EUZINHO/ Fui ao Bloquinho do menino axé

POR AUGUSTO BEZERRIL
@augustobezerril
augustobezerril@tribunadonorte.com.br
Tudo é quando até mesmo nem chega a ser. Ontem, 15 de agosto de 2026, fui celebrar mais um aniversário de Lamonier Araújo em mais uma feijoada cujo dresscode era um abadá. No meio de vários colegas vestidos de Imprensa Que É Bom, encontro Gerson de Castro. Fui jogado há cerca de três décadas e me vi, ainda estudante do curso de Comunicação Social da UFRN, escrevendo e editando o jornal do Programa Ser, veículo da Secretaria de Ação Social de Natal. Zero afeito à pauta de política, eu tinha como missão mostrar como a formação profissional poderia impulsionar negócios e renda. Lá, posso rever agora nas minhas memórias, a então prefeita Wilma de Faria e o hoje senador Rogério Marinho, ainda jovem e entusiasta e incentivador do projeto. Ideologia fora, Gerson de Castro me deixava livre para se ater somente aos fatos. As reportagens contavam histórias e o quanto cada ação do projeto reverbera na vida real. Nunca, em instante algum, houve qualquer menção sobre orientação de voto, seja da fonte ou mesmo da equipe. O ambiente era absurdamente profissional. O texto de hoje, coincidentemente, é escrito no período de estudo formulação editorial de ABZ TRIBUNA DO NORTE para 26/27.
Por sorte, o jornal do Programa Ser era consagração de um sonho: trabalhar com design gráfico de jornal. Cedo, muito antes de ter o diploma, eu tinha o presente de fechar páginas com Cavalcanti. Estou falando sobre o mesmo profissional responsável por desenhar até a capa do Diário de Natal. A produção do jornal do Programa Ser tinha, para mim, o mesmo elemento de estudo teórico de Cultura Vogue de Estilo – projeto de conclusão de curso. Qual investigação? Como um veículo produz uma narrativa de marca, branding, capaz de espelhar a persona do leitor. Bem antes de Francesco Morace lançar Consumo Autoral, Euzinho, guiado pelo professor de Semiótica Eduardo Pinto e tomando a experiência de Cavalcanti, estava a exercitar autoria mediante variações de estilo. Naquele momenti, escrever era treinar uma habilidade que eu desconfiava não ser o meu melhor. Desenhar projeto com designer gráfico e um semiótico seria o caminho para um Master em Navarra na Espanha. A ideia de pós ficou para depois, porém, a cultura da península ibérica ainda me interessa além da estética, mais pela via da antropologia, sociologia e semiótica, obviamente.

Lamonier é um menino axé, cuja carreira acompanho desde a TV Cabugi, afiliada da Globo. Fico feliz por ter sido o primeiro a escrever sobre o fato dele ir comandar a sucursal da TV Assembleia em Mossoró. Mais feliz eu fiquei por saber que Gerson também reconheceu o talento e competência de Lamonier. Gosto de gente feliz. Gosto de observar a possibilidade de novos líderes de redação como agentes para consolidação do bom jornalismo. Revendo agora, agradeço a sorte de eu sempre ter trabalhado em total liberdade. Antes de ser jornalista, trabalhei como chefe do setor de custos de uma grande empresa. Eu escrevia, calculando, cerca de umas 30 páginas de planilhas. Tudo feito à mão. O orçamento era de milhões, mas bastava um centavo de diferença para que o todo estivesse em risco ou errado. Era o jornalismo em números.
Fotos ABZ TRIBUNA DO NORTE
