Arquivos da categoria ‘Falando sobre Vinhos’

Por que o vinho é importante (I)

8 de agosto de 2020

A CULTURA VINHOS

Quando a pandemia do Covid-19 tomou conta do mundo, as vendas de vinho dispararam na maior parte dos países consumidores. Havia quem dissesse que as pessoas estavam comprando para garantir que tivessem vinho suficiente se as coisas piorassem. Outra teoria defendia que o vinho ajudava a superar o momento ruim. As pessoas ficaram em casa, montando “happy hour” online, saboreando vinhos e conversando via Zoom, Skype e Google Meet. Elin McCoy, que escreve para a revista Decanter, disse que, toda noite, ela e o marido procuravam provar vinhos que lembrassem a vida antes do confinamento – uma estadia em Saint-Emilion, um jantar em restaurante no Piemonte, a primeira viagem ao Napa. E brindavam, gratos por terem vivido essas experiências e estarem juntos. Elin diz que tudo isso a fez refletir: o vinho, de diversas maneiras, consegue se inserir e fazer parte das vidas e da memória de tantas pessoas em todo o mundo. E o vinho constitui um elo poderoso com a história. “Quando as fronteiras são fechadas, o vinho as abre”, disse ela, com toda razão. As pessoas transformam uvas em vinho há cerca de 8.000 anos, o que torna sua criação parte da ascensão da civilização e de nossa humanidade. Por milênios, o vinho tem sido uma âncora dos rituais de consolo e celebração. Cada gole reflete esse passado e essas tradições. A importância do vinho como um dos prazeres da vida, surpreendentemente, persistiu em guerras, pragas, depressões econômicas e muitos outros tempos sombrios. O vinho também é o grande conector social, nos ligando a pessoas e lugares ao redor do mundo que nem conhecemos, tornando-se um símbolo do fato de que estamos todos unidos, compartilhando um só planeta. O confinamento acabou se tornando uma valiosa oportunidade para se pensar a respeito disso.

 

Por que as bolhas de espumante vêm do fundo da taça?

4 de agosto de 2020

A BORBULHA DEF

As bolhas dos vinhos espumantes são feitos de gás dióxido de carbono, conforme explica a revista Wine Spectator. Ele é mais solúvel em líquidos mais frios, por isso que, se você abrir uma garrafa quente de espumante (ou lata de cerveja ou refrigerante), grande parte do gás escapa de uma só vez, como se fosse um vulcão. Em uma taça, as bolhas de dióxido de carbono se formam nos chamados “locais de nucleação”, ou pequenos arranhões ou imperfeições no vidro. O gás se reúne nesses locais até formar uma bolha e depois escapar para cima. De uma maneira geral estes defeitos aprisionam ar quando se enche a taça. O gás carbônico, que está sob pressão, difunde-se até estas cavidades e enchem uma bolha. Quando esta bolha tiver tamanho suficiente para boiar, ela se desprende e sobe até a superfície. Este fenômeno se repete gerando fileira de bolhas até que não haja mais gás carbônico no espumante. Algumas taças de espumante têm esses locais de nucleação arranhados intencionalmente no fundo da taça para facilitar um elegante cordão de pequenas bolhas (hoje em dia elas são tipicamente gravadas por lasers). Mas qualquer coisa pode criar um local de nucleação para as bolhas, como defeitos provenientes do vidro, pequenas lascas localizadas (sobretudo em peças antigas), pequenas fissuras ou mesmo uma bolha na massa do vidro parcialmente estourada. Depósitos sobre a superfície do vidro, como fibras de celulose provenientes do pano utilizado para secá-lo, depósitos provenientes da secagem de gotas após a lavagem, e até um grão de poeira podem ocasionar o surgimento das bolhas. Isso lembra que, caso as paredes da taça não estejam adequadamente limpas, as bolhas surgirão também dessas impurezas, diminuindo o “perlage” que deveria vir do fundo. Há quem recomende que, se você quer ter sempre muitas bolhinhas, arranhe o fundo da taça. As partículas vão se acomodar nas ranhuras e propiciar uma “poeira de estrelas”.

Por: Marcos Adair

A ciência identifica a verdadeira origem do Albariño (I)

1 de agosto de 2020

ALBARINHO

A ciência destrói as crenças de que a videira Albariño chegou à Galícia das mãos civilizadoras dos fenícios, gregos e romanos. Ele atribui a origem dessa variedade às linhagens galegas selvagens que evoluíram. É a descoberta mais importante para a história do vinho na Galícia. O Museo do Viño da Galícia publicou uma descoberta extraordinária da ciência. As sementes mais antigas da variedade que evoluíram para o atual Albariño acabam de ser identificadas, provenientes de uma área chamada “O Areal” na cidade de Vigo. Este sítio arqueológico, agora um museu no centro da cidade, é a única mina de sal de evaporação preservada em todo o Império Romano, e as primeiras sementes de albariño apareceram em estratos datados do carbono 14 entre os séculos II e IV dC. As implicações para a ciência e a cultura do vinho são enormes: o antecessor do albariño (junto com outras variedades indígenas) já estava presente na Galiza romana e possivelmente foi o resultado da hibridização com videiras selvagens locais, nativas da região, em uma busca precoce por melhor aclimatação e maior produtividade. Nas palavras do Museu, “é um torpedo na linha de água da teoria até então predominante da difusão oriental, ou a teoria de Noé, de que a videira veio do leste das mãos civilizadoras dos fenícios, gregos e romanos”.

A unha do vinho

27 de julho de 2020

A UNHA DEF

O que se chama de unha é aquela curva extrema do vinho, o limite do líquido na taça – lembrando a curvatura da nossa própria unha – observado quando se inclina a taça a 45°. Não importa a cor do vinho, a unha é sempre incolor, conforme explica Célio Alzer no livro “O passo a passo da degustação”. E quanto mais larga a unha, mais envelhecido é o vinho. É logo abaixo da unha e nas laterais da taça que se buscam os eventuais reflexos. O reflexo nos fala do passado e do futuro do vinho, da sua ex ou futura cor. Um vinho vermelho rubi com reflexos alaranjados, por exemplo, é um vermelho rubi com sinais de idade. Naturalmente, cada vinho possui um ciclo de vida particular. Alguns vinhos já nascem com aspecto mais envelhecido, enquanto outros são melhor apreciados jovens e, portanto, nunca chegam a envelhecer. Daí que essa análise visual através da unha e da parte central do vinho podem dar indícios a respeito da sua idade, mas uma conclusão segura só deve ser feita após o exame olfativo e gustativo da bebida.

Por: Marcos Adair

 

 

Como Explicar os 100 Pontos do Vinho (III)

26 de julho de 2020

A JAMES DEF

O método de qualificação de 100 pontos é uma maneira prática, de qualificar e catalogar vinhos através da análise de seus diferentes componentes. Apesar de existirem várias maneiras e interpretações, o presente post se dispõe a avaliar essa metodologia, em linhas gerais. Eis os critérios adotados pelo crítico James Suckling:

James Suckling:

Cor: 0-15 pontos
Aroma: 0-25 pontos
Estrutura: 0-25 pontos
Qualidade geral: 35 pontos

Vinho bom é vinho caro?

25 de julho de 2020

A CARA DA RIQUEZA

Para o público consumidor em geral, é praticamente um consenso a ideia de que vinho bom é vinho caro. Isso é verdade? Não, não é. Essa pergunta foi feita no final do ano passado pela revista Veja a Dirceu Vianna Junior, o único brasileiro e representante da língua portuguesa que faz parte de um seleto grupo de especialistas que detém o título de “Master of Wine” (fundado em 1955, o “Institute of Master of Wine” de Londres formou apenas 389 mestres em todo o mundo até hoje). Dirceu Vianna explicou, com muita propriedade, que o que mais importa nessa relação entre preço e qualidade é a finalidade do vinho. “Para comer pizza e conversar, um vinho funcional, mais em conta, cumpre seu papel”, diz ele. “Mas, se o consumidor quer uma experiência diferente, degustar algo especial, uma bebida mais cara se adequa melhor”. Ele ainda alertou ser muito importante lembrar que vinho ruim faz mal à saúde, então é preciso tomar cuidado quando a escolha se dá unicamente tendo o preço como referência (como diz certa frase, “vinho ruim, com muito desconto, continua sendo ruim”). Estar atento a esses aspectos envolve buscar um mínimo de informação, e uma pesquisa a respeito do produtor, da região e do vinho pode fazer com que se descubra excelentes custo-benefício.

Por:Marcos Adair

 

Como Explicar os 100 Pontos do Vinho (II)

25 de julho de 2020

A ROBERT

O método de qualificação de 100 pontos é uma maneira prática, de qualificar e catalogar vinhos através da análise de seus diferentes componentes. Apesar de existirem várias maneiras e interpretações, o presente post se dispõe a avaliar essa metodologia, em linhas gerais. Para a Wine Advogate e seus avaliadores os 100 pontos são assim distribuídos:

Wine Advocate / Robert Parker:

Que seja “um vinho” (todo mundo tem isso): 50 pontos (quase garantido)
Aparência e cor: 0-5 pontos
Aroma: 0-15 pontos
Sabor e final: 0-20 pontos
Qualidade geral: 0-10 pontos

Fonte: Vinetur

Qual a diferença entre Pinot Grigio e Pinot Gris?

21 de julho de 2020

Pinot Grigio grape variety. Pinot Grigio is a white wine grape variety that is made from grapes with grayish, white red, and or purple skins. Trentino Alto Adige, Italy. Guyot Vine Training System

Pinot Grigio e Pinot Gris são dois nomes diferentes usados para identificar a mesma uva de vinho branco. Mas, assim como acontece no caso de Syrah ou Shiraz (que também são dois nomes usados para a mesma uva tinta originária do Rhône), o uso de um ou outro termo pode oferecer algumas dicas a respeito da região em que o vinho foi feito ou a respeito do estilo do vinho. Segundo explica a revista Wine Spectator, Pinot Grigio é o nome italiano para essa uva, e os vinhos feitos lá tendem a ser muito leves, com pouco corpo, delicados em aromas e “crocantes” (para quem não sabe, “crocante” é a tradução da palavra inglesa “crispy”, que significa “seco” ou com “alta acidez”). Pinot Gris é o nome usado na França (“gris” é a palavra francesa para “cinza”, a cor da casca dessa uva), e as versões dos vinhos da Alsácia podem ser um pouco mais intensos em aromas, mais encorpados e com acidez picante. Eles também podem ser feitos em estilos de sobremesa mais doces, com notas de mel. Apesar do reconhecimento mundial ter ocorrido, principalmente, em razão dos vinhos italianos, acredita-se que a origem dessa uva é mesmo francesa, na região da Alsácia, decorrente provavelmente de uma mutação da Pinot Noir.

Por: Marcos Adair

Já ouviu falar em termovinificação?

2 de julho de 2020

A TERMO

Termovinificação é o aquecimento das uvas a uma temperatura entre 60 e 80° antes de começar a fermentação. Conforme explica a revista Adega, essa é uma técnica antiga usada na produção de vinhos para uma rápida extração de polifenóis e aromas e promover uma rápida rotação das uvas nas cubas de fermentação em grandes estruturas. Serve para aumentar a extração de cor e tanino de cepas que não possuem tanto dessas características. Mas há quem a utilize para inibir a Botrytis e a Brettanomyces, leveduras que podem prejudicar o vinho. Essa técnica não é usada apenas para vinhos mais simples e padronizados, mas pode ser usada por produtores de vinhos de alta gama em determinada uva específica que fará parte de um blend. É uma técnica de vinificação polêmica. Há quem afirme que alguns compostos aromáticos ou seus precursores não são voláteis, desprendendo-se apenas na fermentação, mas a termovinificação os liberta desde o início, tornando os vinhos mais frutados e menos complexos. Então, muitos afirmam que isso diminui o caráter varietal dos vinhos e causa muita padronização. A uva acaba perdendo a sua tipicidade e as diferenças que deveriam ser sentidas de uma safra para outra acabam sendo disfarçadas.

Por: Marcos Adair

 

As pontuações dos vinhos da safra de 2019 de Bordeaux: não nos níveis de 2018, mas uma safra muito boa

24 de junho de 2020

BORDEAUX DEF

O Château Haut-Brion Blanc, com uma pontuação de 100/100, Château Haut-Brion, com 99-100, Château La Mission Haut-Brion, com 99-100 (todos os três na região de Pessac-Leognan) , mas também Château Lafite Rothschild (em Pauillac), com 99-100, e Château L’Eglise Clinet (em Pomerol), ainda com 99-100. Essas foram as pontuações mais alltas assinaladas por James Suckling; Château La Mission Haut-Brion, 98-100, no topo, com Château Pichon Loungueville, Contesse de Lalande (em Pauillac), também com 98-100, depois Château Clinet (em Pomerol), 97-99, com Château Figeac (Saint-Emilion Grand Cru) e o Château L’Eglise Clinet (Pomerol), ambos ainda entre 97 e 99, para Neal Martin; e Château Margaux (Margaux), 98-100, seguidos por Château Figeac e Château L’Eglise Clinet, ambos em 97-99, e Château Calon Segur (em Saint-Estephe) e Château Haut-Brion, ambos com uma pontuação de 96 a 98, pontuações atribuídas por Antonio Galloni: aqui está o topo de Bordeaux, safra 2019, de acordo com as degustações de três dos mais importantes críticos de vinho do mundo.   A safra não está nos níveis da de 2018, porque por trás dela havia uma tendência sazonal um pouco mais complexa, com granizo na primavera e calor no verão, mas ainda é uma safra muito boa.