19 de agosto de 2026
ABZ PLATAFORMA

Quem responde a pergunta do dia: MODA É ARTE ?

POR AUGUSTO BEZERRIL

@augustobezerril

augustobezerril@tribunadonorte.com.br

Hoje é dia de confusão, vamos fugir do litígio, sem deixar de falar sobre a questão, por assim dizer, litigante. Moda é arte? A surrada pergunta ganha visibilidade, especialmente hoje, quando o MET Gala decidiu que o dresscode da festa de abertura da exposição Costume Art seria e será Fashion Is Art. No histórico dia 04 de maio de 2026, hoje, quando a moda sai literalmente do porão do museu de Nova York e ganha salas permanentes Condé M. Nast. A sugestão do traje repõe a moda à órbita do vestuário. E repousa, portanto, na ideia de função de vestir e despir o corpo. A proposição distancia do conceito de moda como fenômeno social, cultural e econômico gravitado pela urgência do novo, mas como o dedicar o fazer as vestes. Ao parar numa sala de museu, hoje, quando tempo das modismo esvai na velocidade e ferocidade das bolhas , hoje, talvez faça da fruição, no olhar em tempo pausado, objeto criativo do estilista em arte.

A ideia de moda, assim como nos comunica, surgiu no final do século 19, quando Frederick resolveu romper a concepção artesã do costureiro. Ao abrir em 1857 sua Maison em Paris, Charles Frederik Worth pretendia e, em parte conseguiu, fazer com que o estilista tivesse liberdade de criar, abolindo (não totalmente) dos desejos dos clientes. O primeiro rei da Moda propiciou a adição de uma etiqueta, tão comum hoje, de identificação do que chamamos marcas ou estilista. A criação do sistema de lançamentos viabilizou iniciativas autorais e aproximação da Moda tal como arte. Em 1913, Paul Poiret declarou: “Sou artista, não sou costureiro”. De Schiaparelli, passando por Chanel e Yves Saint Laurent até Issey Miyake, Rei Kawakubo, Martin Margiela e um série criadores contribuíram para flerte, namoro e até casamento entre fashion and art. Henri Matisse, Salvador Dali e Gustavo Klimt, só para citar alguns, dedicaram ao labor da moda.

A história conta, contudo, de a moda ter invadindo todas as esferas da vida ocidental. A moda fez nascer um novo tipo de pessoa, revelou o filósofo Giles Lipovetsky, chamada de “pessoa da moda“. O ser passou de consumidor à mercadoria. O corpo passou a vestir a roupa. Estamos diante de um nó acadêmico. Quem vai desatar o conflito entre da impossibilidade teórica da existência de valor artístico em objeto cuja criação não deriva da finalidade única de fruição? Se no tapete vermelho, fashion is art no corpo dos convidados. Na salas a serem inauguradas no Costume Institute, a vestimenta experimenta suportes outros de exposição de arte. Parece irônico que, em tempos de Monjaro e das mais extremas iniciativas de adequação, a função do vestir (não a roupa) diversa do escopo da arte. “A moda é evidência do impulso de aproximar o corpo de um ideal transitório e alusivo“. A frase dita há alguns por Harold Kobra – curador do Metropolitan Museum – cai perfeita ao dresscode do baile, que tem como co-presidente Anna Wintour, musa inspiradora da personagem Miranda de O Diabo Veste Prada.

Pois bem, estamos em 2026. Em entrevista à Vogue, Andrew Bottom – curador do Costume Institute e responsável pela mostra Costume Art – disse ter concebido a exposição a partir “da centralidade do corpo na vasta coleção do museu”. O acervo abrange pinturas, esculturas e demais objetos de mais de 5 mil anos do MET, junto ao acervo contemporâneo do Costume Institute. O conjunto Corset Anatomia, criado pela brasileira Renata Buzzo (veja foto 01 de Anna-Marie Kellen ) foi escolhida para integrar à mostra. “Tem um corpo que saiu da sarjeta e foi morar no museu”, escreveu Renata sobre a inclusão da peça da coleção verão 2025 na história da moda enquanto arte. Bottom nos coloca diante da questão de como estilistas utilizam o corpo como tela em branco. Podemos utilizar, material basilar da arte de esculpir, o barro.

Parabéns, Renata Buzzo.

Fotos Reprodução

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