9 de fevereiro de 2026
ABZ PLATAFORMA

EUZINHO / E a luz entre Tieta e Odete Roitman

POR AUGUSTO BEZERRIL

@agustobezerril

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Luz, cenografia e figurino. Gosto, como alguém que gosta de cinema, de recursos cênicos. Certa vez, ouvi do maquiador Fernando Torquatto sobre os cuidados em se posicionar frente às luzes. Se eu entendi, a regra é nunca ficar com o rosto rente à luz. Acho que talvez por isso, tenham me achado especialmente bem aparentado em lugares como o bar Galeria Café, localizado no Rio de Janeiro, e eu tenha tido cenas típicas de um filme de Almodóvar na finada Ultralounge, em São Paulo. Tudo efeito, nesses citados episódios, do ambiente e da trilha sonora. Ficava bem, penso eu, quando imerso nas águas do Porto da Barra, em Salvador, quando o sol se punha no mar. Acho o instante tão lindo, que confesso, qualquer pessoa fica linda naquele tão arrebatador estado de beleza da natureza. Podem dizer que o lugar tem axé. E eu direi, sim, acredite nesse axé. Ponha-se Tieta.

Cariocas e paulistanos ficam meio sem saber onde botar toda pletora de fantasia de seus carros alegóricos quando frente ao natural de um sotaque nordestino e o jeito de pouca importância para as estórias de heranças dos tempos do Império e da então República. Euzinho, nascido numa capitania das mais distantes do ponto onde o Brasil foi descoberto e para onde o “poder” seguiu rumo ao sul, tenho uma curiosidade de pesquisador em laboratório quando o tema é “Grito do Ipiranga“. Nunca me interessei muito sobre a vida da Marquesa de Santos Tirando a beleza de Maitê Proença, não me interessei muito na história de Dona Beija. E continuando na dramaturgia brasileira de novela e cinema, gosto das versões de Xica da Silva. Pois bem, durante o fim de semana, conheci a personagem Consuelo Pimenta, interpretada por Arlete Sales, em Babilônia. O que tudo isso quer dizer? Que eu tentei me dedicar a fazer “nada”.

Muitos contados amigos (acho que não passam de dois) sabem do meu instante de frente com Gilberto Braga. Estava eu num bar em Ipanema, no exato ponto em que a luz parecia bem ao estilo de filme noir. Poderia até ser preto-e-branco, ficaria igualmente todo mundo muito bem na foto. Lembro que um rapaz de alguma cidade do interior do Rio de Janeiro, comentou algo e conversamos sobre coisas do Rio. Em seguida me direcionei para outro ponto do espaço. Eis que esbarro com um senhor de pele branca, óculos, os lábios levemente trêmulo (se é que percebi direito). No esbarrar e troca de algumas palavras, eis que o criador da personagem Odete Roitman me convidou para ir para outro bar. Eu agradeci. Ele disse ser confiável e adiantou ser “escritor”. Eu olhei nos olhos dele com ar de “não, não”. E ele, muito elegante, seguiu em direção oposta. Pouco depois, vi que ele conversava com o rapaz que tinha puxado conversa comigo Acredite se quiser: não sei o que fiz antes ou depois, porém, creio que, naquela noite, o lugar mais seguro, para mim, era a luz conhecida do Galeria do Café.

A foto que ilustra o texto, foi feita por mim, dentro da Fundação Iberê Camargo, tendo a luz do fim de tarde sobre o Rio Guaíba, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. E muito me faz pensar em #férias.

Foto Reprodução

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