Franceses temem competição de vinhos do Novo Mundo nos EUA

16 de fevereiro de 2020 por Elmano Marques

A FRANÇA DEF

Com as exportações para os Estados Unidos atingidas por um imposto de Donald Trump após uma disputa com a União Europeia (UE), o vinho francês passa por uma área de turbulência que pode abrir uma janela de oportunidade para os vinhos do Novo Mundo.”O contexto internacional cria uma situação de alto risco” para nossas exportações, alertou esta semana Antoine Leccia, presidente da Federação dos Exportadores de Vinhos e Bebidas Espirituosas da França (FEVS). A situação no mercado americano – o maior consumidor de vinho do mundo – é obviamente a mais preocupante e a mais urgente”, acrescentou Leccia, que prevê um ano “difícil” para os vinhos franceses em 2020 após essa “sanção arbitrária”.
As exportações francesas de vinho para os Estados Unidos “caíram 17,5% no último trimestre de 2019”, quando uma tarifa de 25% entrou em vigor em retaliação aos subsídios da UE à fabricante aeronáutica Airbus, que é a companhia norte-americana Boeing, de acordo com os valores do FEVS.
O nervosismo é palpável entre os vinicultores franceses que temem que os últimos dardos lançados por Trump nesta feroz guerra comercial abrirão as portas para a expansão no mercado norte-americano de outros vinhos, especialmente o novo mundo, em detrimento dos europeus.
Um terço das empresas do setor prevê uma queda de mais de 50% de sua receita este ano nos Estados Unidos.

Masseto é a vinícola da década para James Suckling (2)

15 de fevereiro de 2020 por Elmano Marques

MASSETO 2 A

A Masseto foi escolhida pelo crítico James Suckling como a “vinícola da década”, conforme anunciado em seu site pessoal. Ele chegou a conceder 100 pontos a três safras desse vinho: 2001, 2011 e 2016. A safra de 2001 da vinícola catapultou a vinícola para o mapa internacional, onde permanece desde então como uma mercadoria em brasa para casas de leilão e colecionadores exigentes. E embora aparentemente o Masseto já tenha atingido o seu ápice várias vezes, há motivos para acreditar que o melhor ainda está por vir. Quando Masseto surgiu no final dos anos 80, a região da Toscana estava ganhando força, logo após a introdução bem-sucedida de vinhos “Supertoscanos” por renegados como Sassicaia (fundada pelo primo de Antinori). Adicionando a essa revolução do vinho a decisão não convencional de buscar o cultivo de Merlot – em oposição à óbvia Cabernet Sauvignon – Masseto serviu como catalisador para produtores de vinho independentes em todo o país. Desde então, a qualidade dos vinhos que saem da região de Bolgheri tem sido o “padrão-ouro”. Eles provaram que a Itália não só pode criar excelentes blends no estilo Bordeaux, mas também Merlot puro de classe mundial que rivaliza com os melhores do mundo no que diz respeito à qualidade e complexidade. “Lembro-me de uma degustação em Florença em 2004, quando me sentei ao lado do proprietário da Petrus, Jean-François Moueix, degustando os dois vinhos lado a lado, e ele exclamou que Masseto era mais do que apenas um irmão de seu famoso Pomerol. o ‘gêmeo’ ”, escreveu James Suckling em 2011, depois de experimentar a segunda safra de 100 pontos do Masseto.

Por: Marcos Adair

Revolução verde na Moët Hennessy: adeus aos herbicidas até 2021, com foco na sustentabilidade

14 de fevereiro de 2020 por Elmano Marques

CHANPAGNE

Revolução verde entre as linhas de Moët Hennessy, o setor de vinhos do grupo francês de luxo Lvmh, que anunciou a despedida do uso de herbicidas até 2021 em todas as suas vinhas, desde as de Cognac Hennessy até os 830 hectares de propriedade de Moët & Chandon, passando pelos de Krug, Ruinart, Dom Pérignon e Veuve Clicquot em Champagne, e Clos des Lambrays na Borgonha, Château Cheval Blanc em Saint Emilion e Château d’Yquem em Sauternes, mas também em Cloud Bay na Nova Zelândia , em Numanthia na Espanha, em Cape Mentelle na Austrália, em Terrazas dos Andes e Cheval des Andes na Argentina, em Newton Vineyards nos EUA e em Ao Yun na China. Centenas de hectares de vinhedos, onde a química deixará espaço para soluções alternativas e sustentáveis: Moët Hennessy de fato alocou 20 milhões de euros em um novo centro de pesquisa, que será construído em Champagne, dedicado à viticultura sustentável.
Além de trabalhar em suas próprias vinhas, Moët Hennessy disse que também trabalhará com seus fornecedores para incentivá-los e apoiá-los na certificação de sustentabilidade. Por meio de pesquisas, a empresa pretende criar uma “Universidade de Solos Vivos” para incentivar o compartilhamento de conhecimentos e melhores práticas no setor.

Masseto é a vinícola da década

14 de fevereiro de 2020 por Elmano Marques

MASSETO TRES

Se existe uma vinícola na Toscana que disputa prestígio, de igual para igual, com os célebres châteaux de Bordeaux e os domaines da Borgonha, certamente é a Masseto. Que, por sinal, vende grande parte de sua produção por intermédio dos negociantes da praça de Bordeaux. O mais impressionante é que foi apenas no ano passado que Masseto abriu sua própria vinícola, um projeto arquitetônico primoroso, com espaçosas salas subterrâneas, que teve como a principal preocupação implantar um preciso processo de produção pelo fluxo de gravidade. Antes disso, o vinho era produzido a partir de suas vinhas (aproximadamente 6,6 hectares) e vinificado nas adegas da famosa Ornellaia, em Bolgheri, que também pertence aos mesmos proprietários do Masseto, a família Florentine Frescobaldi. Os preços de lançamento  de uma nova safra do Masseto chegam a 800 dólares a garrafa e o vinho costuma se esgotar na vinícola em questão de semanas. Essa demana inacreditável e a excelente qualidade desse vinho demonstrada de forma muito consistente há anos já fazem dele um dos vinhos de culto nas novas gerações de grandes enófilos e por esses motivos a Masseto foi escolhida por James Suckling como a vinícola da década. Segundo o crítico, a vinícola produz safras soberbas e puras de Merlot, com um sabor impressionantemente fresco, porém estruturado, suave e poderoso. Suckling foi um dos primeiros críticos de vinho americanos a reconhecer o Merlot mágico dessa vinícola, tendo concedido a três safras do Masseto – 2001, 2011 e 2016 – pontuações perfeitas de 100 pontos.

Por: Marcos Adair

 

 

Mais tarifas de vinhos no horizonte (2)

14 de fevereiro de 2020 por Elmano Marques

AS TAXAS DOIS

O mundo do vinho está em alerta com as previsões de mais tarifas de vinhos vindo por aí. Com o aumento das tarifas de vinhos europeus nos EUA, há quem afirme que teremos uma guerra comercial entre América e Europa. E não apenas entre esses dois continentes, segundo o site Wine-Searcher. Atualmente, a China tem uma tarifa de 93% sobre os vinhos dos EUA, o que acabou com o mercado de exportação no país. Jean-Marie Cardebat, professor de economia da Universidade de Bordeaux afirma que esse tipo de tarifa é comum na história da China e espera restrições semelhantes em breve também para os vinhos europeus. O motivo: a China é o quinto maior produtor de vinho do mundo e tem seus próprios vinhos para vender. “A estratégia chinesa é sempre a mesma”, disse Cardebat. “Primeiro, importação. Depois, aprendem como fazê-lo. Depois, criam barreiras comerciais. Acho que podemos esperar uma maior proteção do mercado na China” (quanto a esse assunto, é indispensável assistir o documentário Obsessão Vermelha, que fala sobre o avanço dos chineses como consumidores e depois como compradores de propriedades vinícolas na França). Cardebat também disse que, como as exportações francesas de vinho caem para os EUA por causa de tarifas e para o Reino Unido por causa da perda de incentivos de mercado da União Europeia e desvalorização da Libra, as vinícolas francesas aumentarão seus esforços para exportar para outros países, tornando a concorrência mundial ainda mais acirrada. Por exemplo, ele disse que as empresas francesas estão agora observando atentamente o mercado africano. Mas vinícolas de Portugal, Chile, Austrália e outros também querem vender vinho na África. Para se ter uma ideia, a americana E&J Gallo Winery (a maior vinícola do mundo em tamanho) já produz vinhos da marca Barefoot na África do Sul há algum tempo, para exportar para o resto do continente.

Por: Marcos Adair

 

 

O Alentejo e suas uvas: o blend alentejano tinto

13 de fevereiro de 2020 por Elmano Marques

ABRINDO ARMA DEF

Assim como no caso dos vinhos brancos, os grandes tintos do Alentejo, sem dúvida, são criados a partir do chamado Corte Alentejano, a combinação feita entre as principais uvas tintas da região junto com outras uvas portuguesas e também com uvas estrangeiras. O blend tinto mais tradicional do Alentejo é composto por Aragonês, Trincadeira e Castelão. Nos últimos anos, a adição de Touriga Nacional e das francesas Syrah e Alicante Bouschet tem sido cada vez mais comum. Quando jovens, os tintos do Alentejo apresentam coloração rubi profunda e violácea, notas intensas de frutas vermelhas maduras (amora, ameixa) e frutas negras maduras (ameixa preta, mirtilo), toques terrosos e especiados, boa estrutura e, ainda assim, costumam ter taninos de textura suave. Devido ao clima quente da região, possuem um teor alcoólico significativo e ficam prontos muito antes que os tintos do Douro, por exemplo, podendo muito bem ser apreciados quando ainda jovens. Nos últimos anos, conforme observa a revista Adega, muitos produtores tem focado em algumas castas específicas, especialmente em Syrah, Alicante Bouschet, Aragonez e Castelão. E estão sendo criados belos rótulos varietais que são aclamados pela imprensa especializada. Mas o blend alentejano ainda predomina na região, com sua acidez na medida certa e reconhecido potencial gastronômico.

Por: Marcos Adair

Mais tarifas de vinhos no horizonte (1)

12 de fevereiro de 2020 por Elmano Marques

AS TAXAS DEF

Enólogos e produtores estão alertas a previsões preocupantes de mares cada vez mais agitados à frente, à medida em que o comércio global se estreita e as nações tendem a criar suas barreiras protecionistas. Segundo o site Wine-Searcher, as tarifas americanas fixadas em face de vinhos europeus em outubro do ano passado são, ao que tudo indica, apenas o começo. E os impactos resultantes disso são mais amplos do que se imagina. As tarifas de vinhos impostas em Washington ao vinho francês aparentemente irão tornar o vinho mais barato na Nigéria, por exemplo, além de dificultar os negócios em países como o Chile. “O vinho é um alvo perfeito para o protecionismo”, disse Jean-Marie Cardebat, professor de economia da Universidade de Bordeaux, pois “o vinho é um produto agrícola e os produtos agrícolas têm as políticas mais protecionistas do mundo. É muito fácil encontrar razões técnicas para restringir as importações”. Como nenhuma guerra comercial é apenas unilateral, espera-se mais tarifas e mais barreiras comerciais ao vinho nos próximos anos.  “Acho que eremos uma guerra comercial entre a Europa e a América”, disse Cardebat.

Por: Marcos Adair

O Alentejo e suas uvas: as castas brancas

12 de fevereiro de 2020 por Elmano Marques

AS BRANCAS DEF

Sem dúvida, a alma dos melhores vinhos brancos do Alentejo está na uva Antão Vaz. Ela é tão única que é uma das poucas uvas para as quais não se encontra sinônimos. Origina-se na Vidigueira, parte sul do Alentejo, e até bem pouco tempo atrás estava restrita apenas àquela área, até que seu potencial passou a causar interesse. É consistente e produtiva, resistente à seca e a doenças e é ideal para o cultivo em locais de clima quente como o Alentejo. Possui aromas de frutas tropicais maduras, maçã verde, pera verde, casca de tangerina, mel e pedra molhada. Assemelha-se muito à Chardonnay, já que também faz vinhos estruturados, encorpados e persistentes, podendo passar por estágio em madeira. Normalmente aparece como a protagonista em blends, complementada com porcentagens menores das uvas Roupeiro e Arinto, que também são nativas de Portugal. Roupeiro (chamada também de Síria ou Códega) é a uva branca mais plantada no Alentejo, além de ser cultivada em Trás-os-Montes, Douro, Beiras e Algarve. Possui aromas de limão, tangerina, maçã verde e pera verde. Possui uma excelente acidez, que complementa as qualidades da Antão Vaz nos cortes dos alentejanos brancos. A Arinto (também chamada Pedernã) é outra uva branca que se destaca pela sua grande acidez, originária das regiões de Vinho Verde, Bairrada e Tejo. É muito vigorosa, mas de baixa produtividade e aromas muito discretos de frutas cítricas (casca de limão, tangerina) e frutas de caroço brancas (maracujá, pêssego e damasco). Há quem diga que a acidez marcante dos vinhos do Tejo e Alentejo é aportada por essa uva de caráter mineral e toque aveludado.

Por: Marcos Adair

Nasceu a Rioja Wine Academy (II)

12 de fevereiro de 2020 por Elmano Marques

RIOJA DOIS DEF DEF

O destaque  entre todas as ofertas oferecidas pela Academia é o curso “Formador Oficial de vinhos de Rioja”, um caso particular, pois é um programa voltado para um público mais especializado dedicado ao treinamento em vinificação. Os instrutores, palestrantes, escritores e jornalistas do mundo do vinho que desejam “se certificar em Rioja” devem enviar suas inscrições e passar por um processo de seleção. Aqueles que passarem nesse processo iniciarão seu aprendizado on-line, que serão concluídos com uma fase presencial em Rioja, no próprio Conselho de Regulamentação e visitando vinhedos e vinícolas da região. O período de inscrição para a promoção de 2020 do curso “Treinador oficial em vinhos de Rioja” está aberto de hoje até 27 de fevereiro.
A iniciativa da ‘Rioja Wine Academy’ baseia-se na enorme demanda obtida pelo programa “Educadores de Rioja”, um projeto que surgiu em 2016 e que neste momento permitiu ao Conselho Regulador certificar uma centena de treinadores que divulgam os benefícios de Rioja em mais de 20 países. “Observamos que, além de um público especializado em treinamento, a matéria ministrada gerava grande interesse em outros profissionais do setor dedicado à comercialização de vinhos Rioja ou da área de enoturismo das vinícolas. Também houve um número crescente de consultas para parte dos entusiastas do vinho, e a idéia era responder a toda essa demanda que não pudemos atender apenas por meio do programa Educadores “, disse Iñigo Tapiador, diretor de marketing do Conselho de Regulamentação do DOCa Rioja.

Nasceu a Rioja Wine Academy (I)

12 de fevereiro de 2020 por Elmano Marques

A RIOJA

O Conselho de Regulamentação do DOCa Rioja lançou a ‘Rioja Wine Academy’, uma escola oficial para a formação de vinhos da Denominação. A iniciativa incorpora uma oferta de quatro cursos: “Diploma em vinhos de Rioja”, “Diploma em comércio e distribuição”, “Diploma em enoturismo” e “Formador Oficial em vinhos de Rioja”.
O registro deve ser feito através do site www.riojawineacademy.com, uma plataforma de e-learning que está aberta hoje; Os módulos são ministrados 100% online, são gratuitos e podem ser realizados a qualquer momento. A ferramenta oferece conteúdo audiovisual, vídeos e testes interativos que tornam o processo de aprendizado agradável, intuitivo e adaptável ao ritmo de cada usuário. O objetivo é disseminar o conhecimento sobre Rioja de maneira acessível a tantas pessoas quanto elas estiverem interessadas.