10 de maio de 2026
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Os desafios para formação de um elenco vencedor

Formar um elenco competitivo exige decisões estratégicas bem calculadas. Estudos acadêmicos apontam que a maioria das escolhas de contratações no futebol (tanto no Brasil quanto em clubes globais) costuma falhar em trazer o retorno esportivo e financeiro esperado. Um trabalho de Pantuso & Hvattum (2019) propõe um modelo matemático para reduzir os riscos nesse processo, mostrando que decisões baseadas em métricas objetivas aumentam a eficácia nas contratações.


No futebol brasileiro, especialmente em clubes de menor porte ou menos estruturados, relatam-se índices de erro superiores aos acertos nas janelas de transferências. Dados informais apontam que em estados como o Rio Grande do Norte os clubes frequentemente erram mais do que acertam ao compor seus elencos, resultando em baixo rendimento coletivo.


Esse panorama se encaixa com o que o ABC tem apresentado ao longo da temporada: a equipe herdou um histórico de muitos empates e gols escassos. Segundo levantamento de julho de 2025, o ABC lidera o ranking de empates em todas as divisões do Campeonato Brasileiro, com impressionantes 11 empates em apenas 15 jogos da Série C.


O padrão repete: empata demais, marca pouco, não consegue vencer com frequência. Esses dados corroboram a tese de que houve falhas na seleção de jogadores e na construção de uma identidade de elenco. Quando se erram escolhas, os reflexos vêm em campo — falta ambição ofensiva, falta repertório para superar dificuldades e, no fim, sobra um time acostumado a não vencer.

Sobre chances

Com 15 rodadas concluídas, a Série C do Campeonato Brasileiro vai se afunilando, e os cenários de classificação e rebaixamento começam a se definir com mais clareza. No entanto, enquanto alguns times disparam, outros seguem patinando — e entre eles está o ABC, que parece ter feito do empate sua principal identidade nesta campanha. O empate por 0 a 0 diante do Figueirense, no Frasqueirão, no último fim de semana, foi o 11º do ABC em 15 jogos — um número expressivo que, por si só, revela o drama: o time venceu apenas duas vezes e perdeu outras duas. O resultado disso é uma posição desconfortável: 13º lugar, com 17 pontos, saldo negativo e um rendimento de apenas 37,8% dos pontos disputados. Embora a pontuação ainda mantenha o time fora do Z4, a margem é estreita. O que preocupa não é apenas a classificação, mas a inércia: são seis empates consecutivos, um roteiro de repetição que impede qualquer salto na tabela. Lá em cima, o Caxias lidera com folga e um aproveitamento de campeão (73,3%), seguido por Ponte Preta, Náutico, Londrina e São Bernardo. A disputa pelas oito vagas na segunda fase promete emoção até o fim — principalmente porque o G8 está embolado entre 5 ou 6 equipes com 21 a 26 pontos. Na parte de baixo, Tombense, Retrô, Confiança e Itabaiana seguem hoje como os mais ameaçados de rebaixamento. Mas o ABC, com essa sequência estagnada, precisa abrir o olho: a zona vermelha está a apenas 3 pontos de distância. O campeonato segue aberto, mas a matemática não perdoa. Empatar muito pode ser menos arriscado do que perder — mas é também um caminho lento e, muitas vezes, traiçoeiro rumo ao fracasso. O ABC precisa escolher se quer ser coadjuvante de uma temporada morna ou protagonista de uma virada improvável. A decisão, agora, passa por romper o ciclo e vencer.

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