3 de dezembro de 2023
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RIO-2016: No tênis, Bellucci derrota belga e agora espera por Nadal nas quartas de final

Oito anos depois de disputar os Jogos Olímpicos pela primeira vez, em Pequim 2008, quando perdeu na primeiro rodada para o eslovaco Dominik Hrbaty, e quatro anos depois da frustração de ter sido eliminado logo na estreia em Londres 2012 pelo francês Jo-Wilfried Tsonga, Thomaz Bellucci encontrou, no Rio de Janeiro, sua redenção olímpica.

Nesta quinta-feira (11.08), o brasileiro, número 54 do ranking, entrou em quadra para enfrentar o belga David Goffin, um rival de 25 anos, atual número 13 do mundo, contra quem o retrospecto em três jogos era desfavorável, com duas vitórias para o rival e uma para Bellucci. O paulista vencera em 2013, em Auckland, na Nova Zelândia, mas vinha de duas derrotas seguidas, uma em 2015, em Gstaad, na Suíça, e outra este ano, em Brisbane, na Austrália.

Mas depois de passar pelo alemão Dustin Brown e uruguaio Pablo Cuevas nas rodadas anteriores, Bellucci, contando mais uma vez com o apoio da torcida, soube superar os momentos de dificuldade no primeiro set e, ao final, triunfou por 2 x 0, com parciais de 7/6 (12/10) e 6/4. Com o resultado, ele se classificou entre os oito melhores do Rio 2016 que disputarão as quartas de final e, agora, terá pela frente ninguém menos do que o espanhol Rafael Nadal, ouro em Pequim 2008 e dono de 14 títulos de Grand Slam. O horário da partida só será divulgado à noite, após o final da rodada desta quinta-feira.

Aplaudido de pé pela torcida após o triunfo sobre Goffin, Bellucci confessou que nem ele esperava chegar tão longe. Mas avisou que, apesar de reconhecer o favoritismo do espanhol, ainda sonha em chegar mais longe.

“Para mim até agora está sendo uma semana muito especial. No começo da semana talvez nem eu mesmo esperava chegar tão longe. É claro que você sempre trabalha para se superar e para ter resultados cada vez melhores. Eu vinha trabalhando muito forte desde o começo do ano, com resultados ruins até então, e agora no segundo semestre a gente melhorou um pouco, conseguiu encaixar alguns resultados e então é a recompensa do meu trabalho. Eu acredito que até agora estou fazendo uma grande Olimpíada, minha equipe está me apoiando bastante, meu preparador físico, meu técnico, João (João Zwetsch), a gente tem feito um grande trabalho”, comemorou Bellucci, que hoje igualou a campanha de Guga em Sydney 2000, quando o tricampeão de Roland Garros avançou às quartas e perdeu para o russo Yevgeny Kafelinikov, que acabou ficando com o ouro.

“O Guga é um cara incomparável. É difícil você comparar com o que o Guga fez o cenário nacional. Então, para mim, eu vejo isso mais como uma meta pessoal minha. Tenho até agora feito uma grande semana. Ontem eu falei que se saísse com a derrota de quadra (contra Goffin) eu já iria sair feliz porque tinha dado o meu 100% centro de quadra e jogado com a torcida. Acredito que isso foi o mais importante nessa semana. Eu ganhei o carinho da torcida, está todo mundo torcendo por mim e a atmosfera está sendo incrível. Então agora é entrar na quadra e dar o meu melhor. Eu estou feliz por tudo o que tem acontecido até agora, mas acredito que posso ir mais longe ainda. Meu objetivo não é parar aqui não. Eu quero ir mais longe”, disse o paulista, que já classifica o duelo contra Nadal como um dos mais especiais de sua carreira. Para ele, a chave vai ser manter a calma.

“Vai ser uma partida muito importante para mim, uma das mais importantes da minha vida, e espero entrar tranquilo. Claro que vou estar um pouco nervoso, mas tenho que me tranquilizar para dar o meu melhor na quadra”, analisou. Sobre a maratonas de jogos do espanhol – que nesta quinta venceu o francês Gilles Simon e ainda está escalado para jogar hoje as duplas e as duplas mistas – Bellucci acredita que o rival está preparado para isso e que o desgaste não deverá prejudicar o desempenho de Nadal.

“O Nadal é um cara que fisicamente é muito forte. Mas duas duplas para ele eu acho que não vai ser tão cansativo. Então, taticamente dentro da partida eu vou ter que me portar igual. Não vai mudar nada”, afirmou Bellucci.

O jogo

O primeiro set foi um teste cardíaco para a torcida brasileira. Belucci começou confirmado o serviço e o belga também. Mas logo no terceiro game, o brasileiro não jogou bem e, com uma dupla falta no último ponto, teve seu serviço quebrado. Depois de Goffin confirmar o serviço e fazer 3/1, o paulista se viu novamente em situação complicada quando o rival fez 0/40 e teve três chances de quebrar o serviço mais uma vez. Mas, empurrado pela torcida, Bellucci reverteu a situação e manteve o saque: 3/2. No sétimo game, o dono da casa mais uma vez se viu em apuros quanto o placar estampou 15/40. O brasileiro, entretanto, mais uma vez suportou a pressão e fez 4/3.

Com os dois tendo confirmados seus serviços sem problemas, Goffin sacou no décimo game e, jogando muito bem, Bellucci devolveu a quebra e empatou o set em 5/5. Foi então que o belga quebrou o serviço do brasileiro mais uma vez, mas, na sequência, foi novamente quebrado, o que levou o set para o tie-break. Aí, sim, o jogo pegou fogo e a torcida sofreu com tanta tensão. Mas, ao final, Bellucci fechou por 12/10 e saiu na frente na duelo de forma heroica, após 1h10min de jogo.

No segundo set, a partida seguiu sem surpresas até o 3/3, quando Bellucci quebrou o saque de Goffin e logo depois confirmou seu saque para fazer 5/3 e ficar a um game da vitória. Goffin fez 5/4 e então Bellucci foi para saque. O belga ainda teve um break point, mas o paulista reverteu a situação e chegou à vitória por 6/4, carimbando vaga nas quartas de final. “O primeiro set foi a chave do jogo. É difícil você jogar um primeiro set, perder daquele jeito e depois recuperar. Acredito que mentalmente foi um primeiro set difícil para ele”, encerrou Bellucci.

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