofreu uma queda no volume acumulado e no valor acima de 40%, mas continuou sendo o terceiro maior mercado de exportação. A quarta e quinta maiores quotas de mercado de janeiro a maio deste ano foram vinhos da Itália e da Espanha. A tendência de expansão da Argentina se deve principalmente ao recente crescimento exponencial do vinho a granel. A Nova Zelândia registrou um declínio acumulado de 20% no volume e no valor de janeiro a abril, mas seu ranking de participação de mercado subiu do 11º para o 9º lugar.

Por: Marcos Adair

Os 10 Rieslings mais caros da atualidade

8 de julho de 2020

EGON UM

Apesar do baixo desempenho da uva Riesling no que diz respeito à pouca quantidade de garrafas vendidas no mercado, ela tem uma teimosia curiosa em relação ao preço. Segundo explica o site Wine-Searcher, se palavras amáveis fossem traduzidas em dinheiro, pouquíssimas pessoas seriam capazes de pagar por uma garrafa de Riesling. A popularidade dessa variedade de uva existe quase que apenas entre escritores especializados, enólogos e um pequeno círculo de amantes de vinho, o que significa que ela tende a obter muito mais cobertura do que as vendas podem justificar. O seu problema é que as críticas elogiosas dos especialistas não tendem a fluir para as vendas. O maior elogio que se pode fazer à Riesling está ligado ao quão amplamente é plantada no mundo. É possível beber excelentes rótulos de lugares tão distantes da Alemanha (a terra natal dela) como Nova Zelândia, Austrália, Canadá e Washington. E, se você perguntar a qualquer produtor de vinhos a sua uva favorita para trabalhar e beber, você provavelmente receberá Riesling como resposta. No entanto, dada a obstinada resistência do consumidor à Riesling, ela permanece admiravelmente acessível, na maior parte do tempo. Exceto na Alemanha, é claro, onde os melhores vinhos realmente não se enquadram na categoria de “barganha”. Segue abaixo a lista dos 10 Riesling mais caros da atualidade, com seu preço médio em dólares americanos (sem impostos):

01 – Egon Müller Scharzhofberger Riesling Trockenbeerenauslese, Mosel – 95 – $14170

02 – JJ Prüm Wehlener Sonnenuhr Riesling Trockenbeerenauslese, Mosel – 95 – $5119

03 – Markus Molitor Wehlener Sonnenuhr Riesling Trockenbeerenauslese, Mosel – N/A – $4848

04 – JJ Prüm Graacher Himmelreich Riesling Trockenbeerenauslese, Mosel – 93 – $4252

05 – Egon Müller Scharzhofberger Riesling Beerenauslese, Mosel – 92 – $4259

06 – Markus Molitor Zeltinger Sonnenuhr Riesling Trockenbeerenauslese, Mosel – 93 – $4026

07 – Graf von Schönborn-Schloss Schönborn Erbacher Marcobrunn Riesling Trockenbeerenauslese, Rheingau – 94 – $2791

08 – Staatsweingut Kloster Eberbach Erbacher Steinberger Riesling Trockenbeerenauslese, Rheingau – 93 – $2581

09 – Egon Müller Scharzhofberger Riesling Eiswein, Mosel – 91 – $2395

10 – Schloss Reinhartshausen Erbacher Markobrunn Riesling Trockenbeerenauslese, Rheingau – 91 – $2314

Por: Marcos Adair

Beaujolais branco entrando em destaque

8 de julho de 2020

A BLANC DEF

A região de Beaujolais sempre foi conhecida por seus vinhos tintos brilhantes, baratos e fáceis de beber. A uva Gamay é muito bem aceita em restaurantes de todo o mundo e possui muita agradabilidade e versatilidade à mesa, lembra o site Wine-Searcher. Mas a produção de Beaujolais vai muito além da Gamay. Seus Chardonnays são uma opção séria a ser considerada, embora o Beaujolais Blanc permaneça ainda um mistério para os consumidores. Apesar da falta de renome, vários produtores de Beaujolais cultivam pequenas quantidades de Chardonnay há décadas, e em alguns casos há séculos. Hoje, essas garrafas de joias escondidas começam a conquistar um pequeno número de seguidores entre os profissionais do setor. Os solos de calcário e argila do sul da região são muito adequados para o cultivo de Chardonnay e é possível produzir grandes brancos ali.  Quando vinificados com longa fermentação, a baixas temperaturas, desenvolvem muito peso e complexidade de aromas. Tanto que há produtores de Gamay que estão substituindo aos poucos os lotes de uvas tintas por Chardonnay. O vinho é bem aceito em países como Canadá, Alemanha, EUA, Noruega, Marrocos, Taiwan, Austrália e Dinamarca.

Por: Marcos Adair

Bordeaux, os preços continuam a cair, mas a popularidade parece inatacável

7 de julho de 2020

EGLISE DE CAZAUGITAT, VIGNOBLE DE L'ENTRE DEUX MERS, VIGNOBLE DE BORDEAUX, FRANCE Eglise romane et vignoble Cazaugitat - 33 - Gironde [pas d'autorisation nécessaire]

O Relatóio Anual da Wine Lister revela que emerge, surpreendentemente, uma clara desconexão entre a popularidade de Bordeaux e seus Chateaux mais prestigiados e a tendência dos preços. De maio de 2014 a hoje, de fato, os vinhos de Bordeaux apresentaram o menor índice de crescimento, no mercado de vinhos finos, entre todos os principais regiões analisadas, com uma queda de -5% de maio de 2019 a maio de 2020, enquanto os rótulos do Piemonte provaram ser de longe o melhor desempenho, seguidos pelos da Borgonha – unidos por uma grande atenção da mídia e pela raridade das garrafas mais importantes – enquanto a Califórnia e a Toscana estão mais atrás, mas, de qualquer forma, elas também, em frente a Bordeaux.
No entanto, na imaginação de enófilos de todo o mundo permanece de longe a região vinícola mais popular. Para provar isso, como ainda pode ser lido no relatório, as pesquisas no “Wine Searcher”, o maior banco de dados de vinhos do mundo, com 400.000 rótulos, que rastreiam mais de um milhão de pesquisas por dia, o que em termos de popularidade (calculado em número de pesquisa), revela que os vinhos d0 Gironde permaneçam amplamente na liderança. Apenas entre os dez primeiros, seis são as marcas de Bordeaux (Château Mouton Rothschild, Château Lafite Rothschild, Château Margaux, Château Latour, Pétrus, Château Haut-Brion e Château Pontet-Canet) entre as mais procuradas. Atrás, os vinhos da Borgonha, Toscana, Califórnia e Piemonte. As dificuldades nos mercados e a desaceleração dos preços, portanto, não parecem ter afetado a reputação de Bordeaux.

 

Rio de Janeiro e São Paulo começam a reabertura de restaurantes e bares

6 de julho de 2020

RIO DEF

A prefeitura de São Paulo confirmou que os bares e restaurantes (além de salões de beleza) poderão enfim começarem a reabrir a partir da próxima segunda-feira dia 6 de julho, desde que sigam os protocolos de segurança. Conforme matéria publicada pelo site G1, a quarentena no Estado de São Paulo segue normalmente até dia 14 de julho, no mínimo, mas a capital alcançou a chamada “fase amarela” (menos de 60% de ocupação dos leitos de UTI específicas para Covid, já que está com 55%). Restaurantes e bares estão autorizados a reabrir, mas os estabelecimentos poderão funcionar com apenas 40% da capacidade, por seis horas diárias, no máximo até às 17 horas – ou seja, não haverá, por enquanto, abertura para jantar. As regras de funcionamento também exigem ambientes ventilados, uso obrigatório de máscaras e adoção de protocolos geral e específico para o setor. O Rio de Janeiro já autorizou a reabertura de restaurantes e bares neste dia 2 de julho, mas infelizmente a liberação causou grandes aglomerações na zona sul carioca, com estabelecimentos lotados e ultrapassando o horário de funcionamento autorizado. As imagens mostram clientes acumulados em calçadas, sem respeitar o distanciamento social e muitos sem uso de máscara. Em vídeos, frequentadores chegaram a debochar da pandemia.

Por: Marcos Adair

 

A venda antecipada de vinho (“en primeur”) e o Covid-19

5 de julho de 2020

A PREMIER DEF

A pandemia causada pelo Covid-19 tem provocado grandes mudanças no tradicional mundo do vinho esse ano. Uma das principais está ligada à venda antecipada de vinhos. O que é a venda antecipada (“en primeur”)? Em termos simples, mal o vinho é produzido (sem clarificação e sem o tempo devido de estágio em barris de carvalho), o comprador interessado já pode obtê-lo, mas só terá posse das garrafas dali a algum tempo, geralmente um ou dois anos – para mais informações, veja a matéria publicada pelo blog em 11 de agosto de 2019: “Já ouviu falar em venda de vinho “en primeur”?”. Essa venda só ocorre em vinhos de muito prestígio mundial, segundo explica Jorge Lucki. Alguns domaines da Borgonha fazem essa venda, Supertoscanos também, alguns produtores da Califórnia, mas a grande região vinícola que é símbolo da venda “em primeur” é Bordeaux. Não são todos os châteaux, mas principalmente os grand crus. Uma associação que reúne os donos desses grand crus prepara toda uma campanha para que esse sistema possa dar resultado. No início de abril eles começam a convidar toda a crítica especializada e os grandes negociantes para o evento que ocorre na primeira semana de junho. As notas dos críticos são aguardadas com ansiedade e, dependendo dessa avaliação (se a safra foi ruim, boa ou excelente), os preços são fixados e começa a campanha de comercialização. O que houve de atípico esse ano é que os críticos não puderam ir a Bordeaux. Esse evento não foi realizado em função do Covid e os vinhos ficariam com a venda antecipada comprometida. O que fizeram os produtores? Eles expediram os vinhos para cada crítico em particular, em todo o mundo, para eles degustarem em sua própria casa. Foi uma complexa e cuidadosa operação. Afinal, o risco de amostras instáveis de barris serem provadas a quilômetros de seus châteaux poderia comprometer a análise justa do vinho. A escolha de quais críticos deveriam receber também foi motivo de discussão, conforme explica matéria do site The World of Fine Wine. Qual será o resultado? A mídia especializada tem acompanhado tudo e está atenta para os resultados dessa incomum venda “em primeur” de 2020.

Por:Marcos Adair

Em leilão, garrafa de Penfolds de 1951 é vendido por mais de £ 57.000

5 de julho de 2020

A GRANGE DEFUm comprador de Melbourne comprou a rara garrafa de Penfolds, a primeira vindima de Grange Hermitage da propriedade e fabricada por seu enólogo-chefe original Max Schubert. O preço de venda ultrapassou o preço recorde anterior da safra inaugural. Uma garrafa do Grange de 1951 foi vendida anteriormente em dezembro de 2019 por US $ 81.550.
Comentando sobre a venda, o gerente geral de Langton, Jeremy Parham, disse: “A demanda por vinhos finos é mais forte do que jamais foi julgada por esses dois leilões, pois os colecionadores de vinhos finos buscam aprimorar suas coleções de adegas.
“Acho que amamos Penfolds, porque é uma história australiana, é a história de azarão definida. Max Schubert foi o primeiro enólogo-chefe de Penfolds, que começou a fazer o Grange como um experimento. Na época, os enólogos australianos produziam principalmente vinhos fortificados.
“Ele acreditava em sua convicção e continuava fazendo Grange, apesar de ter sido instruído a parar de fazê-lo por seus supervisores. Ele era um rebelde, e o mundo do vinho pode ser eternamente grato por sua recusa em fazer o que lhe disseram ”
Tamara Grischy, chefe de leilões de Langton, acrescentou: “Os vinhos Penfolds Grange do início dos anos 50 são muito raros, então os colecionadores os compram quando podem para completar seus conjuntos de todas as safras desses vinhos incríveis. O Penfolds Grange de 1951 representa verdadeiramente o início do vinho australiano moderno.

Lançada a garrafa de vinho em papel

3 de julho de 2020

FRUGAL DEF

Uma garrafa de vinho feita de papelão reciclado foi lançada pela empresa Frugalpac no Reino Unido. Segundo a revista inglesa Decanter, a garrafa de papel para vinho, conhecida como “frugal bottle”, foi lançada como uma alternativa mais leve e ambientalmente amigável se comparada ao vidro. Pesando apenas 83 gramas, a Frugalpac disse que sua garrafa é cinco vezes mais leve que uma garrafa de vinho de vidro comum e que os principais supermercados do Reino Unido estão considerando ativamente a ideia de utilizá-la. A empresa acrescentou que a liberação de carbono geral é até seis vezes menor que as garrafas de vidro, com base em análises do grupo Intertek. A estreia da garrafa é a mais recente de uma série de iniciativas projetadas para reduzir o impacto da indústria do vinho no meio ambiente, de garrafas de plástico recicladas a copos de menor peso e envio de mais vinhos a granel. Mas como uma garrafa de vinho de papel funciona? Ela é feita de papelão reciclado 94%, com um revestimento plástico de qualidade alimentar para conter o vinho ou bebidas espirituosas (destilados), com conceito semelhante ao de uma sacola na caixa. Embora exista algum plástico envolvido, a empresa disse que sua “frugal bottle” usa até 77% menos do que uma garrafa de plástico e que o revestimento de plástico é reciclável. Em termos de reciclagem, a garrafa inteira pode ser colocada na lixeira ou você pode separar em duas partes. O primeiro vinho lançado com a “frugal bottle” é o Cantina Goccia safra 2017, uma mistura Sangiovese, Merlot e Cabernet Sauvignon. Safras anteriores desse vinho chegaram a ganhar medalhas no Decanter World Wine Awards.

Por: Marcos Adair

Cocktails de vinho em embalagens elegantes e práticas

3 de julho de 2020

FROSE

No verão europeu, o que vai estar em alta será uma mistura para saborear coquetéis de frosé ou frosecco. A Martini & Rossi lançou uma linha de coquetéis congelados premium em forma de bolsa. Ambas as bebidas são feitas com vinho italiano e sabores de frutas naturais.Mais especificamente, a versão frosé é feita com vinho rosé premium, enquanto a versão frosecco é feita com Prosecco. Para apreciar as bebidas, basta tirá-las para fora do freezer, colocar um canudo  e está pronto para ser degustado na piscina.

Que vinhos decantar?

2 de julho de 2020

A DECANTER

Se o vinho for muito jovem pode decantá-lo sem grandes problemas, de forma afirmativa. Se o vinho for muito velho… todo o cuidado é pouco. Para decantar fazer escorrer lentamente o vinho pelas paredes do decanter, inclinando-o 30º, num processo sempre muito suave. Com isso se preserva a estrutura que o vinho ainda terá e o repentino contacto com o oxigênio será menos brusco. Afinal, esse vinho esteve fechado durante vários anos na garrafa. Ainda no caso dos vinhos velhos ou mesmo em vinhos não filtrados, como alguns Porto LBV, convém que essa decantação seja prudente para evitar que os sedimentos acumulados na garrafa não passem para o decanter. Pode, para ajudar, usar também um filtro ou um coador no topo do decanter.
Decantar vinhos não é exclusividade de tintos. Sim, se pode e deve decantar vinhos brancos com alguma estrutura e longevidade. Lembrar-se: nada no processo de decantação é arte ou magia. É simplesmente uma questão de prática e bom-senso.

Fonte: José João Santos / Revista de Vinhos