Saiba como o mundo da moda muda para não mudar

POR AUGUSTO BEZERRIL
@augustobezerril
Setembro chegou e o mundo, ao menos da moda, não será o mesmo de modo que o sistema de moda do mundo continue funcionando a partir do poder das semanas de moda de Milão. O dia de hoje foi alinhavado e costurado há alguns anos. Quer um exemplo. Quem imaginaria que dia 04 de setembro de 2025 estivessem os jornalistas de moda escrevendo sobre a estreia de Louse Trotter na Bottega Veneta? Para se ter ideia do poder sinalizador da notícia basta dizer que ela – conhecida pelo trabalho na Carven – substitui Mathieu Blazy que deixou a casa italiana para ser o diretor de criativo da Chanel. Estamos falando sobre uma marca que se fez influente e uma das mais valiosas marcas de luxo do mundo. O que, para quem curte novidades, deixa tudo mais divertido!

Em noite Maicê, Erika Nesi usa bolsa Bottega Veneta de coleção assinada por Mathieu Blazy.
Se fosse um carrossel tipo aquele de parque de diversões, as atenções seguiriam igualmente divididas durante os passar dos desfiles de Milão e Paris. Depois de influenciar o mundo por décadas na Valentino, Pierpollo Piccioli estreia na Balenciaga. Jonathan Anderson, também depois de posicionar a Loewe entre as mais influentes e desejadas marcas do pleneta, apresentará a coleção feminina da Dior. Os fundadores da Proenza Schouler passam a ser os nomes da Loewe. Entre os debuts, Dario Vitale sinaliza sopro de renovação na Versace. Os ventos renovadores chegam ainda na Mugler, Jil Sander Maison Margiela e Jean Paul Gaultier. Voltando à imagem do carrossel, as semanas de moda estarão cheias de cavalinhos prontos para alegrar os olhos e corações, roubar atenção de modo a se fazer influentes e, mais importante, de tudo, fazer barulhinho nos caixas bilionários das maisns.

Paulinha Gaspar, na foto usando Palone Design, consta entre as primeiras ou a primeira das potiguares a usar Bottega Veneta e Loewe.
Parece uma ironia própria da moda, o fato de que, enquanto todo o planeta fala sobre as maravilhas de Inteligência Artificial, as grandes casas espetem os dedos nas agulhas de seres humanos de carne, osso, sensibilidade e inteligência. Outra ironia, igualmente deliciosa da moda, é o fato de que, tirando o capitalismo de isenções e incentivos, grifes e marcas existem por vender a partir de uma escala orientada pelo furtivo do desejo e paixonistes. A rebelde moda não se submete aos desejos de tecnocratas e todo e qualquer desejo totalitário. Não existe moda sem liberdade e talvez o novo da moda não seja nenhum dos cavalinhos de novidades do (apontando acima) carrossel. Lembre-se que há alguns anos pouca gente tinha bolsa Bottega Veneta ou usava Loewe. O instagram Herbene Pessoa @herbenerp é ótimo para seguir temporada de desfiles.
