Leia a coluna Esportes de Primeira desta quinta-feira (3) na TN
Datas
As datas são vitais para o planejamento de qualquer tipo de negócio. No futebol não seria diferente. Em termos locais, seria bom que as equipes arregalassem os olhos em direção à folhinha. Primeiro me refiro aos que estão correndo risco de não passarem para a fase semifinal da competição. Para esses faltariam 24 dias apenas de competição. Como eles, cerca de 94% dos clubes brasileiros não têm calendário o ano inteiro. São os famosos sazonais. Ou seja, começará uma luta hercúlea de atletas e empresários em busca de encaixar os jogadores nos clubes que continuarão entrando em campo. Segundo dados de 2017, o Brasil possui cerca de 660 clubes com 18 mil atletas profissionais. A maioria destes trabalha por um salário mínimo e, alguns, não possuem sequer carteira de trabalho assinada. No Rio Grande do Norte, graças a um Termo de Ajustamento de Conduta – TAC, assinado pelos clubes com a anuência da Federação Norte-rio-grandense de Futebol – FNF e do Ministério Público do Trabalho, esse tipo de desprezo ao trabalhador não existe mais há alguns anos.
Datas 1
As datas também são importantes para ABC e América, que têm calendário pela frente, assim como o Globo. A Série D do Campeonato Brasileiro, aquela que ninguém quer estar, começa dia 17 de abril. América x Sousa e Icasa x Globo estarão em campo. Neste caso, bom seria se os planos dos potiguares já estivessem traçados por completo. No entanto, vejo ainda algumas indefinições que preocupam a pouco mais de 30 dias da competição. No Alvirrubro, além dos reforços que precisam chegar, não podemos garantir que o plano Leandro Sena seja posto em prática na Quarta Divisão. Se não for ele, quem chegar terá, mais uma vez, que lutar contra o tempo. Na Águia, o problema parece ser maior. Já são três técnicos na temporada e o time não engrenou. O ano que parecia ser lindo para o time de Ceará-Mirim ainda não teve dias de sol brilhante.
Datas 2
No caso do ABC o olho no calendário precisa estar atento. Um dia antes da Série D, o Alvinegro estará em campo, longe de casa. O time terá o Ferroviário, dia 16/4, como rival na estréia do clube potiguar pela Série C do Campeonato Brasileiro. Apesar de ter um técnico e um projeto mais sólido, o time de Moacir Júnior tem tido dificuldade para se reforçar. Os custos são mais altos e o mercado está difícil de ser encarado. Ficaram patentes necessidades na zaga e ala do time mas, ainda assim, os dirigentes tiveram que esperar o fim dos estaduais para, com mais jogadores livres, começarem a dar os “lances” por reforços. O tempo, como diria a música, não pára. É melhor ficar atento.
Tiro
Os apaixonados por armas e esporte do tiro poderão conferir, a partir desse mês, uma série no Youtube sobre a história, vida e treinos do atleta olímpico brasileiro e multicampeão em diversas categorias de Tiro ao Prato, Roberto Schmits, mais conhecido como Schmitão. A série será transmitida no canal do Youtube Schmitão Tiro Esportivo e contará com vídeos quinzenais.
Paradesporto
O presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Mizael Conrado, anunciou no início da manhã desta quarta-feira, 2, os nomes dos porta-bandeiras do país na cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos de Inverno Pequim 2022. A paranaense Aline Rocha e o rondoniense Cristian Ribera, ambos do esqui cross-country, terão o privilégio de ostentar o pavilhão brasileiro no famoso Estádio Ninho do Pássaro, o mesmo que recebeu os Jogos Paralímpicos de verão, em 2008, na capital chinesa.
Paradesporto 1
Tanto Cristian como Aline estreiam nos Jogos Paralímpicos de Inverno na noite (no Brasil) do domingo, dia 5, no esqui cross-country nas provas longas 15km para as mulheres e 18km para os homens. Além da dupla, o chefe da delegação brasileira na China, Anders Pettersson, e a médica da delegação em Pequim, Cassiana Pisanelli, também vão desfilar no Ninho do Pássaro na noite (na China) de sexta-feira, 4.
Violência
O caso da agressão ao quarto árbitro no jogo entre Força e Luz se junta a outros cinco casos de violência acontecidos no futebol brasileiro nos últimos dias. Briga de torcedores de Botafogo e Flamengo; atentado ao Ônibus do Bahia; invasão de campo no final da partida entre Paraná Clube e União-PR; “torcedor” do Juventude cuspindo em jogador do Caxias; e por fim, outro atentado, dessa vez ao ônibus do Grêmio. Ainda este ano, em janeiro, “torcedores” do São Paulo invadiram o campo para intimidar jogadores do Sub-20(!!!) do Palmeiras durante a semifinal da Copa SP de Futebol Junior. Até quando o futebol vai ser condescendente com esse tipo de coisa? A Confederação Brasileira de Futebol precisa entrar de verdade na luta contra isso. Assim como os bancos realizam a compra de equipamentos policiais para combaterem crimes contra suas instituições estava na hora da CBF pensar em algo parecido. Financiar a investigação e punição de todo tipo de violência que cerca o esporte. O afastamento do verdadeiro torcedor e o medo de jogadores, comissões e árbitros enfraquecem o futebol brasileiro. E, inegavelmente, a instituição que mais lucra com o futebol nacional é a CBF. Ou seja, a entidade estaria protegendo a sua própria “galinha dos ovos de ouro”. Não seria nenhum favor ou altruísmo, apenas um mero investimento, entre tantos outros feitos pela Confederação. Talvez, nesse caso, o retorno seja mais lento mas, se nada for feito, a conta será alta e, mais cedo, ou mais tarde, vai chegar.
