REACT / Balmain traz sensualidade noir do pós #guerra

POR AUGUSTO BEZERRIL
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Toda Maison nasce de uma fundação e, para o novo diretor criativo da Balmain, Antonin Tron, essa fundação leva a 1945, quando Pierre Balmain estabeleceu sua casa em uma Paris em plena transformação social e cultural. Revisitar essas origens não é um gesto nostálgico, mas um exercício de atualização: encontrar, nos arquivos, códigos que permanecem vivos, pulsantes e absolutamente contemporâneos. É o que se viu no desfile da grife, ontem, na Paris Fashion Week.

Na leitura do legado de Pierre Balmain, Tron reconhece na essência da Balmain uma celebração arquitetônica do corpo feminino, uma silhueta que exalta formas com precisão estrutural, refletindo um novo mundo para as mulheres, pautado por dinamismo, sensualidade e uma opulência moderna em sua contenção. O que se traduz na passarela em erotismo quase provocativo da primavera de 1946 e às técnicas de drapeado de 1953.

Tron revisita a alfaiataria emancipadora da icônica jaqueta de piloto da Maison, agora transformada em um leitmotiv aerodinâmico que percorre toda a coleção. O animal print, outro código histórico da casa, ressurge sob um olhar renovado: tigre, leopardo e crocodilo aparecem reinterpretados em bordados minuciosos, organzas etéreas e couros macios, enquanto penas adicionam leveza e movimento.

Tron reafirma as raízes de alta-costura da Balmain ao valorizar o savoir-faire artesanal e desenvolver tecidos luxuosos que são suntuosos sem serem excessivos. Cetim, veludo, shearling, jacquard cloqué, couro e renda surgem em uma paleta noturna dominada por negros profundos, além de roxos e verdes que evocam uma riqueza orgânica e misteriosa. Nos acessórios, a sensualidade encontra a funcionalidade. A bolsa Sphynx combina maciez e estrutura em uma silhueta ampulheta, enquanto a clutch Dinner at 8, inspirada no universo utilitário do surfe.

Confira em @abzconecta série React das semanas de moda por Augusto Bezerril e Herbene Pessoa.
Fotos Divulgação
