14 de junho de 2026
ABZ PLATAFORMAEUZINHO!

EUZINHO / Um texto irritantemente (in) significante

POR AUGUSTO BEZERRIL

@augustobezerril

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Desde o fim de semana tento escrever um texto sobre turismo, tendo como ponto de partida e chegada Jorge Amado, ao passo que tento me desvencilhar de uma tosse chata, acompanhada de dores no corpo e uma vontade de fazer milhares de coisas, inclusive coisa alguma. Fui obrigado, ontem, a parar. Fui motivado, hoje, reiniciar funções das prosaicas, enquanto, minha cabeça ainda estava a pensar na direção de arte, figurino e fotografia de O Quarto Ao Lado, filme de Almodovar, que por aqui, não conseguiu arrebatar. O pouco caso brasileiro frente às atuações de Tilda e Juliane Moore bem como todo o filme, pode estar contida no próprio filme. Algumas falas, para mim, soaram melodramáticas. Talvez eu tenha deixado me guiar por demais pela direção artística. Mais precisamente pela estética, presente em quase todo filme, de David Hockney,

Por alguma ordem patética das redes sociais, o Instagram me sugeriu um perfil no qual a pessoa se dizia ser a mais criativa sei lá de onde ela tenha sido posta no mundo. Por sintoma talvez, Euzinho – que andei pesquisando sobre o trabalho de Bina Daigeler, figurinista do O Quarto Ao Lado e da série Balenciaga, e demais recursos de estilo do filme de Almodovar, desisti de escrever sobre Ilhéus e os encantos da Bahia de Jorge Amado. Bem da verdade, eu desisti de tudo que eu havia pensado sobre Tilda, enquanto artista e influencer intelectual. Da soma das desistência, sobressai-se o fato de que, há algum tempo, eu desisti de Cannes e de Berlin. O Oscar, aquela premiação norte-americana, que esnobou exatamente o primeiro filme de Almodovar em língua inglesa, há algumas décadas não sei direito quem for mais por lá. Desisto!

Não sei se é efeito de noite não bem dormida e da dificuldade de respirar e fazer tarefas corriqueiras, eu me pus irritadiço por dedicar-me à direção de arte: ser afetado por cada escolha, desde a casa modernista (que não fica nos Estados Unidos), alternância de cores de trajes e objetos de cena até inferir de qual estilista é o tricô usado por Tilda (na foto 01). Levando-se em conta as citações, minha reação ao filme tem muito do meu reencontrar a obra do diretor espanhol e, sobretudo, por ser atraído por Tilda. Ao final da película (vamos botar um pouco de Espanha no texto), descobri que Juliane Moore é uma das minhas atrizes preferidas. Nem sempre foi assim. Por muito tempo, Juliane era, aos meus olhos, a definição de da atriz de Holywood. Coube ao cineasta e estilista Tom Ford fazer com que eu mudasse de ideia sobre a atriz. A gente não tem controle sobre as coisas. O que seria um texto sobre Jorge Amado se converteu em declaração inesperada de apreço por uma atriz de Holywood.

O Quarto Ao Lado está disponível na Netflix.

Foto reprodução

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