12 de setembro de 2026
ABZ PLATAFORMA

EUZINHO/ Vi um Pão de Açúcar no Cariri da Paraíba

POR AUGUSTO BEZERRIL

@augustobezerril

augustobezerril@tribunadonorte.com.br

De sábado pra domingo, eu postei uma imagem de uma serra do Cariri paraibano e adicionei um remix de Marina Lima. De Paris, Geova disse que a serra parecia o Pão de Açúcar. Carioca que é, Marina me reposta a foto. Lembrei-me do jornalista Silvio Andrade considerar chique o fato de eu ter uma música de Marina para diferentes momentos da minha vida. Porém, na exata cena da minha novela em que Marina seria a escolha mais óbvia e feliz, eu me pus a ver a paisagem urbana do Rio de Janeiro ouvindo Elis Regina cantar “só tinha que ser com você”. Parafraseando a letra, eu acho bonito demais perceber a paz de saber que Deus me deu muito mais do que eu poderia receber. Até ir parar, sem esperar, na Paraíba.

Na minha minha primeira temporada de carteira assinada na Tribuna do Norte, certa tarde, depois de receber o convite para cobrir a Semana Barra Shopping de Estilo — evento que deu origem ao Fashion Rio —, Carlos Peixoto, então diretor de Redação, me chama para avisar que, após demitir um monte de gente, eu constava como o único nome capaz de ser automaticamente absorvido pelo mercado. Ele citou alguns nomes que, segundo a avaliação dele, sobreviveriam somente sendo jornalistas. Eu seria demitido por ter talento e múltiplas habilidades. Eu tinha acabado de ser pai, contava até os centavos — lembrança que me veio forte agora neste Dia dos Pais. Contudo, não gostaria que meu trajeto profissional fosse submetido à dramatização (verdadeira) da realidade de um jovem pai. Dei-me ao luxo de acreditar no mérito, eu era o que produzia. Zero contato pessoal além da redação.

Contei a Silvio Andrade a novidade. Ele me aconselhou a fazer uma ótima cobertura, sem pensar que iria cumprir aviso prévio, e quando chegasse buscasse um novo posto de trabalho. Fui e dai virei convidado de eventos nacionais. Logo de cara, os deuses do bom jornalismo fizeram com que eu partilhasse a cobertura com Concita Carvalho, Lula Dufrayer, Fabiana Gitsio, Jhonny Anderson, Ailton Pimentel e a deusa pernambucana Fabiana Moraes. Um grupo plural e muito brilhante. Ali, eu já estava onde estou hoje, dando minha versão sobre a vida.

Cedo, eu já havia alcançado a condição de colunista. Antes mesmo de ser repórter especial na Tribuna do Norte, eu já tinha coluna na revista RN Econômico. Idris Saldanha, que pude reencontrar semana passada, é testemunha. Antes, eu já havia assinado a coluna social como interino de Eliana Lima, quando começou o Jornal de Hoje. Eli, graças a Deus, fugia da postura de colunista dado a chiliques e bizarrices. Certamente, ela viu em mim um profissional capaz de assumir o espaço por um breve período. Jota Oliveira é outro nome que logo observou algum talento em mim. Oliver se foi sem nunca termos desavenças. Quando ele se aperreava, eu dizia “você me ama“. A gente ria e resolvido. O que talvez mais nos unia era ou é a capacidade de avaliar qualidades.

Oliver era um evento em pessoa; eu sempre fui, acho, low profile.Nunca pensei em ser colunista e muito menos diretor de redação, sempre me observei como editor. É o que sou em ABZ TRIBUNA DO NORTE. A pauta tem sinergia com os temas de estilo de vida com foco no leitor da TN. ABZ existe, tendo começado em meia página da edição de quinta-feira do caderno Viver, a partir de um projeto incentivado por Ricardo Alves. A iniciativa não saiu do papel ou não foi para o papel. Porém, vive.

As coisas são como acabam sendo. É flagrante o furtivo recado da imagem do Pão de Açúcar do Cariri ao som de Marina Lima. Eu fiz a foto sem pensar no Rio. A paisagem paraibana me conduz muito mais ao cicloturismo. O turismo low tech. Uma ideia de bike trip. Ando com umas tentações de destinos com base em literatura. Depois de passar os últimos dois anos sendo meio turista acidental em happenings natalenses, eis que retorno ao low para tempo slow. É o forward. A pintura vista no post é o Dois Irmãos, obra de Ítalo Trindade.

Fotos Divulgação

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