4 de setembro de 2026
ABZ PLATAFORMA

A PERGUNTA / Amor é diferente de sensação de amor?

POR AUGUSTO BEZERRIL

@augustobezerril

augustobezerril@tribunadonorte.com.br

Um amigo certa vez me disse que tem coisa que parece amor por nos fazer a sensação de amor. Tenho sensação de felicidade quando vejo pessoas em momentos felizes. Gosto de quando as pessoas têm sucesso. Pessoas em plena sensação de ter realizado um desejo capaz de impregnar todas as células do corpo até que todos os cromossomos espelhem a imagens de uma espiral de felicidade. Fico feliz ou, voltado ao meu amigo, tenho a sensação do feliz quando sinto que de alguma forma contribui para felicidade de uma outra pessoa. Isto não significa que eu precise estar ou fazer parte daquele momento. Basta eu saber da atmosfera dos feliz que a sensação graciosa de bem me chega como o carinho para recém-nascido. A boa sensação é como um sofro de vida o oposto no traz a sensação de que, mesmo sendo vida, sentir o que é mau nos tira da energia da luz. E, calma aí, ninguém está imune de sentimentos ditos malévolos. A ciência nos fala em anticorpos. Todo mundo teve um dia febre.

Não gosto de festa de casamento. Se convidado, penso milhões de vezes. Digo que, dessa vez, irei. Quem já me convidou sabe que eu não fui. Gosto de saber como foi a festa. A alegria dos amigos e da família. Gosto de ver as fotos dos noivos felizes. Fico com se lá estivesse. Eu me transformo em capela, igreja, catedral de felicidade. Sou quase a Basílica da Sagrada de Família de tão feliz. Posto isso, eu também não gosto de festa de formatura. Fui à minha colação de grau tão somente para ver a alegria de mamãe e de quem torceu para aquele momento em que recebi o tal de diploma. Não vou dizer o ano. E caso vocês queiram descobrir não encontrarão nas placas do curso de Comunicação Social Jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. O organizador das ações e festejos achou por ser, assim feliz, que meu nome e o de Bianca Saldanha não constassem da placa. Motivo? Ao menos eu, respondendo por mim, disse que só participaria da colação do grau. Não sei qual o raciocínio: sinto-me feliz por na vida existir tão sádica pessoa. E mesmo com o passar dos anos e todo sucesso alcançado, gosto muito da sensação de ter tal e poderosa pessoa por longe. Se você chegou até a essa linha do texto, sabe que não precisei no nome da placa. Qual a sensação? Liberdade deveria ser a máxima de um jornalista. Nem sou tão jornalista assim, mas tenho a sensação do livre.

Vi alguns episódios de The White Lotus. Desde quando li O Amante, livro de Marguerite Duras, tenho desejo de conhecer o Vietnã e, por extensão, Camboja, Tailândia e arredores. Ao ver as paisagens das ilhas asiáticas e cenas urbanas de Bangkok, percebi que perdi quase que totalmente o desejo de ir por aqueles lados. Se eu for, fui. Não é um desejo que me move. Se não produz pulsão e movimento, o desejo continua sendo o real mesmo sem a sensação de desejar? Ando pensado achando interessante Roma. Na minha cabeça, quem vai à Roma vai ver o Papa. Não sei bem se Jesus seria feliz trancafiado no Vaticano. Quando vi numa tarde uma tourada em Salamanca, na Espanha, tive a sensação de como seria aterrador ver, estou por mim, ver as pessoas felizes no atroz combate dos leões do Coliseu. Não dei conta de ver aquela cena do touro e, mesmo achando linda a vestimenta do toureiro. Chamei meu amigo Marcos – um brasileira que estudava na Universidade da Pensilvânia – para ir embora. E não é que ele não estava também gostando e foi? Marcos não gostava de jazz. Mesmo assim, ele me acompanhava nos concertos por pontos da cidade. E daí então, íamos em diferentes bares e clubes numa mesma noite. Liberdade pressupõe possiblidade de escolha, quem vive em cidade onde pode-se caminhar, usar transporte público e pessoas de diferentes classes sociais e pensamentos podem convergir devem sentir a sensação de livres. Não fosse o calor que faz no Rio em janeiro, Copacabana me traz a sensação de muvuca e vida em dia qualquer dia, sobretudo, domingo.

Foto ABZ Tribuna do Norte

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