A educação e o esporte precisam caminhar juntos
Em tempos de protestos por todo País em defesa da educação, vamos lembrar que boa parte dos nossos atletas de futebol não concluem o primeiro grau. Alguns chegam ao segundo grau e pouquíssimos conseguem um diploma universitário. Em outros países, com modelo educacional/esportivo diferente, um grande número de atletas cursa as universidades, que apoiam a prática esportiva e fortalecem torneios próprios.
Essa associação é importante na formação dos cidadãos, afinal, nem todo jovem que treina será um atleta profissional. Para o leitor ter uma ideia, de acordo com uma pesquisa divulgada pela Universidade do Futebol, a proporção de jovens que conseguem alcançar êxito no futebol é muito baixa.
Segundo o levantamento, de três mil crianças que tentam seguir a carreira de jogador profissional, apenas uma consegue. Ou seja, 0,03% atingem o objetivo. Lembrando que, aqui mesmo, na coluna, já trouxe números que apontam que 80% dos jogadores recebem cerca de um salário mínimo.
Esses números mostram que a Educação precisa caminhar lado a lado com o Esporte, afinal, seguindo a estatística da nota anterior, 2.999 jovens não terão chances como profissional.
Além disso, aquele que consegue, tem muito mais chance de ser apenas um assalariado, ainda que jogando futebol. Sendo assim, estudando, ele teria mais oportunidade de ser um profissional em outra área, com possibilidades maiores de ganhar acima do mínimo.
Em resumo, a fantasia de ser um craque milionário não deve ser apagada da mente dos nossos jovens e sonhadores atletas, mas ela precisa estar acompanhada de uma “carta de seguro”, sob o risco do esporte ajudar na formação de um grupo ainda maior de subempregados e cidadãos sem perspectivas.
Por essas estatísticas, apesar das dificuldades com o ensino no Brasil, é muito mais provável, para a criança carente que estude, atingir seus objetivos, que para uma criança que joga apenas o futebol.
Primeiro, as famílias precisam estar atentas a essa realidade. Depois, o clube formador tem que ser mais cobrado em relação a qualidade de sua formação.
Falta, na maioria dos casos, maior consciência social aos dirigentes. Grande parte matricula o jovem em escola pública, não acompanha desempenho e não incentiva a continuidade dos estudos após o ensino médio.
Os próprios jovens, grande parte vindo de famílias com problemas e sem apoio psicológico, se desinteressa pelos estudos e usa as necessidades das viagens para jogos, o calendário difícil e outras justificativas para abandonar os livros e investir na carreira de jogador.
Diante dessa realidade, o Estado (poder público) precisa criar uma política pública para o Esporte, incluindo essas situações específicas, não apenas do futebol, mas também no que diz respeito às outras modalidades.
O esporte e a educação não se excluem, eles são complementares, e é isso que a sociedade precisa buscar. Viva o Esporte. Viva a Educação.
