11 de fevereiro de 2026
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O novo futebol é mais complexo do que muitos imaginam

No futebol, a garra e a postura em campo apenas compõem um quadro mais amplo de atitudes e técnicas necessárias para o bom desempenho. O esporte, que já foi simples como as peladas de rua, ganhou outro patamar. O alto rendimento exigido aos atletas não se resume ao fato de um jogador ser mais aguerrido ou ter maior capacidade física que o outro. 

Essas são valências importantes, mas sozinhas não servem de muita coisa. Atualmente, por exemplo, o preparo físico é, além de individualizado, organizado por setores do campo. Um lateral, cujas corridas são principalmente mais longas de ida e volta e os piques são, em sua maioria, dados em linha reta, trabalham diferentes dos homens de meio campo, que giram mais o corpo e se deslocam em várias direções. 

Além disso, com o aumento da velocidade do jogo e até da bola, devido às mudanças no material com as quais são produzidas, e exigências feitas com relação aos gramados dos estádios (passaram até a ser molhados antes de a bola rolar), os atletas precisam ter reações mais rápidas instintivamente, assim como serem capazes de tomar decisões em menos tempo que antes.

Você poderia somar, a isso tudo, outras coisas como: suplementos alimentares, dietas individualizadas, exames médicos e clínicos específicos, avanço da medicina do esporte, da fisiologia, da psicologia e, claro, da tática de jogo. 

Então, quando ouço um comentário tipo: O ABC mudou de postura, fico todo arrepiado. Não é só isso que precisa ser mudado para transformar um time em uma equipe vencedora. O que vimos de melhora em campo é consequência de um trabalho mais bem feito por Argel Fuchs em relação ao seu antecessor. 

Fuchs conseguiu dar forma tática e organização mínima aos atletas que, antes, se comportavam como um bando em campo. Dizer que o time está com mais garra é desmerecer o trabalho do técnico. Se o time parece mais aguerrido é porque está “correndo certo” e não de forma aleatória. Se o desempenho de alguns melhorou é porque coletivamente o trabalho passou a dar resultados. 

No entanto, tem algo que Fuchs não conseguirá mudar e algo que ele não está observando. Primeiro, o técnico não será capaz de alterar o elenco que é fraco tecnicamente falando. Segundo, ele precisa observar melhor as mudanças. Entendo o que ele quer, mas não posso concordar em tirar um jogador tecnicamente superior, capaz de decidir, para colocar outro que não fará diferença por ter a capacidade física superior. 

O futebol não é só correria. Se Wallyson estivesse na posição de Cordeiro, naquele instante final contra a Chapecoense, dificilmente perderia o gol. Ou seja, não faltou garra, nem postura, faltou técnica, capacidade de decisão rápida, foco, etc, etc…

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