Arquivos da categoria ‘Enonotas’

Don Melchor é lançado como vinícola independente

16 de setembro de 2019

A CONCHA DEF

Agora em 2019, quando se comemoram 30 anos desse famoso vinho chileno, segundo o site Wine Business, a Concha y Toro anunciou o lançamento do Don Melchor como vinícola independente, destacada do portifólio da CyT. Don Melchor foi criado em 1987 pela família Guilisasti de Concha y Toro e recebeu o nome de seu antepassado na indústria vinícola chilena. Criado a partir do Produzido a partir de uvas do renomado Vinhedo Puente Alto, no alto vale de Maipo (de onde também surgem o Almaviva, o Silêncio da Cono Sur e o Viñedo Chadwick), Don Melchor foi o primeiro vinho ícone a mostrar o profundo potencial de qualidade do Chile e obteve aprovação mundial da Cabernet Sauvignon chilena como vinho de colecionador. Note-se que desde a safra 2010 que o nome da Viña Concha y Toro já havia sido retirado junto com uma faixa preta da parte inferior do rótulo desse vinho. A partir da safra 2017, lançada esse ano, o objetivo é que “seja uma vinícola produzindo um único vinho que seja a expressão máxima do terroir de Puente Alto”, conforme explica seu enólogo há mais de 20 anos, Enrique Tirado. A meta para o futuro se baseará nos três pilares fundamentais que diferenciam Don Melchor: sua impecável herança e história; seu terroir único; e uma profunda compreensão e domínio da vinificação que define o vinho. O Don Melchor 2017 é 98% Cabernet Sauvignon e 2% Cabernet Franc, e passou 15 meses em barricas de carvalho francês (67% no primeiro uso e 33% no segundo uso).

Por: Marcos Adair

Mudanças climáticas podem reduzir a capacidade do solo de absorver água e ameaçar a produção de alimentos

16 de setembro de 2019

A MUDANÇA DEF

As mudanças climáticas estão degradando a capacidade dos solos de absorver água, de acordo com um estudo publicado na revista Science Advances. Conforme noticiado pela revista Newsweek, isso pode ter implicações para o aquecimento global, porque a água no solo desempenha um papel importante no armazenamento de dióxido de carbono – o gás mais importante no efeito estufa. Os aumentos de CO2 na atmosfera estão ajudando a aquecer o planeta devido ao seu efeito de captura de calor. Espera-se que as mudanças climáticas tragam aumento de chuvas para certas regiões do mundo, o que, juntamente com outras mudanças ambientais, poderia levar a menos infiltração de água no solo. “Como os padrões de chuva e outras condições ambientais estão mudando globalmente como resultado das mudanças climáticas, nossos resultados sugerem que a forma como a água interage com o solo pode mudar consideravelmente em muitas partes do mundo, e fazê-lo rapidamente”, disse o co-autor Daniel Giménez, um cientista do solo da Universidade Rutgers. Os pesquisadores dizem que o impacto nos solos da mudança climática pode ter implicações significativas no abastecimento de água subterrânea, produção de alimentos, comportamento do escoamento da água devido às tempestades e funcionamento dos ecossistemas. “Em muitas partes do mundo, a produção agrícola depende inteiramente das chuvas. A produção de alimentos é ameaçada se o padrão das chuvas mudar ou o solo não puder absorver tanta água como antes. Isso levaria à insegurança alimentar quando a produção de alimentos não for suficiente para satisfazer as necessidades da população”, alerta Daniel Giménez.

Por: Marcos Adair

Os 10 “best value” em Pinot Noir do mundo

16 de setembro de 2019

A PINOT NOIR NO MUNDO

Existem muitos clichês no mundo do vinho e um deles é que “você precisa cavar fundo para comprar um Pinot Noir bom e barato”. A Pinot Noir é uma uva difícil de cultivar, é temperamental na vinícola e precisa de muito cuidado e atenção para fazer um bom vinho. A apoteose de Pinot é, obviamente, a Borgonha, onde as fileiras de videiras das uvas são verdadeiras joias e os preços podem atingir e exceder o valor de um carro. Atualmente, o Domaine da Romanée-Conti tem um preço médio global, sem impostos, de mais de 20.600 dólares. Três garrafas dariam para comprar uma excelente casa. Além da Borgonha, os EUA fazem grandes Pinots, e pode-se obter ótimos exemplos na Austrália, na Alemanha e no Chile. Todavia, a grande surpresa mesmo tem sido a Nova Zelândia. Ela é mais famosa por seu Sauvignon Blanc de Marlborough, mas, há cerca de 10 anos, ficou claro que a Pinot da Nova Zelândia não era apenas de ótima qualidade, e, comparado à Borgonha, também é um belo custo-benefício. O site wine-searcher alistou os 10 melhores custo-benefício em vinhos varietais de Pinot Noir do mundo e não é à toa que a Nova Zelândia domina de forma esmagadora essa lista, com nada menos que nove dos dez vinhos. Eis a lista completa:

01 – 2015 Greenhough Hope Vineyard Pinot Noir, Nelson, New Zealand – 4.33

02 – 2014 Nautilus Estate Southern Valleys Pinot Noir, Marlborough, New Zealand – 3.17

03 – 2014 Dog Point Pinot Noir, Marlborough, New Zealand – 2.97

04 – 2013 Escarpment Pinot Noir, Martinborough, New Zealand – 2.97

05 – 2015 Craggy Range Te Muna Road Vineyard Pinot Noir, Martinborough, New Zealand – 2.45

06 – 2014 Escarpment Kupe Pinot Noir, Martinborough, New Zealand – 1.55

07 – 2013 Ata Rangi Pinot Noir, Martinborough, New Zealand – 1.54

08 – 2015 Patz & Hall Chenoweth Ranch Pinot Noir, Russian River Valley – 1.52

09 – 2012 Felton Road Calvert Pinot Noir, Bannockburn, New Zealand – 1.47

10 – 2014 Ata Rangi Pinot Noir, Martinborough, New Zealand – 1.42

Por: Marcos Adair

Veuve Clicquot anunciou seu novo mestre de adega

15 de setembro de 2019

A VIUVA

Conforme informou o site The Drink Business, a tradicional casa de Champagne Veuve Clicquot anunciou que Didier Mariotti se juntará à sua equipe com seu novo mestre de adega. Ele trabalhará com o produtor de vinhos Dominique Demarville em um período de transição até o final do ano, antes de assumir o controle total a partir de 1º de janeiro de 2020. Didier Mariotti possui 48 anos de idade, é engenheiro agrônomo e enólogo treinado. Há 25 anos vem fazendo uma respeitável carreira no mundo do Champanhe. Começou seus trabalhos na Nicholas Feuillatte, passou pela Moët et Chandon, depois mudou para a Mumm, tornou-se vice-enólogo e foi promovido a enólogo-chefe em 2009.  Jean-Marc Gallot, presidente e CEO da Veuve Clicquot, falou a respeito da transição do mestre de adega: “Gostaria de agradecer sinceramente a Dominique Demarville por sua grande contribuição nos últimos 13 anos à qualidade reconhecida por unanimidade dos nossos vinhos, bem como à influência da maison em todo o mundo ”. Quando Mariotti, por fim, assumir o controle interino da casa, Demarville deixará a Veuve e irá se juntar à equipe da Laurent-Perrier.

 Por: Marcos Adair

 

Liber Pater e a corrida por uvas raras em Bordeaux – 2. Projetos semelhantes em andamento na região

14 de setembro de 2019

A L PATER DEF

O vinho Liber Pater é feito por um polêmico engenheiro de materiais aposentado da Peugeot, chamado Loïc Pasquet. Ele adquiriu 7 hectares de vinhedos de Graves para plantar uvas nativas pré-filoxera, sem porta-enxertos, o que é dificílimo numa região tão afetada por pragas, como Bordeaux. Ele também resgatou castas esquecidas como Castet, Mancin, Lauzet, Camaralet, Prunelard, Tarney Coulant e Marselan. Mas, conforme explica a revista Decanter, ao contrário do que se pensa, Pasquet não é o único resgatando uvas antigas em Bordeaux. Há vários outros projetos que buscam dar um “vislumbre” do que era o vinho bordalês no século XIX – sem o preço absurdo do Liber Pater. As propriedades que plantam variedades de uvas raras incluem Clos Puy Arnaud, em Castillon, que possui Mancin e Castets que compõem 2% da vinha nos próximos anos. O Château de la Vieille Chapelle, em Bordeaux, tem Bouchalès, Mancin, Côt (um nome anterior para Malbec), Castets e Carménère. O Château Le Puy em Francs Côtes de Bordeaux e o Château de Claribès em St-Foy Côtes de Bordeaux estão atualmente decidindo quais plantar.  Há também os rótulos de 100% de Castets e 100% de Mancin que Liber Pater planejou sob o nome de Liberi Bellaria e em breve estarão no mercado. E é possível encontrar uvas pré-filoxera Merlot e Cabernet Sauvignon no Clos Manou, no Médoc, em seu impressionante “cuvée” 1850. O melhor: seu preço é inferior a 30 euros. Em St-Emilion, a Trottevielle tem mais de 3.000 videiras Cabernet Franc não enxertadas da década de 1890, engarrafadas como uma “cuvée” separada desde 2004. São apenas alguns exemplos de que o Liber Pater, apesar de ser um vinho realmente diferenciado, não está fazendo algo assim tão diferente do que outros igualmente estão fazendo em Bordeaux. É animador saber que esse espírito de inovação está bem vivo em uma região tão clássica e tradicional.

Por: Marcos Adair

Liber Pater e a corrida por uvas raras em Bordeaux – 1. Desmistificando o Liber Pater

13 de setembro de 2019

A LIBER UM DEF

As matérias na imprensa especializada divulgaram a pleno fôlego a partir do início de julho: o Liber Pater tornou-se oficialmente o vinho moderno e mais caro de Bordeaux, com sua safra de 2015 à venda por impressionantes 30.000 euros a garrafa de 750 ml. Mas, como atestou Jane Anson em artigo publicado na revista Decanter, muitas afirmações feitas a respeito do vinho não são verdadeiras. Várias manchetes diziam que este era o vinhedo de maior altitude em Bordeaux; que o vinho era puramente feito a partir de uvas antigas pré-Filoxera, não mais usadas nos vinhedos de Bordeaux; e, acredite se quiser, há artigos sugerindo que o Liber Pater, na safra 2015, oferece “o verdadeiro sabor de Bordeaux em 1855”. Tudo não passa de inverdades. Quando se olha de perto o projeto do polêmico e ousado Loïc Pasquet, a primeira coisa importante a se esclarecer é: não é verdade que o vinho seja feito de uvas não mais encontradas em Bordeaux. De fato, a partir de 2015, o Liber Pater vem de videiras 100% não enxertadas, o que por si só é bastante notável numa região tão sujeita a pragas e doenças, e que utiliza métodos agrícolas raramente vistos na região. E as videiras orgânicas certificadas são saudáveis e felizes. Mas ele não é o único a fazer isso em Bordeaux. Pasquet está sim plantando variedades raras e merece elogios, mas o vinho não é feito só com elas. O “blend” da safra 2015, vendido a preço tão elevado, – pasmem – é quase inteiramente Cabernet Sauvignon (que Pasquet chama de Petite-Vidure, porque afirma ser um clone antigo da uva que levava esse nome), combinado com pequena quantidade de Petit Verdot e Malbec e 2% de variedades raras (dentre elas Castets, Tarney e St-Macaire). Mas é um vinho impressionante, segundo Jane Anson. Envelhecido em ânforas, jalles e cubas de barro, o Cabernet Sauvignon mostra uma delicadeza e vibração genuinamente emocionantes, diferente do que se faz comumente hoje na região. Uma pena que, pelo preço, está fora do alcance de praticamente todo mundo.

Por: Marcos Adair

Família Mondavi está fora da “Primum Familiae Vini”

13 de setembro de 2019

A PRIMUM

Depois de vender sua corporação com sede no Napa Valley para a Constellation Brands, os membros da família Mondavi renunciaram à cadeira na Primum Familiae Vini (PFV), uma associação das principais famílias de vinhos do mundo, criada em 1992. Embora Robert Mondavi seja considerado realeza no país vinícola da Califórnia, sua antiga empresa não atende mais aos padrões da associação, que exige que as vinícolas membro devem ser de propriedade familiar. O grupo possui no máximo 12 membros, que só entram mediante convite, e atualmente inclui as famílias da Marchesi Piero Antinori, de Nicolò Incisa della Rochetta (do famoso Sassicaia), a Baronesa Philippine de Rothschild, os Clarence Dillon (do Haut-Brion), os Hugel na Alsácia, a família Drouhin da Borgonha, Pol Roger em Champagne, Jaboulet no Rhône, Egon Müller na Alemanha, Torres e Vega Sicilia (de propriedade da família Alvarez) na Espanha e a família Symington de Portugal. Os membros do PFV visam a defender e promover as tradições e valores das empresas familiares de vinho e garantir que esses ideais sobrevivam e prosperem para as gerações futuras. Com a saída dos Mondavis, a Califórnia agora está notavelmente ausente da lista.

Por: Marcos Adair

No último 10 de setembro foi comemorado o Dia Internacional do vinho do Porto

12 de setembro de 2019

DIA DE VINHO DO PORTO

No dia 10 de setembro de 1756, o Marquês de Pombal criou a mais antiga região demarcada e regulamentada do mundo: o Douro Vinhateiro. Nessa época, o Vinho do Porto já era um sucesso entre os ingleses e surgiram muitas fraudes e falsificações. O governo britânico então exigiu um selo de qualidade do vinho e, pela primeira vez na história, Pombal introduziu o conceito de DOC (Denominação de Origem Controlada). Em 2014, 258 anos depois, foi oficialmente instituído o dia 10 de setembro como “Dia Internacional do Vinho do Porto”. Nasceu da vontade de celebrar o Vinho do Porto e de o partilhar com cada vez mais pessoas, de forma cada vez melhor, segundo informa o site oficial portwineday.pt. Para celebrar este dia, o Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto organiza anualmente, desde 2014, o “Port Wine Day”, um evento que traz jornalistas de todo o mundo ao Porto, reúne os melhores produtores de Vinho do Porto, organiza provas exclusivas com vinhos raros e seminários inovadores e ainda contagia a cidade e todos os seus habitantes com o espírito do Vinho do Porto. Neste ano de 2019, Nova York também entrou no mapa, com uma prova de Vinho do Porto no The Lofts at Prince (Soho). “O programa do “Port Wine Day” pretende disseminar a verdadeira experiência do Vinho do Porto e do Douro Vinhateiro, homenagear a sua história, espalhar a palavra aos especialistas, ao consumidor, sobretudo aos mais jovens, e ao mundo, apontando o futuro daquele que é simultaneamente grande embaixador e anfitrião do nosso país”, afirmou Manuel Cabral, presidente do IVDP.

Por: Marcos Adair

Cheval des Andes será vendido no mercado de “négociants” de Bordeaux

12 de setembro de 2019

A CHEVAL DOIS

O Cheval des Andes é um projeto conjunto da Bodega Terraza de Los Andes, de Mendoza, e do Château Cheval Blanc, Premier Grand Cru Classé “A” de Saint-Emilion, Bordeaux, ambas pertencentes ao grupo LVMH. O Cheval des Andes foi fundado em 1999 e, segundo afirmou Pierre Lurton, presidente do grupo, após 20 anos de evolução ele já tem maturidade para se juntar a seu “irmão mais velho” Cheval Blanc, sendo distribuído por seu canal histórico, a “La Place de Bordeaux”. “Além disso, nossos clientes – distribuidores, importadores, varejistas, mestres de adegas, sommeliers e, em suma, amantes de vinho – são os mesmos para esses dois vinhos, por isso é lógico harmonizar sua distribuição”, disse ele. Segundo o site The Drinks Business, outros vinhos do Novo Mundo como Catena Zapata, da Argentina, Inglenook de Francis Ford Coppola e Joseph Phelps, ambas do Napa Valley, se juntaram a La Place no ano passado. Este ano foi a vez do famoso vinho doce de Klein Constantia, Vin de Constance. Valentin Jestin, diretor comercial e de marketing da Dourthe – empresa irmã da CVBG (um dos quatro maiores négociants) – confirmou que os vinhos que não são de Bordeaux representam agora até 10% dos negócios da CVBG, espalhados por 15 marcas, e é uma área crescente de vendas. O Cheval des Andes, que produz apenas um vinho de sua propriedade de 47 hectares, divulgará sua safra de 2016 através do mercado de “négociants” de Bordeaux ainda este mês de setembro.

Por: Marcos Adair

França: se bebe cada vez menos vinho, mas as oportunidades de consumo se multiplicam

11 de setembro de 2019

A FRANÇA UM

A comparação entre a França de hoje e a de 1935, quando o consumo de vinho per capita chegou a 160 litros por ano, ou a de 1965, quando, em qualquer caso, um adulto bebia uma média de 105 litros de vinho, pode parecer implacável, mas apesar do colapso vertical do consumo de vinho, continua sendo o terceiro consumidor mundial, com mais de 2 bilhões de litros consumidos pelos 39 milhões de consumidores do país, atrás apenas da Itália e dos Estados Unidos, mas também o terceiro mais atraente de acordo com o Wine Intelligence “Compass Market Attractiveness Model” 2019, que assinou o “France Landscapes” 2019, que revela como, com a redução líquida do consumo, corresponde uma enorme vivacidade, com as ocasiões em que se bebe vinho que se multiplica e o mercado que se torna mais remunerado.
Em essência, a França continua amando sua bebida mais representativa, apesar de uma tendência de queda, devido aos volumes consumidos, que seguem a tendência global ditada pela dinâmica que se conhece bem, pela mudança de estilos de vida, o que acarreta um declínio do consumo de álcool, em linha com a busca por uma saúde cada vez maior, concorrência de outras categorias de álcool, de cerveja a vodka. Dito isto, o vinho ainda faz parte do consumo diário e da cultura francesa, tanto que o envolvimento do consumidor, ou o número de pessoas que consideram o vinho como uma parte importante de seu estilo de vida, até cresceu, de acordo com dados do Wine Inteligência, nos últimos cinco anos. Assim, o vinho é considerado como um produto familiar e amigável, com a maioria dos consumidores franceses associando o vinho a valores como tradição e refinamento, mas também a momentos de recreação e relax, uma vez que  cresce o consumo fora de casa, no bar, em festas etc.