#CRED#
#LEGENDA#
O Barolo é indiscutivelmente o melhor vinho da Itália, embora não exista outro vinho no panorama internacional, a exceção do Borgonha tinto, que seja tão difícil de compreender. Os vinhos da Denominação Barolo, caracterizam – se por serem elaborados com a variedade Nebbiolo (o nome se deve a névoa matutina que cobre região do Piemonte), a casta de maior personalidade do país. Definido como “ Rei dos Vinhos e o Vinho dos Reis” devido as suas características e magnificência, este tinto esplêndido do Piemonte, é o mais legítimo porta-voz da Enologia Italiana.. O Barolo começou a adquirir sua condição de realeza na Idade Média e a partir daí sua reputação cresceu de forma constante. Documentos revelam que o Barolo freqüentou amiúde a mesa de Luis XV e de reis e rainhas além de outros nobres da corte européia.
A zona de produção da Denominação Barolo está localizada na região do Piemonte ( sopé do monte ), envolvendo onze municípios: cinco grandes ( Barolo, La Morra, Monforte, Serralunga e Castiglione Falletto) e seis menores (Verduno, Novello, Cherasco, Diano d’Alba, Roddi e Grinzane Cavour).Cada um deles está dividido em vinhedos de qualidade, que por sua vez pertencem a vários proprietários. Estes vinhos são muito ligados ao terroir por isso habitualmente os vinhedos dos quais procedem a Nebiollo podem dar nome aos vinhos, como por exemplo os Barolos Bussia, Brunate ou Cannubi. Portanto, quando se fala de um Barolo Cannubi, o que se pode depreender, é que é um vinho do vinhedo Cannubi no município de Barolo; no rótulo tem importância o nome do produtor, porque um Barolo Cannubi de Fenocchio não é o mesmo que um Marchesi di Barolo ou um Cannubi Boschis de Sandrone. Os vinhedos de Barolo são os únicos do mundo que têm grandes semelhança com os da Côte d’Or borgonhesa.A zona ocupada pelos vinhedos ocupa algo mais que 1200 ha. que se dividem entre mais de 1.200 elaboradores, por isso não é de estranhar que diferentes elaboradores façam vinhos de um mesmo vinhedo, e lhes denominem de forma diferente.
Até a década de 60, os Barolos tinham como característica muita cor, em especial quando permanecia por longo tempo em grandes tonéis de carvalho (ou botti); no olfativo um caráter frutado,(frutas vermelhas), notas de terra (trufa, terra úmida, ….),e toques de especiarias (cravo, noz moscada). Apresentavam-se na boca, como vinhos frutados, com una acidez marcada, com taninos muito duros em sua juventude, grande densidade, potencia, estrutura e equilíbrio. Sua distinção maior, era no entanto, o tempo excessivamente longo para a atenuação da sua acidez e do arredondamento dos seus taninos. Daí, ser um vinho, que posto no mercado, necessitava de pelo menos 10 anos para ser degustado em toda sua plenitude. Em razão da crise do Barolo sofrida no final dos anos 70 e início da década de 80, quando houve uma queda significativa no consumo, surgiu uma geração de jovens enólogos que se rebelou contra a forma tradicional de produzir o Barolo. Os jovens, imediatamente chamados de “ inovadores ”, acusavam os “ tradicionalistas ” de utilizar carvalho quase putrefato, de não controlar a temperatura de fermentação, de promover uma maceração demorada para extrair taninos, uma permanência muito grande nos tonéis ( botti ), além de criar vinhos com tanicidade excessiva e uma acidez volátil muito alta. A proposta inovadora dos jovens compreendia a utilização de barricas de carvalho francês substituindo as “botti”, macerações mais curtas, temperatura de fermentação controlada em depósito de aço inoxidável, vinhos com menor tanicidade, com maior sensação de frutuosidade e mais suaves. Dessas inovações surgiram vinhos (mesmo tendo que envelhecer por lei 3 anos, entre barril e garrafa e os Riserva 5 anos ), que apresentam-se com aromas e sabores específicos( alcaçuz, violeta, chocolate, ameixas, figo seco, etc), mais sedosos e elegantes e por conseguinte mais fáceis de agradar ao paladar. Desnecessário dizer que os inovadores tiveram a seu favor os críticos especializados italianos, tendo a frente a toda poderosa revista ‘Il Gambero Rosso’, além da maioria da imprensa internacional. Os embates continuam, acreditando os tradicionalistas que as mudanças podem modificar de forma significativa o magnífico vinhos que fazem, enquanto os inovadores lutam para processar as alterações que crêem, farão os Barolos, melhores ainda. Seja qual for o vencedor, se torna difícil imaginar, que se possa, modificar as características de um vinho que a natureza já fez extraordinário.
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