É Ano Novo…é tempo de se extasiar com o suave encanto provocado pelas borbulhas, pelo “perlage”, pelo colar de pérolas em perene desfilar nas taças e flutes, de Cavas, Espumantes, Proseccos, Asti Espumantes, Murganheiras e outras denominações mais, já definitivamente incorporadas ao universo festivo das borbulhas sem fronteiras, onde reina, sem contestação, o Champagne, bendito até o fim dos tempos pelo achado celestial de Dom Pérignon.
Contam os historiadores, que no século VI, o vinho produzido na região de Champagne, na França, apresentava, freqüentemente, uma natural efervescência. Muitas garrafas, em razão isso, estouravam e causavam enormes prejuízos a quem os produzia. A gaseificação natural devia-se, provavelmente, à precocidade da colheita da uva na região, à maturação precipitada dos grãos, sendo o vinho engarrafado antes de sua fermentação completa. Foi então que a história consagrou um religioso, Dom Pérignon, nascido em 1638, como o primeiro artífice do controle, pelo homem, do método de elaboração do espumante. O monge vivia na Abadia de Hautvillers, da diocese de Reims, e dedicou sua inteligência e seu dom natural de provador, ao desenvolvimento do vinho espumante da região. Sua participação mais expressiva se deu, não somente, na realização do assemblage( corte ou mistura de dois ou mais vinhos, inclusive de uvas tintas), no sentido de obter um vinho superior; na idéia de realizar a substituição dos tampões de cânhamo e linho pela rolha de cortiça presa com arame e principalmente pela fermentação controlada por açúcar ou fermentos. Diz a lenda que o monge, santo curador da Abadia de Hautvillers, encontrou Deus nas garrafas toscas onde fazia um vinho efervescente e que não duvidou em gritar, quando da descoberta do seu vinho milagroso: “Vinde irmãos, vinde irmãos, vinde comigo irmãos, estou bebendo estrelas,muitas estrelas”.
Com o passar dos séculos, o espírito universalista do vinho efervescente, rico em borbulhas e que causava tantas emoções, assumiu denominações diversas nas mais diferentes regiões produtoras do mundo. Champagne, na região de Champagne (Reims,na França), Cavas, na Espanha ( em Penedés, Catalunha ), Asti Espumantes ( na região do Piemonte, na Itália ), Lambruscos ( na região de Emilia-Romagna, próximo de Módena), Prosecco (oriundos da região norte da Itália, muito próximo de Veneza ), Seck alemães e Espumantes naturais californianos, australianos e brasileiros.Todos eles têm em comum, a capacidade de conjugar a frescura e a vivacidade de uma boa dotação carbônica, com os aromas elegantes e complexos de uma larga permanência nas caves, associado a um paladar límpido e saborosamente complexo.
Na verdade, fazem parte de uma grande família, onde convivem harmonicamente, vinhos espumantes naturais muito diversos: brut nature, brut, demi-sec, (dependendo do teor de açúcar residual), brancos ou rosados, clássicos ou monovarietais, porém todos com um denominador comum, que é a elaboração tradicional ou através do método champenoise (método que estabelece a fermentação na garrafa).Há os elaborados com o corte clássico do Champagne (Pinot Noir, Pinot Meunier e Chardonnay), com o corte das Cavas ( Macabeo, Xarel-lo y Perellada ), monovarietais como os Asti ( feitos com a uva Moscatel ) ou os Proseccos ( elaborados com a casta Prosecco ); os que se tingem de rosa ( os rosés ou rosados dos espanhóis ), para dar cor a festa e os que se mantém com a cor original.. Em todas as categorias, desde as mais tradicionais as mais modernas, das mais simples aos de alta gama, de brancos a rosados, existem champagnes, cavas, proseccos e espumantes de qualidade que, como ocorreu a Dom Pérignon, levarão o homem comum a ver as estrelas e ficar mais próximo da divindade.
Há neles, borbulhas e “perlage” de diferentes formas de apresentação e para todos os gostos: finas, vivazes, para os que desejam um vinho alegre, fugaz, rápido e despreocupado; mais densas e sóbrias para os que buscam uma bebida séria, com corpo e profundidade; elegantes e harmoniosas, para os que exigem um toque de distinção, sem importar-lhes o preço; sedutoras e inebriantes, para quem espera das cavas, espumantes ou champagnes, surpresas olfato-gustativas, que sugiram paraísos mais ou menos exóticos; há inclusive as descompromissadas, para os que, sem maiores problemas, só desejam alegrar-se e viver o momento e para quem o espocar de uma rolha dessa bebida divinal, seja simplesmente, o sinal de partida para um novo tempo. Afinal, é um novo ano, é Ano Novo. E anuncia a chegada de um novo tempo…Tempo de beber estrelas.





















