RIO-2016: As 10 reações que só o público brasileiro poderia ter num jogo de tênis
Os Jogos Olímpicos Rio 2016 são uma oportunidade única para os amantes do tênis. Nunca antes o país recebeu num só torneio os dois melhores melhores tenistas do mundo, casos do sérvio Novak Djokovic e do britânico Andy Murray. Isso sem falar em uma das melhores tenistas de todos os tempos, a norte-americana Serena Williams, detentora de 22 títulos de Grand Slams. A nata da modalidade debutou no Rio de Janeiro com um público para lá de empolgado, que contrasta e muito com a seriedade dos europeus. E as reações dos brasileiros neste domingo (7) foram um show à parte.
Aqui é Rio 2016!
A primeira experiência do dia para o público brasileiro foi o jogo de Thomaz Bellucci. A totrcida deu as caras com um um grito de “esquece o vento, Bellucci”, quando o tenista claramente tinha dificuldades com a ventania. Cada ponto era vibrado como um gol de Copa do Mundo. “Bora, Belucci”, incentivou outro. As vaias eram tamanhas para o alemão Dustin Brown que num determinado momento, ironicamente, ele pediu para vaiarem “mais alto”. “Acho que é mais quente do que a Copa Davis”, observou Bellucci ao final do confronto.
Solidariedade e respeito
Dustin Brown dava muito trabalho a Bellucci quando torceu o tornozelo esquerdo. Caiu no centro da quadra, e as fortes vaias foram substituídas por aplausos. Um momento de apreensão, e o alemão voltou ao jogo com o tornozelo enfaixado. Mais uma vez o público vibrou. Só que, na primeira tentativa de rebater, ele desistiu. Atirou a raquete ao chão. Aos prantos, desistiu. Uma salva de palmas ainda mais forte despertou o espírito Olímpico no público.
Selfies e saudade
O torcedor brasileiro mostrou ser não apenas eufórico com a presença da elite do tênis mundial, como também saudoso de quem gostaria de ver no Rio 2016. Suspensa por doping, a musa russa Maria Sharapova foi lembrada neste cartaz de um torcedor que dizia: “Sinto sua falta, Maria”. Teve espaço no recado também para o suíço Roger Federer, número três do mundo, que não veio por lesão: “De você também, Feds (Federer)”. Homenagem justa e carinhosa, não?
Apreensão pelos aplausos
A americana Serena Williams foi a segunda a entrar na quadra principal. Era a oportunidade, pois, de ver ao vivo uma das melhores tenistas de todos os tempos. E o primeiro fato curioso: os longos ralis, que geravam apreensão da torcida para a finalização do ponto. Ainda no primeiro set, uma intensa troca de bolas já durava mais de 20 segundos quando alguns não se aguentaram e começaram a se manifestar. Veio o pedido de silêncio: “Shiuuuu”. Dez segundos depois, Daria Gavrilova achou uma bola vencedora e matou a jogada. Os fãs aplaudiram de pé não só o lance, mas o esporte pelo qual Maria Ester Bueno e Gustavo Kuerten fizeram o brasileiro se apaixonar. Longos aplausos.
Bronca de torcedor
Os repositores de bola, que ficam em pé o dia inteiro, com sol, vento e outras intempéries, no Rio 2016 ainda têm pela frente o exigente – e carismático – público brasileiro. É aquela coisa: perde-se o amigo, mas nunca a piada. Num dado momento, ainda no primeiro set, Serena pede bola nova para o segundo serviço. O repositor erra a mira, e a norte-americana não alcança “Joga essa bola direito, meu filho”, grita uma voz lá do alto das arquibancadas. Riso geral, obviamente.
A retribuição do gentleman
Andy Murray, número dois do mundo e ouro em Londres 2012, tinha o público brasileiro claramente torcendo por ele. “Let’s go, Murray” ou, em português, “Vamos, Murray” era o grito mais ouvido na quadra principal. Ao fim do jogo contra Viktor Troicki, o britânico mostrou ser um lord. Distribuiu bolas autografadas, posou para selfies e gastou um bom tempo atendendo os insistentes fãs que se aglomeraram em ambos os túneis de acesso à quadra. “I love you, Murray” (“Eu te amo, Murray”), gritou uma torcedora mais empolgada. Amor justo, esse.
‘El Toro’ barulhento
Tudo bem que Rafael Nadal é “de casa”, já curtiu o Carnaval do Rio, participou de torneios oficiais por aqui também (Rio Open), mas o fato de ele ser figurinha fácil por aqui não fez a idolatria por ele diminuir em nada. Pelo contrário. Os gritos da torcida na vitória de “El Toro”, atual número cinco do mundo, diante do argentino Federico Delbonis (2×0) invadiram a quadra principal. Ele retribuiu com dezenas de autógrafos e selfies. “Por supuesto”. Foi a primeira vitória de Nadal em Jogos Olímpicos desde Pequim (2008), quando foi ouro.
Brasil x Argentina, quer dizer…
Quis o destino que o grande astro da noite, o sérvio Novak Djokovic, melhor do mundo, estreasse no Rio 2016 justamente contra um argentino, no caso, Juan Martín del Potro. Não deu outra: cada manifestação dos hermanos era prontamente abafada por sonoras vaias ou gritos de “Djoko, Djokoooo”, antes mesmo de a partida começar. Teve até quem soltasse um “olê,olê, olê, olá, Guga, Guga!”. Um último ainda mandou: “Djoko é Brasil, mermão”.
Páreo duro
A surpreendente performance de Martín del Potro inflou os ânimos argentinos e, por consequência, o Fla x Flu do tênis. “Vamos, Del Potro”, gritavam nossos hermanos. “Vice de novo”, provocou outro (a Argentina, no futebol, tem perdido seguidas finais). Mas tudo dava certo para Del Potro em quadra e a batalha ficava cada vez mais acirrada nas arquibancadas. “Soy, Argentino… Es un sentimiento, no puedo parar” (ou “Sou argentino.. É um sentimento, não posso parar”), gritava a animada torcida tremulando bandeiras.
E o improvável aconteceu
Djokovic bem que tentou. Ao aplicar um looby perfeito, vibrou muito e chamou a torcida. Desafio pedido, ace concedido e, de novo, o sérvio clamou pela galera brasileira, que retribuiu como um gol na final. A noite, no entanto, era do argentino. Dos argentinos, que vibraram muito, gritando pelo nome de Del Potro: duplo 7/6. “Valeu, Djoko”, gritaram alguns resignados. Não cabiam mais vaias. Ele bateu no peito e agradeceu o carinho. Já Djokovic chorou. Por ele e pelo público, imagina-se. O Rio 2016 viveu um grande dia. Os amantes do tênis agradeceram.
