Chapecoense e Corinthians foram punidos pela ação de torcedores que abriram uma faixa contra a CBF na Arena Condá.  Denunciados por não prevenirem e reprimirem a ação, os clubes foram multados em R$ 5 mil. Expulso em campo, o atleta Thiego, da Chapecoense, foi advertido por ato desleal ou hostil. Proferida pela Primeira Comissão Disciplinar na manhã desta segunda, dia 25 de julho, a decisão cabe recurso.

No confronto entre as equipes, realizado no dia 9 de julho, o árbitro narrou o uso de sinalizadores em dois pontos distintos e a necessidade de paralisação da partida devido o uso de uma faixa contra a CBF, organizadora da competição. Segundo a súmula, os fatos ocorreram na arquibancada onde estava localizada a torcida do Corinthians, visitante.

Em julgamento, a Chapecoense ouviu como testemunha o Diretor Jurídico do clube, Luis Sérgio Grochot, responsável por lavrar o Boletim de Ocorrência do torcedor identificado e detido com um dos sinalizadores.O Dirigente explicou as medidas tomadas e destacou que afirmou ao policiamento que o clube mandante tinha a responsabilidade de recolher a faixa.  Após o jogo ser paralisado, Luis se dirigiu a um Tenente-coronel pedindo o recolhimento da faixa, mas o mesmo se negou a buscar e afirmou a preocupação de um possível confronto com a torcida organizada do Corinthians.

A Chapecoense ouviu ainda um dos policiais que deteve um torcedor com sinalizador.

“Estava em serviço no jogo e vimos primeiro algumas faixas e bandeiras sendo expostas no primeiro tempo , mas não dava para ver se eram ofensivas. A gente se posiciona no alto da arquibancada nas costas dos torcedores. O jogo foi parado e quando tentamos ir até a faixa ela sumiu e não conseguimos mais identificar onde estava. Retornamos ao nosso posto. Na terceira vez que a faixa subiu, reunimos uma equipe e quando estávamos descendo  a faixa desceu e o sinalizador que estava ligado nós conseguimos identificar e deter o torcedor”, disse o policial, que destacou ainda a dificuldade em sair com o torcedor detido e que a equipe chegou a ser agredida com socos chutes, disse Eduardo José Heckler.

Para a Procuradoria, os fatos ocorridos atrapalharam o bom andamento da partida e precisa ter uma resposta a altura. O Subprocurador Luciano Hostins reforçou ainda que os clubes não realizaram o que prevê a exceção do artigo 213 e ,desta forma, merecem punição.

“Por diversos momentos a partida foi interrompida. Foi a utilização de uma faixa ofensiva a todos e manifestações políticas devem ser coibidas de forma rígida. A utilização de sinalizadores é perigoso. Destaco mais, a apresentação do boletim de ocorrência é uma exceção.  Não eficaz a prevenção que de fato não foi, cabe a repressão.  Foi apresentado apenas um boletim com a identificação de um único cidadão. Ele não agiu sozinho e deve todo o grupo responder. A própria repressão não foi eficaz. Se continuarmos agindo desta forma, vamos incentivar esse tipo de atitude”, disse Luciano Hostins.

Martinho Miranha, defensor da Chapecoense, classificou a questão como de baixa gravidade e explicou que a faixa dava para enrolar nas mãos, enquanto o sinalizador foi utilizado como lanterna para dar maior visibilidade a faixa. Segundo a defesa, o torcedor foi identificado e detido, o que comprova que a Chapecoense não contribuiu de nenhuma forma para o evento danoso.

Em defesa do Corinthians, o advogado João Zanforlin lembrou a briga política na presidência da CBF e sustentou que jogando em casa e com mais de 40 mil torcedores jamais houve alguma faixa provocativa ou ofensiva. “Se lá na casa deles não fazem, por qual motivo vão fazer na casa do adversário?”. Zanforlin encerrou pedindo a desclassificação da conduta para o artigo 191 por entender que não houve desordem na conduta.

Com a palavra para voto, o relator Douglas Blaichman desclassificou a conduta de Thiego para o artigo 250 e aplicou a pena de advertência do jogador da Chapecoense. Com relação aos clubes, o Auditor destacou a paralisação do jogo em três momentos distintos e, desta forma, aceitou o pedido da Procuradoria para condenar as equipes em duas infrações no artigo 213. Pelo uso da faixa, Douglas aplicou multa de R$ 5 mil a Corinthians e Chapecoense, enquanto pelos sinalizadores multa de R$ 20 mil a cada clube, totalizando R$ 25 mil de multa.

O Auditor Carlos Eduardo acompanhou o relator na desclassificação e advertência ao atleta Thiego, mas divergiu para absolver os dois clubes por entender que as medidas necessárias e possíveis foram tomadas por ambas as equipes. Em seguida, a Auditora Michele Ramalho acompanhou o relator na íntegra por entender que a conduta no uso de faixa e sinalizadores devem ser repreendidas.

Último a votar, o Presidente Lucas Asfor Rocha acompanhou o relator para aplicar multa de R$ 5 mil a Corinthians e Chapecoense pelo uso da faixa na torcida, mas divergiu para absolver o atleta Thiego da denúncia e absolver os dois clubes no uso de sinalizador por entender que o Boletim de Ocorrência eximiu as equipes da responsabilidade.