
Os sonhos de consumo já foram definidos como prazeres inconscientes. E, para muitos, alguns vinhos, míticos, singulares, verdadeiros ícones, fazem parte deste universo de prazeres. Para enófilos apaixonados, degustá-los é o mesmo que sonhar desperto, voar sem asas, é viver sentindo. Tais preciosidades, verdadeiras pérolas da enologia mundial, e ganharam fama e renome por sua qualidade diferencial, são produzidas em algumas regiões produtoras do mundo. Além da França (país que produz a maior quantidade de vinhos que são adjetivados como sonhos de consumo), a Itália, a Espanha, Portugal, Austrália, Estados Unidos, também os produzem.
Da Itália, os exemplos são os Super-toscanos, Solaia do Marquês Piero Antinori, o Ornellaia, da Tenuta dell’Ornellaia, elaborado por Lodovico Antinori, o Sassicaia, ( uma garrafa da safra de 1985 custa cerca de U$ 5000 dólares) do Marchese Incisa della Rocheta, e o Schidione do consagrado vinhateiro Giacomo Biondi Santi, que revolucionaram os vinhos italianos nas últimas décadas. Além, obviamente dos vinhos de Ângelo Gaja (Sori San Lorenzo Langhe Nebbiolo, Costa Russi Langhe Nebbiolo, Sperss Langhe Nebbiolo) e Roberto Voerzio( Barolos e Barbarescos), no Piemonte e Gianfranco Soldera (Case Basse di Gianfranco Soldera Brunello di Montalcino) e Altesino, com Brunellos, em Moltalcino.
Os excepcionais vinhos da Espanha, o Vega Sicília Único, o L’Ermita elaborado por Álvaro Palacios, o Pingus de Peter Sissek, o Alion de Xavier Ausas, o Cirsion de Agustin Santolaya, o Erasmus de René Barbier, o Terreus de Mariano Garcia, o Gran Vos de Pedro Aibar e tantos outros de várias regiões, como Rioja, Priorato, Ribeira del Duero, Abadia Retuerta e Somontano, povoam os sonhos de consumos de enófilos do mundo inteiro.
Há também, verdadeiras, jóias sob a forma de vinhos “esculpidas” em Portugal, tais como: o Barca Velha, de Fernando Nicolau de Almeida (para a então Casa Ferrreira, hoje pertencente à mega-empresa Sogrape); o Quinta da Leda e o Ferreira Reserva ambos da Casa Ferreira (e irmãos do Barca Velha); o Chryseia, nascido do casamento entre a ânglo-portugesa (empresa) Symignton e o francês Bruno Prats; o Mouchão do jovem Paulo Laureano (Herdade do Mouchão); o Quinta de Roriz de João Van Zeller; o Duas Quintas Reserva de João Nicolau de Almeida (o filho do pai do Barca Velha); o Quinta do Vale Meão, primogênito de Francisco Olazabal (suas vinhas originaram Barca Velha durante vários anos); o Quinta do Vallado, também de dois Franciscos, o Olazabal e o Ferreira; o Redoma e o Batuta, respectivamente, o diamante e a pérola do enfant-terrible Dick Niepoort; Quinta do Castro das artistas Dominic Morris e Suzana Esteban; o Fojo da não menos artista Margarida Sidônio Borges; o Pêra Manca dos dois Franciscos, o Colaço do Rosário e o Pimenta (Fundação Eugênio de Almeida); o Incógnito, pérola do luso-dinamarquês Hanz Kristian Jorgensen; o Esporão Reserva de David Baverstock e Luís Duarte; o “T” da Quinta da Terrugem, concebido por Francisco Antunes, assessorado por Michel Roland e Pascal Chatonnet; o Marquês de Borba de João Portugal Ramos, o Quinta do Mouro de Miguel Viegas Louro, o D’Avillez de Jorge d’Avillez e o Luís Pato Ribeirinho Pé Franco do revolucionário Luís Pato.
Alguns Vinhos de Expressão, no Chile denominados Ultrapremium, também fazem parte desse universo único e singular. São vinhos produzidos com estilo, dedicação e arte, como o Almaviva, obra dos enólogos Patrick León e Enrique Tirado para a joint-venture franco-chilena Mouton Rothchild-Concha y Toro; o Clos Apalta da Casa Lapostelle, idealizado por Michel Rolland; o Montes Alpha “M” da Vinícola Montes, elaborado pelo enólogo Aurelio Montes. Na Argentina, conhecidos como Vinhos de Luxo, há o Cobos de Paul Hobbs, o Finca Mirador da vinícola Achaval Ferrer, o Chacra Treinta y Dos da bodega Chacra e os excepcionais Nicolas Catena da Catena Zapata.
Por vinhos como esses, enófilos apaixonados, para degustá-los sonharão despertos, voarão sem asas e viverão sentindo