As lições do Fla-Flu para o futebol potiguar
A magia do Fla-Flu não trouxe a Natal apenas um grande espetáculo de futebol proporcionado por um dos maiores clássicos do mundo. Mais que isso, ele deixou uma lição aos nossos dirigentes e os potiguares de um modo geral.
A primeira grande lição, é que num espetáculo dessa magnitude não se pode realizar trama para segregar a torcida visitante. O espaço cedido pelos organizadores aos torcedores do Fluminense, o visitante na partida, foi generoso e contemplou do menor ao maior preço dos ingressos.
Bem diferente daquilo que se viu na disputa da primeira partida da final do Campeonato Estadual, onde o assunto preço de ingresso e local destinado aos torcedores alvinegros acabou se transformando numa queda de braços, solucionado apenas com uma decisão judicial. O resultado disso foi que essa batalha entre diretorias acabou ocupando bem mais espaço na mídia que a atração principal, que era o primeiro jogo da final.
Depois disso o que se viu foi o comparecimento de um público considerado pífio para o tamanho do clássico e a importância do jogo na ocasião.
Quando as diretorias jogam com um bom árbitro e não aparecem num jogo é o ideal. Bem diferente do Fla-Flu com quase 26 mil pessoas na arquibancada, número que na atual temporada talvez só venha a ser superado com a presença da Seleção Brasileira em Natal.
Mas se ficaram essas lições para os dirigentes e promotores do espetáculo, a maior lição foi dada para os nossos torcedores. Reconhecidamente flamenguistas e tricolores são torcedores rivais, mas nem por isso nenhum potiguar que foi ao estádio saiu de casa no intuito de promover algum espetáculo de violência. Quem pagou caro para comparecer a Arena das Dunas foi com intuito exclusivo de ver um espetáculo de futebol.
Não foi necessário se realizar reuniões cansativas para definir esquema de segurança no Ministério Público e, na verdade, durante toda semana sequer se ouviu falar o nome desse agente público.
Além do mais, o que se viu no caminho da arena foram pais levando os filhos menores, com tricolores e flamenguistas andando juntamente dentro de um clima ameno e cordial. A torcida do Flamengo, em maior número, se resumia a cantar e observar a torcida do Fluminense marchando para o palco do espetáculo. Essa foi uma prova cabal de que os opostos podem conviver sem intolerância e todos ganham com isso. Pais que podem levar suas famílias aos estádios, as forças de segurança que não são obrigadas a agir de forma repressiva, os clubes com grandes arrecadações e os próprios torcedores com a bonita festa do estádio.
Então vamos torcer que a magia do Fla-Flu ilumine o futebol potiguar e que a partir de hoje os adversários possam conviver em clima de paz e cordialidade, pois dessa maneira acredito que nós estaremos dando o primeiro passo para longa caminhada que será ver um dos nossos representantes na divisão de elite do futebol nacional novamente.

Excelente matéria. Futebol é divertimento, diferentemente de “guerra”. O bom do futebol é você poder se confraternizar com amigos, tirar sarro do derrotado, discutir, virar técnico e sabedor de futebol, se sentir herói, dono da razão e do time sem contudo usar da violência. Viva o ABC.
João Maria Santiago. Presidente Prudente – SP.