Clubes reproduzem homofobia da sociedade ao esconderem o nº 24
O STF determinou que a homofobia seja julgada de acordo com as mesmas leis do racismo, dando um passo a mais na luta contra a discriminação. No entanto, esse ainda é um longo caminho que, no esporte, escancara machismos e atos de preconceitos sexuais. Uma demonstração clara desse absurdo está nos uniformes dos clubes de futebol, onde é raro encontrar a camisa 24. O número, estigmatizado no país graças a associação com um animal representado no jogo do bicho, virou tabu entre jogadores.
Para o leitor ter uma ideia, o 24 só aparece nos clubes brasileiros que participam de competições internacionais da CONMEBOL. A instituição obriga os clubes a inscrever os atletas numerados de 1 a 30. Ainda assim, os times arranjam uma forma de deixar o número de fora dos gramados. Para isso, inscrevem o terceiro goleiro com o 24. Como quase nunca jogam, fica assegurada a omissão do 24.
Em resumo, o preconceito permanece. Nas arquibancadas, as torcidas entoam cânticos homofóbicos o tempo inteiro e atletas temem assumir sua sexualidade e perder espaço nos times e até na publicidade. Ou seja, a Lei é bem-vinda, mas precisamos mais que legislação, precisamos de educação contra o preconceito.

Existe uma razoabilidade muito grande no seu POST. Porém, o amigo sabe que a nossa cultura não permite que leis e regras sejam cumpridas de forma imediata. Foi assim com o cinto de segurança, foi assim com o capacete… e por aí vai. Penso que esse preconceito seja eminentemente do público masculino, com os quais as brincadeiras são um pouco mais pesadas. Lembro que quando ainda estudante, era um verdadeiro “terror” quando o professor ia fazer a chamada na nova lista de presença anual, os “boys” ficavam torcendo fortemente pra o nome não cair nesse número. Era um dos maiores bullyings da época, senão o maior. Acho que até hoje ainda existe.